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Para falar sobre o ano que terminou, o segundo impactado diretamente pelo novo coronavírus (Covid), e as perspectivas para 2022, o Candeia entrevistou representantes de três diferentes setores: a empresária do setor de turismo Jessica Fernanda Prudente de Melo, o cirurgião-plástico Marcos Antenor Storion Júnior e a diretora da Apae de Bariri, Silvia Maria de Barros Gandara.

 

Jessica Fernanda Prudente de Melo – “O desafio maior e principal com toda certeza é geração de emprego”

Marcos Antenor Storion Júnior – “Espero sinceramente que as novas variantes que surjam sejam muito mais brandas e controláveis”

Silvia Maria de Barros Gandara – “Faz-se necessário também recuperar perdas educacionais de alunos que se evadiram escola ou não tiveram oportunidades e aprendizagem durante período da pandemia”

 

Candeia – Que balanço faz de 2021, ano ainda afetado pela pandemia de Covid-19?

 

Jéssica Melo – Foi um ano com muitos desafios e perdas, mas também com muito aprendizado e superação. No nosso ramo, o setor de turismo foi um dos mais afetados e creio que a pandemia acabou sendo um divisor de águas para aqueles que conseguiriam se preparar, se reinventar e dar a volta por cima. Um dos maiores desafios foram as remarcações, nos quais tivemos que reacomodar um a um de nossos passageiros em outras datas, um trabalho de meses sendo refeito. Também houve dificuldades com fornecedores, como as companhias aéreas, que estavam despreparadas mediante tanto caos.

 

Marcos Storion – A pandemia fez com que muitos hábitos fossem mudados. As pessoas ficaram mais reclusas, isso fez com que o auto-cuidado diminuísse bastante no começo. Em 2021 com as campanhas de vacinação e dramática diminuição na incidência da Covid-19 muitos começaram a ver um novo horizonte e a possibilidade de “sair das tocas”. Assim como a famosa preparação anual pra adquirir o “shape” para o verão notou-se imensa procura pela cirurgia plástica, tanto para a melhora facial (muitos pacientes referindo que se sentiam envelhecidos com a reclusão), quanto para a melhora do contorno corporal. Mesmo com as dificuldades inerentes ao período, foi um ano muito próspero em que pude contribuir para a felicidade e realização de muitos sonhos.

 

Silvia Gandara – Em primeiro lugar, enquanto entidade, agradecemos a Deus pelo privilégio da vida, após período tão complicado para todos, principalmente para nossos atendidos, diante da pandemia de Covid-19. Apenas um dos nossos atendidos foi acometido fatalmente pela Covid-19, porém não estava sob nossos cuidados, por estar afastando desde antes, em casa, por mais complicações, segundo a família. Sendo assim, nossas orientações foram fundamentais a todos eles, mantendo-os vivos, encorajados a enfrentar e retornar ao convívio da Apae, no segundo semestre de 2021. Ainda que discretamente e com todos os cuidados de saúde necessários, a Apae não deixou de socorrer seus atendidos, seja na saúde, no social ou na educação. Aprendemos e encontramos novas formas de exercer a função profissional e social necessária. Não somos ingênuos em dizer que não há prejuízos, até sequelas deixadas por esses dois últimos anos, tão atípicos como foram 2020 e 2021, quer no aspecto educacional, quer no resgate da autoconfiança e restabelecimento de alguns vínculos por parte de nossos atendidos, mas soubemos nos preparar, dentro das muitas possibilidades, avaliando o final de 2021 como positivo, prova disso foi o sucesso da participação de todos nas apresentações de final de ano, em coral, danças, conclusão de fases, festa de confraternização, enfim, demonstrando alegria e bem estar. A participação das famílias também foi satisfatória, apoiando a entidade no que estava ao alcance de cada uma. No aspecto de sustentabilidade financeira, 2021 foi um ano de muitos desafios e até dificuldades, ainda que buscando alternativas para captar recursos, por isso, há que sermos criativos para que as finanças em 2022, possam garantir a programação que queremos desenvolver e com os recursos humanos que precisamos.

