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Leandro Gonzalez pediu que prefeitura apure possíveis irregularidades no hospital – Reprodução/Youtube

Dois vereadores utilizaram a Palavra Livre na sessão ordinária realizada na segunda-feira (5) para criticar a atual gestão da Santa Casa de Bariri.

Alguns questionamentos começaram a ocorrer nos últimos dias (inclusive em grupos de WhatsApp) após o médico Jurandir Cataldo ter deixado de prestar serviço no hospital, fato ocorrido no dia 1º de abril.

O primeiro a se posicionar foi Francisco Leandro Gonzalez (Podemos). Segundo ele, há situações ocorrendo no hospital que causam estranheza, como reclamações no atendimento e desligamento de médicos residentes no município que prestavam serviço na unidade. Em sua avaliação, médicos de fora estariam barrando a atuação de profissionais da cidade.

Gonzalez chegou a mencionar suposto caixa 2 na Santa Casa, mas sem dar detalhes da eventual irregularidade. Para o vereador, a atual administração municipal deveria estudar o fim da intervenção. De acordo com ele, o modelo de gestão (iniciado em setembro de 2018, via intervenção) permite a ausência de licitação para compra de insumos.

“É preciso que prefeitura apure essas questões porque foi prometido muito em campanha que se daria uma solução para a intervenção”, relatou Gonzalez e sinalizou que a prefeitura deveria encaminhar elementos aos vereadores para que o caso seja encaminhado ao Ministério Público (MP).

Quem também falou a respeito do assunto foi Ricardo Prearo (PDT), que endossou as palavras do colega que o antecedeu na Palavra Livre. “São tristes e lamentáveis as informações que estão chegando em relação à Santa Casa”, disse.

Para ele, possíveis falhas na gestão podem até mesmo não serem do conhecimento do gestor geral, Mozart Marciano, a quem o vereador mencionou saber do empenho e idoneidade.

Assim como Gonzalez, Prearo relatou na sessão que os médicos residentes em Bariri estariam sendo preteridos em relação a profissionais de fora. Segundo o vereador, está na hora de o governo municipal fazer as mudanças propostas em campanha, como, por exemplo, dar fim à intervenção.

 

Outro lado

 

Ao Candeia, o gestor geral da Santa Casa, Mozart Marciano, informou que entrou em contato com a comissão de acompanhamento para assuntos da Santa Casa da Câmara Municipal.

“Coloquei-me à inteira disposição para sanar qualquer dúvida que possa existir em relação a esse assunto, disponibilizando qualquer documento que eles possam vir a requisitar, como também qualquer tipo de investigação in loco”, disse.

No início do ano cinco vereadores passaram a integrar a Comissão de Assuntos Relevantes (CAR) para acompanhar a gestão da Santa Casa de Bariri. O grupo foi criado após encaminhamento de projeto pelo vereador Edcarlos Pereira dos Santos (PSDB).

Além do tucano, que é presidente da comissão, o colegiado é formado pelos vereadores Paulo Egídio Grigolin (PP), Airton Luís Pegoraro (MDB), Gonzalez e Myrella Soares da Silva (DEM).

 

Gestor técnico diz que foco é atendimento presencial

Patrício do Nascimento, gestor técnico da Santa Casa: objetivo é resgatar a credibilidade do hospital – Giovana Felipe/Candeia

O gestor técnico da Santa Casa de Bariri, o médico Patrício do Nascimento, diz que o maior objetivo é que haja médicos presenciais o maior tempo possível no hospital.

Em entrevista ao Candeia, ele comentou que dois fatores pesaram: os questionamentos do Ministério Público (MP) quanto à compatibilidade de horário dos médicos com outros locais onde prestam serviço; e a mudança defendida pelo governo municipal para melhoria do atendimento (a entrevista completa está na página do Facebook do jornal).

Nascimento trabalhou por 23 anos em São Paulo e em cidades próximas. Numa das atividades, atuou como socorrista em projeto denominado “Anjos do Asfalto”, na Rodovia Régis Bittencourt, que liga São Paulo a Curitiba, conhecida no passado como a rodovia da morte.

Ele veio a Bariri a convite de um colega médico com o objetivo de promover mudanças no atendimento da Santa Casa, resgatando a credibilidade do hospital.

Sobre os fatos ocorridos nesta semana, inclusive nas redes sociais, disse estar constrangido em dar entrevista por indagações que estão acontecendo. “Antes de julgar, é preciso saber quem é a pessoa”, relatou ao jornal.

Em relação aos médicos que supostamente deixaram de atender no hospital, diz que Adriana Stela Barbosa Fontes, Jésus Fernandes da Costa Junior e Marco Antonio Gallo continuam a trabalhar na unidade. A mudança é que eles atuam conforme a disponibilidade de horário.

Sobre o enfrentamento da pandemia do novo coronavírus, o médico conta que houve mudanças internas para o atendimento a todos, com oferta de mais leitos, oxigênio medicinal, compra de mais medicamentos e insumos etc.

Na terça-feira (6) houve reunião com médicos de Bariri e de cidades vizinhas para definir protocolo de atendimento único no tratamento inicial da Covid-19 (até o quinto dia de contaminação, quando os sintomas são leves); o mesmo do município de Porto Feliz, onde Nascimento atuou.

Conforme consulta feita pelo jornal, o Protocolo de Tratamento Precoce (PTP) de Porto Feliz inclui medicamentos como hidroxicloroquina, azitromicina, enoxaparina, remédio para enjôo e anti-inflamatório.