posto-santa-lucia-novo-2017
pró_sp3-01

Silvia Ferreira Lopes, supervisora de enfermagem: “a pessoa chegava de manhã e à tarde já piorava e ia para a unidade intermediária” – Alcir Zago/Jornal Candeia

Natália Cardoso, enfermeira: “no começo, era tudo muito incerto e novo” – Alcir Zago/Jornal Candeia

Alcir Zago

Há quase dois anos o mundo todo convive com um vírus que se espalha rapidamente, deixando milhares de mortos e grande contingente de pessoas com sequelas.

Em relação a Bariri, até o fechamento desta edição 123 moradores da cidade vieram a óbito em decorrência do novo coronavírus. Muita gente que reside da Milionária do Vale recuperou-se do vírus e uma parte até hoje luta contra os terríveis efeitos provocados pela Covid-19 no corpo e na mente.

Para muitas pessoas esse período foi de resguardo e distanciamento físico. No entanto, um grupo de trabalhadores tem lutado diariamente no enfrentamento do vírus e para que as pessoas contaminadas tenham o melhor atendimento possível: são os profissionais da saúde.

No fim da tarde de terça-feira (11), a reportagem do Candeia esteve na Santa Casa de Bariri para conversar com duas dessas profissionais: a supervisora de enfermagem Silvia R. M. Ferreira Lopes, 45 anos, e a enfermeira Natália Cardoso, 31 anos.

Desde o início da pandemia do novo coronavírus elas trabalham no hospital, responsável pelo atendimento de moradores de Bariri, Boraceia e Itaju.

Contam que o pior momento ocorreu em março de 2021, com muitos casos graves e mortes. Os profissionais (médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem etc.) buscavam dar o melhor atendimento possível, mas nem sempre o paciente evoluía bem. “A pessoa chegava de manhã e à tarde já piorava e ia para a unidade intermediária”, lembra Silvia.

“No começo, era tudo muito incerto e novo”, completa Natália. “Sem vacina, sem medicamentos eficazes, muitas vezes nos sentimos impotentes.”

Até pelo porte da cidade, quem atuava e atua na linha de frente de repente perdia um parente ou amigo pelas complicações causadas pelo vírus. Um efeito ainda mais desolador para quem tem como formação salvar vidas.

Como outros trabalhadores, os profissionais da saúde também adoecem. No dia da “visita” do Candeia três enfermeiras estavam afastados do trabalho por causa da Covid-19.

De acordo com Silvia, a supervisão de enfermagem se empenha no remanejamento dos profissionais, para manter o atendimento sem que haja prejuízos aos pacientes, sendo necessário mobilizar os profissionais a cobrir outros plantões, quando estes se encontram em déficit para cobrir as ausências.

Essas intempéries acabam fazendo com que familiares e amigos fiquem privados do contato do trabalhador no dia a dia. “Estamos trabalhando hoje e já pensando no plantão de amanhã”, relata Silvia.

As duas profissionais reconhecem a importância da vacinação para diminuição dos casos e óbitos da Covid-19. Estão sempre defendendo a imunização e adoção de medidas sanitárias, cobrando o uso de máscara (há quem vá até o hospital sem a proteção), lavagem das mãos e distanciamento físico.

 

Atendimentos aumentam 85% no pronto-socorro

 

Assim como o País em geral, Bariri está enfrentando nova batalha: aumento de casos de Covid-19 pela variante ômicron e síndrome gripal.

E essa alta ligada aos dois tipos de vírus (Covid e H3N2) está batendo na porta do pronto-socorro. Entre os dias 5 e 7 de dezembro de 2021 passaram pela unidade 527 pessoas. De 5 a 7 de janeiro o montante subiu para 975, crescimento de 85%.

A direção da Santa Casa e a Diretoria Municipal de Saúde decidiram disponibilizar três médicos no pronto-socorro. Todas as pessoas com febre, coriza, tosse e outros sintomas devem procurar a unidade de urgência como porta de entrada.

A supervisora de enfermagem Silvia R. M. Ferreira Lopes e a enfermeira Natália Cardoso contam que todos se desdobram para dar o melhor atendimento possível.

Assim que o paciente chega, é feita a ficha de atendimento e em seguida a triagem, que possibilita classificar o atendimento, sendo os casos emergenciais e de urgência, prioritários no momento do atendimento médico de acordo com a gravidade. Os demais precisam ter paciência, porque houve aumento considerável na procura pelo pronto-socorro. Lembrando: aumento de 85%.

Quem tem suspeita de Covid-19 é encaminhado ao Centro de Saúde, conforme encaminhamento médico para testagem e também recebe receita com medicamentos necessários para continuidade do tratamento.

A direção do hospital disponibiliza sala no pronto-socorro para hidratação, aplicação de alguns medicamentos, oxigênio, entre outros procedimentos.

Se houver necessidade, o paciente é internado em leitos comuns ou na unidade intermediária. Natália conta que tem observado aumento considerável de crianças no pronto-socorro. O jornal ouviu de um médico que a maioria dos casos é relacionada à síndrome gripal.

As duas profissionais não têm respostas para o que virá nos próximos dias, nas próximas semanas. Pedem que as pessoas tomem as vacinas, dentro do calendário estabelecido, e que adotem as medidas sanitárias necessárias, cuidando de si e das pessoas próximas.