O projeto Gastronomia da Estrada de Terra chega ao fim com grande índice de sucesso: quase 4 mil curtidas e seguidores na página do Facebook; milhões de pessoas no Estado alcançadas pela divulgação orgânica e via imprensa.
Em 2018, o projeto idealizado pela produtora executiva Miriam Stevanatto Jacob, mapeou estabelecimentos relacionados à cultura caipira e rural de 34 municípios.
Foram catalogados 47 locais ligados à gastronomia que ficam nessa microrregião. A lista completa está disponível em: https://sites.google.com/view/gastronomiadaestradadeterra/estabelecimentos.
A partir do dia 20 de novembro, terça-feira, o alcance do projeto deve aumentar com o lançamento do mapa dos estabelecimentos, em âmbito digital. Ele ficará disponível para impressão e qualquer pessoa, física ou jurídica, pode baixar e imprimir. Para Miriam, o mapa vai aumentar o alcance em cerca de 30%.
Do total dos 34 municípios, 13 deles não têm estabelecimentos em estradas de terra, sejam porque as estradas rurais foram asfaltadas ou porque as atividades de vendas tradicionais foram desativadas. Os estabelecimentos que não autorizaram sua divulgação e/ou participação tiveram sua opção respeitada e não foram inclusos ou citados no mapa.
Tradições da roça
De acordo com a produtora, a maioria dos locais mantém, valoriza e preserva tradições da roça. Muitos deles se adaptaram a novos parâmetros de comércio e serviços, mas não abandonaram as raízes – muito pelo contrário, transformaram o conhecimento em algo inovador. “É isso que gira a economia laranja, a economia criativa está em voga no momento”, comenta.
Um dos aspectos mais encontrados foi o fogão a lenha, seja para a disposição dos alimentos no salão principal dos locais ou para o fazimento da comida. Além disso, muitos dos locais cultivam os alimentos, mantendo hortas livres de agrotóxicos ou animais tratados com milho e alimentos naturais. Não há opção por tratamentos quimicamente manipulados, a fim de conferir mais saúde, qualidade e sabor aos alimentos.
Outro dado óbvio: o estilo musical mais encontrado foi o caipira/sertanejo, típicos da região e reveladores da transformação do campo através dos tempos.
Economia criativa
Para Miriam, alguns municípios já compreenderam a importância da valorização dos aspectos culturais e da criatividade de seu povo para o giro da economia, para o desenvolvimento local e também do turismo rural e do turismo cultural.
“Às vezes, por estarmos inseridos neste universo, não conseguimos ver o quão sofisticado é o estilo de vida roceiro, de raiz: a qualidade de vida que traz a vivência no mato, em contato com a natureza, plantando seu próprio alimento é a busca de muitos citadinos da atualidade. São valores que se perderam, tanto nas capitais como no interior”, ressalta a produtora.
Segundo ela, esses aspectos culturais e do meio ambiente são atraentes para os que têm essa busca, seja para investir ou para buscar refúgio em temporadas. “O interior pode e deve fortalecer essas iniciativas ligadas às tradições e ao conhecimento adquirido de geração em geração para o desenvolvimento econômico e social. A inovação, muitas vezes, vem da valorização de aspectos muito simples”, afirma Miriam.
Arquivo disponível
Miriam afirma que o mapa que será disponibilizado dia 20, obrigatoriamente, tem a distribuição gratuita. É proibido alterar a arte ou reproduzir somente partes do mapa. O arquivo ficará disponível em www.gastronomiadaestradadeterra.com e seu lançamento será anunciado na página do Facebook, com link para o arquivo.
No decorrer do projeto, foi preciso fazer também um mapa digital e um site para a disponibilização das informações, que no planejamento inicial não existiam.
Tanto o site quanto o mapa digital foram feitos em plataformas gratuitas e facilitam para que o público jogue a localização do mapa digital diretamente para seu GPS.
De acordo com Marcelo Eduardo Lenharo, coordenador das redes sociais do projeto, estava planejado revelar alguns aspectos dos locais pelo Facebook, a fim de “esquentar” o lançamento do mapa que acontecerá agora.
Aos poucos, o contato com o público mostrou necessidade de ir além. Aí surgiu a ideia de elaborar um mapa digital e um site para disponibilizar as informações mesmo antes do lançamento. “O público gostou do projeto e pedia informações diretamente. Foi quando compilamos tudo no site e já deixamos disponíveis as informações de contato de cada estabelecimento (informações que estariam somente no mapa final), para que o público fale diretamente com cada local”, afirma Marcelo.
Parcerias
Segundo Miriam, a edição de 2018 contou com aporte da Secretaria de Cultura do Governo do Estado de São Paulo. Para a edição 2019, assim como as próximas edições, o Gastronomia da Estrada de Terra fica aberto a parcerias, investimentos ou patrocínios de marcas ou empresas interessadas em criar elo emocional com seus públicos do interior.
A produtora afirma que a maioria dos insights foi positiva e que a ligação afetiva do público com os aspectos culturais mapeados é grande. “Estamos muito felizes com os resultados e gostaríamos de ampliar território, transformar em audiovisual e envolver mais ainda as comunidades mapeadas”, finaliza.
Colaborou: Miriam Stevanato Jacob

Aspectos comuns fogão a lenha, cultivo de alimentos e hortas livres e estilo musical caipira/sertanejo | Foto: gastronomiadeestradadeterra
Da redação
