 

Candeia – Quais suas expectativas para o ano que se inicia no segmento em que atua? O que será prioridade?

 

Jéssica Melo – Nós, da Estação Viagem, fomos desafiadas nesta pandemia e com muito trabalho, dedicação e humanidade conseguimos aumentar o faturamento em mais de 50% em 2021 em relação a 2019, contratamos mais funcionários e estamos com plano de expansão para 2022. Em janeiro a agência Estação Viagem completa 7 anos e está ainda mais forte e preparada. Nossa prioridade é atendendo cada vez com mais qualidade e agradar a maior numero possível de passageiros.

 

Marcos Storion – Procurarei ser otimista, acredito que assim como eu as pessoas já não aguentam mais a vida como ela teve que ser adaptada nos últimos tempos. Espero sinceramente que as novas variantes que surjam sejam muito mais brandas e controláveis. Vejo boas perspectivas para a minha área de atuação, a minha prioridade será o investimento em tecnologias e no atendimento de altíssima qualidade e responsabilidade para a comunidade baririense.

 

Silvia Gandara – Como diretora de instituição, seja ela pública, particular, filantrópica, sempre busquei seguir um princípio: um gestor, ou um líder, só pode ser bem-sucedido se diante de muitos desafios, considerar que o discurso e a prática devem estar harmonizados. Em se tratando da Apae, tive que refinar e perseguir ainda mais essa característica, pois conduta ética e resultados devem estar aliados e buscados por todos que lá atuam, nosso público-alvo merece e espera por isso. Ser gestor de uma associação como a Apae implica comprometimento com uma ação que garanta aos seus atendidos, em primeiro lugar, uma atenção integral, que considere as múltiplas dimensões e complexidades que caracterizam a pessoa humana, concebida como singular e indivisível em sua natureza biopsicossocial, cujo desenvolvimento global se dá ao longo da vida. Sendo assim, a equipe com quem devemos trabalhar deve ser formada por profissionais que agreguem como qualidades a prudência e o entusiasmo, ao mesmo tempo. A primeira para que não se frustre muitas vezes sem os resultados imediatos, com pessoas que demandam mais tempo para aquisição de habilidades, conhecimentos, comportamentos. O entusiasmo, para que saiba lidar com situações adversas e ainda assim trabalhe com competência técnica, alegria e veja na sua atuação um bem ao próximo. Esses são nossos ideais para 2022. Na prática, os projetos e programas devem perseguir resultados que vão ao encontro dos anseios dos atendidos, levantados em pesquisa já realizada no final de 2021. O como será conquistado por meio da formação continuada de todos e de uma ação de parceria entre os colaboradores diários da Apae, a diretoria que assume em 2022, os parceiros de convênios (públicos e privados) e a legislação que norteia cada uma das áreas de atendimento: saúde, educação e serviço socioassistencial. Tudo é importante, mas o desenvolvimento da autonomia, da autoestima, da capacidade de reivindicar direitos, da aquisição de saberes em diferentes dimensões dos atendidos devem ser prioridade.

 

Candeia – Em relação a Bariri, quais os desafios do município para 2022?

 

Jéssica Melo – Bariri, na minha opinião, é uma cidade com potencial, mas está economicamente parada há anos. Creio que se houvesse mais investimentos em empregos, trazendo indústrias para a cidade e gerando renda a economia seria melhor, as pessoas consequentemente gastam mais, há mais giro e o comércio melhora. O desafio maior e principal com toda certeza é geração de emprego.

 

Marcos Storion – Eu amo a cidade, então sou suspeito para falar, mas espero que em 2022 cada vez mais os baririenses se esforcem e acreditem no próprio potencial para trazer para o nosso município as tecnologias e qualidade de atendimento que habitualmente só encontramos nos grandes centros e exterior.

