Reunião na Santa Casa de Bariri contou com a presença de membros da comissão interventora, vereadores e conselheiros tutelares: falha seria da negativa de Jaú em receber gestante – Alcir Zago/Candeia
Alcir Zago
O médico Jésus Fernandes da Costa Junior, um dos responsáveis pela gestão da Santa Casa de Bariri, afirma que o hospital tomou todas as providências necessárias para que gestante de 19 anos tivesse o atendimento correto.
Ele tratou do assunto em reunião promovida na tarde de sexta-feira, dia 22, com membros da comissão interventora, vereadores e conselheiros tutelares. O médico diz que o maior problema no óbito da criança foi a demora do hospital jauense em receber a gestante. A Santa Casa de Jaú alega que não havia vagas em UTI Neonatal e que faltou avaliação de obstetra para a paciente que procurou o pronto-socorro (PS) de Bariri (leia box).
Na edição passada, dia 23, o Candeia publicou matéria sobre jovem que procurou a Santa Casa de Bariri. Como o bebê morreu no trajeto entre Bariri e Jaú, ela registrou boletim de ocorrência na Central de Polícia Judiciária (CPJ) de Jaú.
Segundo Costa Junior, nem todas as informações dadas pela mulher em boletim de ocorrência são verdadeiras.
Diz que não foi encontrada ficha de atendimento de que ela teria sido atendida por volta das 15h de quarta-feira, dia 20. Também não seria verdadeiro o comentário de que ela saiu de Bariri para ser transferida a Jaú com metade do corpo do bebê para fora de sua vagina. Outro ponto abordado pelo gestor é que o ginecologista de plantão em nenhum momento teria se negado em dar atendimento.
Negativas
A mulher chegou ao pronto-socorro (PS) por volta das 23h30 de quarta-feira, dia 20. Como estava entrando em trabalho de parto e se tratava de um caso de parto prematuro (35 semanas de gestação), 10 minutos depois da chegada dela houve pedido de transferência via Central de Vagas. O hospital baririense menciona que não poderia realizar o parto porque não dispõe de UTI Neonatal.
De acordo com o médico, a Santa Casa de Jaú teria feito duas negativas para a transferência da gestante. A unidade de Bariri insistiu na vaga, relatando que era caso urgente.
Até esse momento, segundo Costa Junior, a jovem não havia apresentado dilatação. Por volta das 2h da quinta-feira, dia 21, houve contato com ginecologista de plantão, Luis Eduardo Rodrigues de Almeida. O médico teria relatado que o caso deveria ser encaminhado a Jaú.
Como não havia vaga disponível, com o tempo a paciente começou a ter dilatação. Novamente houve contato com o ginecologista. O assessor da intervenção conta que assim que o médico avisou que estava vindo para Bariri, a Santa Casa de Jaú liberou a vaga à mulher.
Durante a transferência a Jaú o bebê começou a nascer, mas acabou morrendo. Para Costa Junior, o maior problema nesse caso foi a Santa Casa de Jaú ter se recusado em receber a paciente antes. A referência regional para casos graves é o hospital da cidade vizinha. Afirma que o parto não poderia ser feito em Bariri porque era um caso prematuro.
Além disso, diz que o bebê estava sentado (posição pélvica) e que nestes casos mesmo os obstetras mais experientes resolvem fazer a cesariana para que não haja complicações ao bebê.
A direção da Santa Casa registrou boletim de ocorrência na sexta-feira, dia 22, na Delegacia de Bariri e acionou o Conselho Regional de Medicina (CRM) para que apure as condutas das santas casas de Bariri e de Jaú e da Central de Vagas.
Santa Casa de Jaú se posiciona
Na manhã de terça-feira, dia 26, o diretor clínico da Santa Casa de Jaú, Silvio Alonso, conversou com a reportagem do Candeia.
Segundo ele, o hospital é referência na região para casos de alta complexidade. Além disso, a Santa Casa de Jaú conta com o Ambulatório de Gestação de Alto Risco (Gestar).
Especificamente sobre o caso da jovem baririense, Alonso relata que por se tratar de um parto prematuro o correto era a transferência para centro especializado.
No entanto, a Santa Casa de Jaú não dispunha de vagas na UTI Neonatal naquele momento. Conta que o próprio hospital de Jaú precisou encaminhar pacientes para unidades de saúde de Bauru e de Lins por causa da falta de vagas de alta complexidade para partos.
O diretor clínico reclama também que a paciente deveria ter sido examinada por obstetra, o que não ocorreu em Bariri. Conforme a situação da gestante, não poderia ter sido colocada numa ambulância e ser transferida para Jaú.
Afirma que assim que a mulher chegou à cidade vizinha, o obstetra de plantão realizou o parto em um minuto. O problema é que a criança estava morta.
O médico comenta ainda que rotineiramente a Santa Casa de Bariri tem encaminhado pacientes para terem filhos em Jaú, mesmo casos simples. A alegação é a falta de médicos obstetras ou pediatras para plantões à distância.
Em sua opinião, cada hospital deve cumprir suas pactuações junto ao Sistema Único de Saúde (SUS). Como Bariri dispõe de maternidade, os partos mais simples devem ser realizados no hospital da cidade.
Alonso finaliza dizendo que a Santa Casa de Jaú em nenhum momento deixa de realizar procedimentos de alta complexidade sob a justificativa de que faltam médicos. Garante que todos que procuram o hospital são bem atendidos.
Conselho de Saúde trata do assunto
A morte do bebê no trajeto entre Bariri e Jaú foi o principal assunto da reunião de segunda-feira, dia 25, do Conselho Municipal de Saúde.
O presidente, Rodrigo Felício Zanuto de Oliveira, afirma que cabe uma investigação criminal sobre quem cometeu o erro. O conselho irá aguardar essa apuração para tomar um posicionamento.
Além disso, pretende verificar como estão sendo feitos na prática os plantões à distância.
Oliveira mencionou na reunião que a Santa Casa de Bariri informou que no fim de semana passado as duas pediatras não poderiam estão disponíveis para atendimentos especializados.
Por essa razão, o hospital decidiu dispensar ginecologista de plantão e avisar a Central de Vagas sobre o caso.
Por conta da falta de médicos, a Santa Casa de Bariri precisou encaminhar três mulheres gestantes a Jaú no fim de semana.
Diretor clínico da Santa Casa de Jaú, Silvio Alonso: hospital não tinha vagas na UTI Neonatal e gestante não foi avaliada por obstetra – Divulgação
Conselho Municipal de Saúde trata da morte do bebê em sua reunião: investigação criminal
Alcir Zago/Candeia


























