Composição 1_1
Composição 1_1

Cássio Aguiar, um apaixonado pelo carnaval, encaminhou ao Candeia um texto contando um pouco das 12 escolas de samba do Rio de Janeiro. Confira:

Após dois anos sem carnaval, pois em 2021 e 2022 não pudemos aproveitá-lo, estamos próximos de voltar a vivênciá-lo. Este ano será de 18 a 21 desse mês, pois carnaval é fevereiro e basta.

 

O Umuarama Clube se prepara para o “Carnaval do Rei”, uma singela homenagem ao nosso Rei. Então a nossa amada folia está chegando.

Tem gente que não gosta, aí vai para praia, sítio, pescaria, montanhas, etc, mas nós que gostamos, queremos e muito cair na “gandaia” e com a missão de comentar um pouco dos enredos que serão “cantados” pelas 12 escolas de samba do Rio de Janeiro no Sambódromo. Vamos lá, então:

Imperatriz Leopoldinense detalha a saga, narrando com a literatura de cordel, do cangaceiro Lampião em busca de guarida no céu e no inferno depois da morte, vagueando no imaginário nordestino que nem Padim Ciço pode ajudar, por Leandro Vieira ex-Mangueira.

Salgueiro com “Delírios de um paraíso vermelho” lembrando que o paraíso é construído por cada pessoa, sem proibir o pecado, homenageia Joãozinho Trinta. Edson Pereira é o carnavalesco e valoriza a liberdade de expressão, navegando pelos pecados da humanidade.

Portela olha para o seu passado, pois é nesse plano que estão grandes nomes e baluartes da agremiação, Monarco, Paulo da Portela e outros que merecem ser lembrados no cortejo que irá celebrar os 100 da fundação e origem da Escola. “Ser Portela é tanto mais que nem cabe explicação”, esta parafraseando a minha Mangueira. Tema “O azul que vem do infinito”. O samba promete.

Império Serrano de volta ao Grupo Especial traz Arlindo Cruz no “Meu lugar” e irá percorrer por momentos e espaços que marcaram a carreira do cantor e compositor hoje ceifado numa cadeira de rodas. Alex de Souza, o carnavalesco, o homenageia correndo a geografia do samba, destacando Madureira e o subúrbio carioca.

Grande Rio a campeã do ano passado homenageia Zeca Pagodinho. O Enredo se baseia no samba de Jorge Aragão “Zeca, cadê você” e vai ser uma festa. Contará o modo de vida do cantor, suas crenças, carioca da gema, como dizem; bermuda, camiseta, chinelo de dedo e cerveja na mão, popular que é dos subúrbios do Rio de Janeiro. Paula Oliveira estará lá.

Mocidade Independente de Padre Miguel vai levar para o Sambódromo o legado dos artistas do Alto do Moura, discípulos do Mestre Vitalino, para falar do ato de criação artística dos escultores pertencentes ao Centro de Artes Figurativas das Américas de Caruaru PE.

Unidos da Tijuca do Jack Vasconcelos carnavalesco que exalta a Bahia de todos os Santos com muito axé na Avenida. Falará sobre os Tupinambás, caboclos, tal como os orixás e santos. “Sou Tijucano, rompendo quebrantos eu canto Bahia de todos os santos”. Um banho de axé prá purificar, uma banho de axé nas águas de Oxalá, ótimo samba. Alegria do carnaval baiano. Belo refrão.

Mangueira, minha Mangueira, fala “As Áfricas que a Bahia canta” e irá destacar o protagonismo feminino e musicalidade baiana com base nos cortejos afros. Mostra a luta contra a intolerância, racismo e pelo fortalecimento de identidade afro-brasileira. “O samba foi morar onde o Rio é mais baiano, Deusa do Ilê Aiye, negão, coroa de preto”. Mangueira destaca a negritude afro descendente, sempre Mangueira. Outro samba que vai pegar. Maravilhosa a Verde e Rosa, claro, né.

Paraíso do Tuiuti destaca o “Mogangueiro de cara preta” na chegada dos búfalos ao Brasil na Ilha de Marajó. Rosa Magalhães e Vitor Araujo, carnavalescos contam a história de Mestre Damasceno, cantador de carimbó e repentista, poeta, pescador e criador de búfalos-bumbá na cidade de Salvaterra-PA.

Vila Isabel quer festejar “Nessa festa eu levo fé” é o enredo e vai celebrar as festas religiosas do Brasil de uma só vez e a capacidade humana de ter fé naquilo que não vê. “O ano inteiro sou festeiro, sou feliz, sou herdeiro de Noel, Evoé”. Juninas, Carnaval, Caprichoso e Garantido, São Jorge protetor, Iemanjá, Círio e por aí vai levando fé seja qual for a religião. É a Vila.

Beija Flor quer exaltar a verdadeira Independência do Brasil transformando o desfile até num ato cívico. Lembrará o 2 de julho de 1823 ao som de batuques de caboclo cantando que até o sol é brasileiro e festejando os marcos populares em festas. “Oh abram alas ao cordão dos excluídos e vim cobrar igualdade”.

Viradouro cantará Rosa Egipicíaca, a primeira mulher negra a escrever um livro no Brasil. Escravizada, meretriz, beata, feiticeira, escritora, uma santa africana. Mostrará como diz o carnavalesco, a estrela Erika Januza, rainha de bateria que recitou o enredo da Rosa Maria Egipicíaca Courana de Vera Cruz.

“Tá aí, eu fíz tudo prá você gostar de mim. O Carnaval está chegando, e vamos lá. Verão, cervejas e tudo o mais, mas se beber não dirija, esse não vai ser o último, teremos muito mais. Viva, ressalta Cássio Aguiar.