 

Silvia Gandara – Por meio de diferentes mídias é possível verificar inúmeras conquistas do município: na saúde, no esporte, no aumento da autoestima de seu povo, no índice de emprego, na melhoria de aspectos físicos da cidade, na credibilidade do município para captação externa de recursos, como, por exemplo, por meio de emendas etc. Entretanto, como todo município, há sempre desafios a serem transformados em políticas públicas e que envolvem diferentes setores, não somente públicos, ou seja, que devam ter visibilidade e a preocupação até mesmo de iniciativas privadas. Poderia citar por meio de leituras de censos e estatísticas: diminuir índice de mortalidade infantil; garantir maior atenção e acompanhamento da saúde de gestantes; mapear situações de vulnerabilidade social e econômica após pandemia; fomentar mais a cultura; estabelecer programas que atendam a faixa etária dos adolescentes em situação de risco e os que não tiveram oportunidade de estudo em tempo hábil, diminuir índice do analfabetismo na cidade; melhorar a situação de infraestrutura de diferentes locais do município. Por fim, a meu ver, faz-se necessário também recuperar perdas educacionais de alunos que se evadiram escola ou não tiveram oportunidades e aprendizagem durante período da pandemia, reestruturar ambientes escolares dotando-os de recursos físicos melhores e adequadamente tecnológicos; valorizar funções públicas municipais por critérios técnicos e de produtividade, com os devidos monitoramentos e avaliações; estabelecer pautas legislativas propositivas. Penso que 2022 pode ser um ano promissor se bem trabalhado, com integridade e coragem de todos os munícipes e o entusiasmo profissional necessário de todos que se dispõem a uma obra para o bem coletivo.

 

Saiba mais sobre os entrevistados

 

Jessica Fernanda Prudente de Melo, 30 anos, nasceu em Bariri. É proprietária da Estação Viagem de Bariri. Possui bacharelado em Turismo e pós-graduação em Marketing e Comunicação, com experiência no setor de agência de viagens há 9 anos

 

Marcos Antenor Storion Júnior, 31 anos, é nascido em Bariri. Aos 18 anos, iniciou o curso de Medicina na Universidade Estadual Paulista (Unesp), no campus de Botucatu. Depois da graduação, seguiu a carreira com que sempre sonhou, como cirurgião-plástico. Para isso, fez duas residências: a primeira, em cirurgia-geral; e a segunda, em cirurgia-plástica, além da formação em cosmiatria avançada e das atualizações constantes. Formado, ele usa a profissão para proporcionar mais saúde, leveza, bem-estar, autoconfiança e beleza para a vida de outras pessoas. Segundo Marcos Storion, cada paciente traz, para o consultório, um sonho de mudança. “Minha missão, como profissional, é fazer, da melhor maneira possível, a ponte entre cada um desses sonhos e a realidade”, afirma ele.

 

Silvia Maria de Barros Gandara, 62 anos, é nascida em Bariri. Formada em Letras, atuou de 1982 a 1988 como professora de Língua Portuguesa, Inglês e Literatura Infantil, em escolas públicas. Também é formada em Pedagogia, tendo atuado em cargo público, 1988 a 2009, como diretora de escola pública. Nesse período, chegou a trabalhar como diretora municipal de Educação de Bariri. Formada em Supervisão Escolar, de 2010 a 2016 Silvia atuou no cargo de Supervisora de Ensino na Diretoria Regional de Ensino de Bauru. Em 2016 aposentou como Supervisora de Ensino. Em 2015 ela concluiu mestrado em Gestão Escolar e Formação de Gestores e Coordenadores Educacionais. De 2017 a 2018 trabalhou novamente como diretora municipal de Ensino. A partir de 2020, após conclusão de pós em Psicopedagogia e Neuropsicopedagogia, assumiu a direção pedagógica da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) de Bariri, onde exerce as atividades até o momento.