
Ser mãe nunca foi uma tarefa simples — e, nos dias atuais, os desafios parecem ainda mais complexos diante das múltiplas demandas da vida moderna. Conciliar carreira, educação dos filhos, rotina doméstica e, ao mesmo tempo, manter o equilíbrio emocional é uma realidade compartilhada por muitas mulheres. Ainda assim, é nesse cotidiano intenso que também florescem momentos únicos de afeto, aprendizado e realização. Para retratar essa vivência sob diferentes perspectivas, o Candeia ouviu seis mulheres com diferentes tipos de atuação no município. A cirurgiã-dentista Aliny Carolina Colabelo Luizzi Ticianeli, mãe de um menino de 6 anos; a psicóloga Ana Cláudia Moço Martins, mãe de gêmeos de 6 anos; a fonoaudióloga Daniela Aparecida Borges, mãe de uma menina de 7 anos; Gabriela Prado Rodrigues, terapeuta ocupacional e atualmente diretora geral da LAV, mãe de dois filhos de 7 e 5 anos; a professora e primeira-dama Rita Pegoraro, mãe de três filhos — dois homens de 31 e 28 anos e uma mulher de 22 anos; e a empresária Vanessa Couto Ruiz, mãe de dois filhos de 19 e 16 anos. Nos relatos, elas compartilham os desafios, as transformações e as alegrias de ser mãe nos dias de hoje, revelando que, apesar das dificuldades, a maternidade segue sendo uma das experiências mais marcantes e significativas da vida.
Candeia – Quais os desafios e alegrias de ser mãe nos dias de hoje?
Aliny – Um dos maiores desafios que eu sinto nos dias de hoje em ser mãe é a sobrecarga gerada em ter de conciliar carreira, cuidados com a casa e a maternidade e, além disso, existe o dever da proteção das crianças contra os perigos da internet e gerenciar de forma adequada o tempo de exposição dos filhos com as telas de celular, TV e videogame. E as alegrias são infinitas, celebrar cada conquista que conseguimos realizar com eles, os sorrisos que enchem o nosso dia de felicidade, o companheirismo e a força que nasce em cada mãe; é inexplicável.
Ana Cláudia – Ser mãe nos dias de hoje é viver entre desafios intensos e alegrias profundas. A maternidade exige presença, escuta e adaptação constante em um mundo tão acelerado. A maternidade é feita de tempo — e cada tempo tem seu valor, seu aprendizado e sua beleza. Como na canção “É Tempo de Amar”, de Eugênio Jorge, existe um tempo para cada coisa: para sorrir, para chorar, para cair e recomeçar. E é justamente nessa alternância que a maternidade se constrói de forma real, sem perfeição, mas com muito significado. No meio da rotina, do cansaço, existem aqueles momentos que param o tempo: um abraço apertado, um “eu te amo” inesperado, um olhar cheio de confiança. São esses momentos que aquecem a alma, o coração e dão sentido a tudo. Ser mãe é entender que haverá dias difíceis, mas também confiar que eles não definem toda a caminhada. É um processo contínuo de doação, crescimento, paciência e, acima de tudo, de muito amor.
Daniela – A parte mais encantadora de ser mãe é acompanhar de perto o crescimento de alguém que já tem opiniões, personalidade e uma forma única de enxergar o mundo. As alegrias estão nos abraços inesperados, nas conversas cheias de imaginação, nas pequenas e grandes conquistas e em perceber, aos poucos, a construção da autonomia e da sensibilidade própria dela. Ao mesmo tempo, ser mãe hoje também exige equilíbrio diante da correria da rotina, das preocupações com educação, limites, telas, de estar criando alguém pra um mundo que nem eu mesma conheço ainda e da vontade constante de oferecer o melhor emocionalmente. Meu maior desejo é que minha filha desenvolva força interior e sinta conforto em ser quem ela desejar ser. A maternidade é cansativa em alguns momentos, mas profundamente transformadora e cheia de amor.
