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André Rodrigues, professor do Centro de Estudos de Insetos Sociais da Unesp de Rio Claro: estudo pode auxiliar no tratamento de doenças fúngicas – Divulgação

Alcir Zago

O projeto “Avaliação da função protetora de bactérias simbióticas associadas ao besouro Lagria villosa”, em andamento desde 2014, contempla alguns locais da região para coleta do inseto.

O trabalho é coordenado pelo professor André Rodrigues, do Centro de Estudos de Insetos Sociais do campus de Rio Claro da Universidade Estadual Paulista (Unesp).

Segundo ele, o objetivo é estudar como bactérias podem auxiliar insetos a se defenderem de ameaças, por exemplo, de fungos que destroem as crias (ovos e larvas).

“Para o estudo estamos utilizando como modelo de trabalho o besouro Lagria villosa, uma espécie introduzida no país (é uma espécie exótica) e considerada praga em lavouras, principalmente da soja”, explica o professor.

“Detectamos que os besouros adultos apresentam uma bactéria que é transmitida para os ovos, no momento que os besouros fêmeas estão colocando ovos. Nosso estudo indica que não somente a bactéria está presente nos ovos, mas também substâncias com atividade antifúngica, produzidas pela bactéria, estão na superfície do ovo.”

Rodrigues conta que a verificação inicial não fazia sentido, mas ganhou importância quando os pesquisadores perceberam que a morte dos ovos é ocasionada por ataque de um fungo.

O besouro coloca os ovos no solo das lavouras e nele há um fungo que pode crescer nos ovos e os matam. Sem a bactéria (e suas substâncias), o besouro teria poucas chances de sobrevivência.

“A importância desse estudo é compreender como funciona essa relação bactéria-besouro-fungo, para depois procurar quais pontos dessa associação podem ser explorados para atuar no controle desse besouro ou mesmo para verificar se há alguma substância útil para o homem, por exemplo, para tratamento de doenças fúngicas”, comenta o pesquisador.

 

Locais

 

O projeto tem a chancela do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações, por meio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico.

É feito em parceria com a universidade alemã Johannes Gutemberg University Mainz. Representam a instituição de educação do país europeu os pesquisadores Martin Kaltenpoth, Rebekka Susanne Janke, Laura Flórez e Ramya Ganesan.

Conforme portaria assinada pelo ministério, as atividades de coleta dos besouros foram autorizadas para algumas localidades em Ponta Grossa (Paraná) e também no interior de São Paulo: São Carlos, Santa Lúcia, Itirapina, Brotas, Pirassununga, Rio Claro, Bariri, Itaju, Itapuí, Jaú, Pederneiras e Boraceia.

Devido à pandemia do novo coronavírus, o trabalho de coleta dos insetos foi paralisado. O professor André Rodrigues pretende retomar a atividade quando a vacina contra a doença estiver disponível a ele e aos alunos.

“A melhor época de coleta é de janeiro a maio e não acredito que a vacina estará disponível para meus estudantes e para mim devido até final de maio, segundo o cronograma de prioridades da vacina. É mais provável que a coleta fique para o próximo ano”, diz o professor.