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Infectologista do HAC Priscila Paulin: “terrenos baldios, materiais descartados incorretamente, como garrafas plásticas, latinhas e pneus são alguns dos cenários propícios para a procriação do mosquito” – Assessoria de Imprensa do Hospital Amaral Carvalho

Em todo o ano de 2020 a Vigilância Epidemiológica de Bariri registrou 155 casos confirmados de dengue no município.

Além disso, o setor contabilizou 182 notificações de picadas de escorpião no mesmo período. No mês passado houve 21 comunicados. Em cada um deles é preciso fazer busca ativa no imóvel e no entorno como medida preventiva.

Também houve no ano passado 11 notificações de outros animais peçonhentos, em especial abelhas e aranhas.

Segundo a responsável pela vigilância, Vanessa Navarro, em relação à dengue, foram 100 casos pelo Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), pelo SUS, e 55 particulares. Trinta e oito exames feitos pelo SUS tiveram resultado negativo.

Para que haja confirmação da doença é preciso que a análise seja feita pelo Instituto Adolfo Lutz.

Vanessa diz que os casos de dengue se encontraram mais na região central de Bariri. Também houve pessoas que contraíram a doença no Jardim Yang, Vila Americana, Jardins Nova Bariri, Paulista e Industrial.

Em locais com possíveis criadouros a equipe da Vigilância Epidemiológica fez entrada forçada em imóveis abandonados.

Entre junho e julho de 2020, período em que haviam sido contabilizados 120 casos de dengue em Bariri, a Vigilância Epidemiológica aplicou fumacê em bairros do município. Outras ações foram o mutirão de limpeza (setembro e outubro) e a dedetização e desratização nos bueiros e nos prédios públicos

 

Criadouros

 

Dengue, zika e chikungunya. Doenças infecciosas com sintomas diferentes, mas que têm algo em comum: são transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti.

De acordo com a infectologista do Hospital Amaral Carvalho (HAC) Priscila Paulin, com a chegada do verão, aumenta a circulação e proliferação do inseto, e por isso, é importante reforçar alguns cuidados.

A maioria das pessoas já ouviu falar sobre a medida mais eficiente, que é ficar atento a qualquer lugar que possa acumular água. “Terrenos baldios, materiais descartados incorretamente, como garrafas plásticas, latinhas e pneus são alguns dos cenários propícios para a procriação do mosquito, por isso merecem atenção”, comenta.

Sobre a existência de criadouros do mosquito, a médica acredita que falta consciência de coletivo. “Ser cidadão é entender que pertencemos a um todo, ou seja, temos que pensar bem em nossas atitudes, pois podem ter consequências até mesmo para as gerações futuras”, diz.

As doenças relacionadas ao Aedes aegypti, segundo a profissional, são conhecidas também como doenças negligenciadas. “Esse termo é utilizado, pois, de forma geral, existe um desinteresse em investimentos e estudos para combatê-las”.

Ela ressalta que o Brasil é um país tropical, em sua maioria com clima quente e úmido, propenso à multiplicação de insetos vetores (que transmitem diversas infecções virais). “Também somos classificados como um país em desenvolvimento, ainda com muita desigualdade social, vários municípios sem saneamento básico, como tratamento de esgoto, coleta adequada de lixo ou limpeza de espaços públicos como praças”, lamenta.

As doenças infecciosas podem causar sintomas e complicações bem distintas, mas é sempre recomendado à pessoa com qualquer infecção permanecer em repouso, ingerir líquido mais frequentemente (quando não há contraindicação), ter uma alimentação saudável e, especialmente, nunca se automedicar.

“A principal complicação da dengue, por exemplo, é a hemorragia. Logo, o paciente não deve tomar medicamentos que possam aumentar as chances de sangramentos, como os AAS, componente de alguns multigripais comuns vendidos nas farmácias sem necessidade de receita”, orienta a infectologista.

 

Saiba mais

 

Procure atendimento médico se notar algum sintoma:

 

Dengue

Febre alta, fadiga, mal-estar, perda de apetite, erupções na pele e dores musculares ou nas articulações, náuseas e vômitos. As pessoas também podem ter dores atrás dos olhos, nas costas, abdômen ou nos ossos.

Em casos graves, de dengue hemorrágica, dores abdominais fortes, sangramento pelo nariz, boca ou gengivas, sonolência, sede excessiva (sinal de desidratação), frequência cardíaca elevada, dificuldade para respirar.

 

Zika

Vermelhidão em todo o corpo com muita coceira depois de alguns dias, febre baixa (muitas vezes nem percebida), conjuntivite (olhos vermelhos sem secreção), mialgia e dor de cabeça, dores nas juntas.

 

Chikungunya

Febre, dores intensas nas juntas (em geral, bilaterais – nos dois joelhos, nos dois pulsos, etc), pele e olhos avermelhados, dor de cabeça e dores pelo corpo, náuseas e vômitos.

 

Fonte Ministério da Saúde