Gabriela – Ser mãe nos dias de hoje é viver entre desafios imensos e um amor impossível de explicar. Conciliar trabalho, casa, maternidade e tantas responsabilidades sem uma rede de apoio sólida exige força diária. E junto disso existe também a culpa constante por trabalhar tanto, pelas ausências inevitáveis e pela sensação de nunca conseguir dar conta de tudo como gostaríamos. Mas também existe a esperança de que, no futuro, meus filhos compreendam que cada esforço sempre foi por amor e propósito. Conto muito com a escola, que de forma sensível tem sido parceira no desenvolvimento e cuidado deles. Também me atravessa profundamente educar meninos em uma sociedade ainda marcada pelo machismo e por tantas histórias de violência contra mulheres. Meu maior desejo é formar homens que respeitem, valorizem e saibam cuidar das mulheres e das relações. As alegrias aparecem nos abraços apertados, nos carinhos espontâneos, nas “pérolas” que dizem e na forma única como enxergam o mundo. Olho para eles apaixonada e muitas vezes me pergunto: “como podem ter saído de mim?”. Os passeios em família, as brincadeiras e os pequenos momentos juntos mudaram completamente minhas prioridades. A maternidade me ensinou sobre o amor genuíno, aquele que faz a gente deixar de ser o centro para investir emocionalmente, fisicamente e financeiramente em outro ser humano. É um amor que chega a doer, porque transforma profundamente. Meus filhos mudaram minha forma de existir e também minha carreira. Hoje, trabalhando com crianças em situação de vulnerabilidade, luto diariamente para que elas tenham o mínimo para existir com dignidade. E acredito que, ao me verem lutar pelo que acredito, meus filhos aprendam a ter um olhar mais sensível para o que realmente importa na vida.
Rita – Ser mãe é aprender que o tempo não leva — ele transforma e, ao longo da vida, encontrar novos lugares dentro do mesmo amor. Antes, o colo era abrigo constante; hoje, é presença que acompanha mesmo à distância. É ver os filhos crescerem como um jardim que floresce, cada um ao seu modo, no seu ritmo, sob os mesmos cuidados de amor. Meus filhos: Guilherme, aos 31, advogado; João Vitor, aos 28, administrador; e Ana Clara, aos 22, cultivando sonhos na faculdade, são frutos de uma história construída com presença e entrega, marcada por valores que permaneceram. Os desafios já não são noites sem dormir, são a arte de confiar, orientar quando preciso e silenciar quando o coração entende. As alegrias florescem no orgulho sereno, no olhar que reconhece o caminho trilhado e tudo o que foi semeado ao longo dos anos. A fé em Deus sustenta cada passo, traz paz nas incertezas e gratidão nas conquistas, fortalecendo o coração de mãe para seguir confiando. E a vida, generosa, se renova em novas formas de amor, os netos: Maria Luiza chegou como doce lembrança da infância que retorna, e João, ainda a caminho, anuncia novos começos. Ser mãe é isso: viver muitas fases dentro de um único amor, ver o tempo passar sem perder o vínculo e descobrir que ele apenas cresce. Ser mãe, então, é contemplar, agradecer e se emocionar. É ver o amor atravessar gerações e, guiado por Deus, permanecer eterno.
Vanessa – Ser mãe nos dias de hoje é viver um dos papéis mais bonitos, mas também mais exigentes da vida. Existe um romantismo em volta da maternidade, porém a realidade é feita de preocupação, renúncia, medo de errar e uma responsabilidade que nunca descansa. Mãe continua mesmo quando está cansada, insegura ou precisando de colo. Ao mesmo tempo, vivemos uma época em que educar exige coragem. Não basta cuidar, é preciso orientar, impor limites, ensinar valores e preparar os filhos para uma humanidade que muda rápido demais. E isso, muitas vezes, significa sustentar princípios dentro de casa, mesmo quando o mais fácil seria simplesmente acompanhar o fluxo. Apesar dos desafios, existe uma alegria profunda em ver um filho crescer com caráter, fé, respeito e humanidade. Ser mãe é entender que amor não é só proteção, carinho e amor, é também firmeza, exemplo e presença diária. E acredito que Deus dá força justamente para isso: para que mães imperfeitas continuem cumprindo, todos os dias, uma missão tão importante. Ser mãe é dom de Deus.
























