
O trabalho, empenho e responsabilidades dos estudantes universitários contribuem para a missão científica do Tamar
No início de fevereiro, a estudante baririense de Biologia, Lívia Slompo Felippe, 20 anos, concluiu o estágio científico na Fundação Projeto Tamar, em Ubatuba, no litoral norte de São Paulo.
Segundo ela, o grande desafio se encontra na forma como o Brasil encara a conservação ambiental. “A Fundação e outras instituições não governamentais são gigantes. Mas a missão dos pesquisadores seria mais efetiva se o governo e a população de modo geral auxiliassem”, comenta.
Ou seja, sem uma cultura de preservação não há como manter as tartarugas e a natureza. Lívia afirma que essa preocupação precisa estar presente nas práticas mais corriqueiras, como, por exemplo, na forma como se maneja o lixo doméstico.
“Se você olha para ele simplesmente, como objetos que vão ser descartados e que seu problema termina ali, infelizmente não está sendo favorável ao trabalho diário e árduo de milhares de pessoas que atuam na conservação”, diz a estudante.
Segundo ela, o primeiro passo para ser agente transformador da sociedade e atuar como colaborador de instituições que lutam pela natureza é fazer o descarte correto do lixo. Um exemplo clássico é a sacolinha plástica, que no caso das tartarugas, é confundida com águas-vivas, que são uma das fontes alimentares desses animais. “Mesmo que seja uma “simples” tampinha de garrafa. Elas são um perigo para animais indefesos, que, comumente, confundem o lixo com comida”, destaca Lívia.

A estudante ajudou a cuidar das tartarugas que estavam em tratamento. Alimentava, limpava os tanques e auxiliava na clínica
No mais, ela considerou o estágio “extremamente prazeroso e gratificante”. Afirma que trabalhar com educação ambiental é uma via de mão dupla: o educador, sozinho, não basta. Ele precisa de pessoas abertas a ouvir o que tem a dizer. “E no Tamar nós encontramos um público muito diverso: tive contato com pessoas de outros países e com brasileiros de diversas regiões”.
Relata que a grande maioria é muito receptiva às informações passadas. Especialmente as crianças, sempre surpreendentes. “Certo dia, eu estava voltando do Tamar e um carro passou por mim com um menininho gritando: tchau, Lívia”.
Ela tinha brincado com ele e conversado bastante no espaço infantil do Tamar. Ele decorou seu nome e, quando acenou, pôde perceber que tinha gostado da experiência. “É muito gratificante”, ressalta.
Acrescenta que com os animais dentro do centro de reabilitação também foi uma experiência incrível. Lá, ajudou a cuidar das tartarugas que estavam em tratamento. Alimentava, limpava os tanques e auxiliava na clínica. “Eram nossas pacientes! E posso garantir que eram tratadas com todo amor, em especial. os estudantes de Medicina Veterinária, que passavam mais tempo no centro de reabilitação”.
Diz que participar do Tamar foi uma experiência de vida. “Conheci pessoas que me ensinaram valiosas lições. Me senti parte de uma instituição que, há 40 anos, faz história no Brasil”, destaca.
O projeto fez Lívia ter certeza plena de que nasceu para as Ciências Biológicas. “Eu me encontrei com a natureza e ela tocou profundamente minha alma”, descreve.
Pretende continuar a ajudar as pessoas a enxergarem o grandioso presente que é o Planeta Terra, as águas, oceanos, florestas e animais. “São bens preciosos e fazemos parte disso. Cabe a cada um escolher como quer atuar e interagir com esses bens”.
Finaliza agradecendo aos funcionários da base e aos empenhados colegas. “Quanta alegria todos me trouxeram esse mês!”.
























