
Escola Ephigênia, onde candidata realizou a prova: candidata alega que foi obrigada a informar as respostas em voz alta na sala coletiva (Divulgação)
Uma candidata com deficiência visual denunciou constrangimento e falta de acessibilidade durante concurso público para a área da educação, realizado em 11 de outubro, na Escola Estadual Professora Ephigênia Cardoso Machado Fortunato, em Bariri.
Diagnosticada com cegueira monocular (CID H54.4), ela havia obtido autorização para atendimento especial, incluindo prova ampliada, tempo adicional, participação nas vagas reservadas a pessoas com deficiência (PCD) e disponibilização de fiscal transcritor.
Segundo a participante, ao preencher o cartão-resposta, solicitou uma sala reservada para ditar as alternativas ao fiscal, preservando sua privacidade e evitando atrapalhar os demais candidatos. O pedido teria sido negado, obrigando-a a informar as respostas em voz alta na sala coletiva.
O episódio teria ocorrido nas duas provas realizadas no mesmo dia: pela manhã, para Professor de Educação Especial, e à tarde, para Professor de Educação Infantil.
Boletim de ocorrência
O advogado Fernando Romero, que representa a candidata, classificou a situação como vexatória e destacou que o problema se repetiu nas duas avaliações. Para ele, o episódio evidencia falhas na garantia de acessibilidade e na preparação das bancas organizadoras.
A candidata registrou boletim de ocorrência na Delegacia de Polícia de Bariri e solicitou a preservação das imagens das câmeras de segurança das salas 4 e 5 da escola.
O material poderá ser utilizado na apuração dos fatos e de eventuais responsabilidades civis, administrativas e penais das entidades envolvidas.
“A situação vexatória dobrou de proporção por ter ocorrido em dose dupla no mesmo dia — primeiro no período da manhã e, depois, repetindo-se à tarde”, afirmou o advogado Fernando Romero.
O defensor reforçou ainda que a acessibilidade em certames públicos não deve existir apenas no papel.
“O caso reacende o debate sobre a efetiva inclusão e o respeito à dignidade de candidatos com deficiência em concursos públicos, evidenciando a burocracia de adaptações e treinamento prático por parte das bancas organizadoras”, declarou Romero.





















