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O objetivo da Promotoria de Justiça é apurar o desabastecimento de água na cidade e as providências a serem adotadas para garantir a prestação do serviço de forma contínua – Divulgação

Alcir Zago

Diante do desabastecimento de água para vários bairros da cidade, acentuado nos últimos dias pelo comprometimento do Manancial São Luis, a Promotoria de Justiça de Bariri instaurou inquérito civil em relação à prefeitura e ao Serviço de Água e Esgoto do Município de Bariri (Saemba).

O objetivo da Promotoria de Justiça é apurar o desabastecimento de água na cidade e as providências a serem adotadas para garantir a prestação do serviço de forma contínua.

Conforme a portaria que embasa a abertura do inquérito civil, “a despeito da estiagem, já era previsível esse desabastecimento há pelo menos um ano, pois o mencionado manancial já demonstrava situação crítica”.

O documento aponta também a necessidade de apurar as providências já tomadas pelo poder público para evitar o desabastecimento ou minimizar os efeitos drásticos à população.

A promotora de Justiça Gabriela Silva Gonçalves Salvador encaminhou ofício ao Executivo e à autarquia requerendo, no prazo de 10 dias: a) se já foi formado o comitê de gerenciamento de crise hídrica e, se sim, quem são seus integrantes; b) se já houve um completo mapeamento da região da cidade com desabastecimento de água; c) se já foi realizado estudo das principais causas do desabastecimento; d) quais medidas pretende adotar para evitar novos desabastecimentos; e) qual prazo estimado para solução do problema; f) quais medidas está adotando para diminuir as consequências do desabastecimento; g) se foi criado um Plano de Contingência em caso de escassez hídrica, indicando de qual manancial será captada a água bruta, em caso de comprometimento do volume do manancial atualmente utilizado ou indicando outra alternativa técnica para o caso de escassez em período de secas; e h) se é realizado monitoramento do nível dos mananciais e represas de abastecimento público.

 

Manancial

 

No fim de semana o superintendente do Saemba, Eder Cassiola, informou que o Manancial São Luis, que abastece praticamente metade do município, havia secado. As bombas, que eram desligadas perto do início da madrugada, passaram a ser desligadas às 18h a fim de que o manancial pudesse recuperar sua capacidade. Esse desligamento mais cedo deixa muitos moradores sem água ou com baixa oferta do líquido.

Sobre o tema, o Candeia tem abordado a situação há praticamente um ano. No dia 16 de setembro de 2020, o semanário trouxe o primeiro relato, com o título “Manancial São Luis está em situação crítica”. Novas matérias alertaram para situação, datadas setembro e outubro do mesmo ano.

Já em 2021, o jornal estampou a primeira página da edição de 16 de julho com foto do local já quase sem água.

Em fevereiro deste ano, Cassiola, na Entrevista da Semana, disse que havia risco de falta d’água em Bariri.

“O ano passado já faltou água em alguns bairros e não foi feito nenhum investimento para corrigir este problema. Pelo contrario, nos últimos anos perderam os dois melhores poços que tínhamos, o da Rua Sete e o que fica no antigo Tiro de Guerra”, comentou o superintendente. “Se juntarmos os baixos níveis de chuvas, a falta de investimento em novos poços e os dois poços que perdemos, prevemos um cenário crítico”, complementou ele seis meses atrás.

 

Plano contempla ações para aumentar oferta de água

 

O Saemba e a prefeitura pretendem colocar em prática plano de ação para garantir a oferta de água no município.

Cassiola diz que será criado comitê de crise com representantes da administração municipal, autarquia e dos Jardins Beltrame 2 e Ipês e imediações do Jardim dos Morros, todos bairros abastecidos pelo manancial.

Uma medida já tomada foi a abertura de licitação para perfuração de poço no Poço da Rua Sete de Setembro. A abertura das propostas está marcada para o dia 14 de setembro, com estimativa de custo de R$ 138 mil. O poço que havia ali entupiu e parou de fornecer água.

Um projeto mais ousado é a construção de poço profundo na Estação de Tratamento de Água (ETA). O valor é previsto em R$ 1,5 milhão, com recursos do Tesouro municipal. O cronograma estima que a entrega da obra ocorra em janeiro de 2022.

O poço do antigo Tiro de Guerra foi perdido em dezembro de 2020. A ideia é licitar a perfuração de novo poço no local, com investimento de R$ 50 mil e entrega da obra em outubro deste ano.

O Executivo estuda também a utilização de dois poços na área onde funcionou a empresa Globoaves. Após análise de viabilidade jurídica, seria firmado contrato temporário de cessão de uso até que o poço profundo planejado para a ETA estivesse em funcionamento.

Outras medidas em análise são o fornecimento de reservatório de água para pessoas carentes e a adoção de programa de desestímulo ao consumo.