
“Somos missionárias e desenvolvemos nosso trabalho dentro de uma instituição voltada ao cuidado dos idosos, que muitas vezes chegam carentes de tudo” (Alcir Zago/Candeia)
A presença das Irmãs Claretianas em Bariri é marcada por décadas de dedicação ao próximo, especialmente no cuidado com os idosos e no atendimento às pessoas em situação de vulnerabilidade. Ao longo de 73 anos de atuação no Lar Vicentino, mais de cem religiosas passaram pela instituição, contribuindo para uma história de acolhimento e serviço à comunidade. Na Entrevista da Semana, Irmã Marina Delphino Alvesfala sobre essa trajetória, o trabalho missionário, os laços construídos com a população e os desafios da congregação na continuidade de sua missão. O ciclo das Irmãs Claretianas no Lar Vicentino encerrou-se na terça-feira (3) com café da tarde na Prefeitura de Bariri e missa celebrada pelo bispo diocesano de Jaú, Dom Francisco Carlos da Silva.
Candeia – Estamos acompanhando neste momento uma homenagem promovida pelo poder público, em reconhecimento ao trabalho realizado por vocês no Lar Vicentino. Como a senhora e as demais irmãs receberam essa homenagem?
Irmã Marina – Para nossa surpresa, o senhor prefeito chegou hoje de manhã à nossa casa, sozinho, como um irmão, trazendo sua solidariedade e seu apoio. Ele nos convidou para tomar um café com ele. Imaginávamos que seriam umas cinco pessoas, mas encontramos uma sala cheia. Estamos todas emocionadas.
Candeia – Conte um pouco da história do trabalho de vocês em Bariri, não apenas no Lar Vicentino, mas também na Creche Madre Leônia. Qual foi a trajetória das Irmãs Claretianas no município?
Irmã Marina – No Lar Vicentino, como a superiora disse há pouco, estamos há 73 anos cuidando dos idosos, especialmente dos mais carentes. Ao longo desse período, mais de cem irmãs se sucederam nessa missão. Eu e minhas irmãs estamos aqui há oito anos. Hoje estamos finalizando nossa missão em Bariri. Tivemos uma ótima parceria com os vicentinos, pois sempre trabalhamos em conjunto, como terceirizadas. Somos missionárias e desenvolvemos nosso trabalho dentro de uma instituição voltada ao cuidado dos idosos, que muitas vezes chegam carentes de tudo. Nosso trabalho é permanente e diuturno, mas não temos folgas. Durante a noite, se precisam de nós, estamos ali. Também não temos finais de semana ou feriados prolongados, como muitas pessoas gostam de aproveitar. Mesmo assim, somos muito felizes por estarmos junto dos idosos.
Candeia – Agora que vocês estão encerrando essa missão em Bariri, quais serão os próximos passos?
Irmã Marina – Ao sairmos de Bariri, passaremos alguns dias de descanso em nossa casa regional, em Guarulhos. Depois, as irmãs terão suas merecidas férias e, a partir de janeiro, receberemos uma nova missão. Quero agradecer aos meus familiares, tanto à família Delphito quanto à família Freitas e Zago, por quem tenho muito carinho. Mesmo não conseguindo estar tão presente quanto gostaria, por falta de tempo, quero dizer a todas as minhas primas e primos de Bariri que eu os amo. Também quero destacar que o povo de Bariri é solidário, amigo e tem caridade. Quando pedimos alguma coisa ou precisamos de ajuda, basta publicarmos no Facebook e, três ou quatro dias depois, estamos com a despensa cheia. Agradeço muito aos meus conterrâneos, irmãos e irmãs baririenses que estão nos ouvindo.
Candeia – Como a senhora avalia o processo de renovação das Irmãs Claretianas? Existe uma preocupação com a continuidade dessa missão diante da diminuição do número de religiosas?
Irmã Marina – Na realidade, nós não estamos participando diretamente desse processo de renovação. Já faz algum tempo que não estamos envolvidas nessa parte. Estamos acompanhando também o início dos trabalhos da nova diretoria, que está tendo suas primeiras experiências. Alguns integrantes nunca haviam participado de uma diretoria, então também estão enfrentando dificuldades nesse começo.
Candeia – E em relação à renovação da missão como um todo? Há interesse das adolescentes e das jovens de hoje em seguir a vida religiosa e se tornar irmãs?
Irmã Marina – Temos poucas vocações, porém são pessoas que já ingressam com formação acadêmica e convictas daquilo que querem. Hoje, nossa missão é a missão em saída: ir ao encontro dos mais pobres. Atualmente, estamos abrindo uma nova missão na Bolívia, em um lugar muito pobre, isolado de tudo e de todos, em uma aldeia.
Candeia – Muitas vezes, a presença das irmãs representa praticamente todo o apoio disponível para comunidades espalhadas pelo mundo…
Irmã Marina – Em alguns lugares, realizamos trabalhos que seriam de um padre, de um delegado, de um assistente social, de uma psicóloga ou até de um médico. Somos irmãs para todos e em tudo.





















