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Foto postada por José Sérgio foi feita por câmera no último estágio do foguete, mostrando que os painéis solares foram abertos logo após a separação – Divulgação

O cientista baririense, José Sérgio de Almeida, 67 anos, relatou através das redes sociais o lançamento do Amazônia 1, primeiro satélite 100% brasileiro, ocorrido à 1h54 do dia 28 de fevereiro, domingo, na Índia.

Segundo o relato, o Amazônia 1 foi lançado por um foguete indiano, “depois de muitos anos de exaustivo trabalho e dedicação”.

A principal atribuição do Amazônia 1 será gerar imagens diárias para monitoramento ambiental e vai compor o Deter, sistema coordenado pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) que acompanha o desmatamento em tempo real.

De acordo com o Inpe, foram 13 anos de trabalho e um investimento de R$ 380 milhões. O satélite ficou pronto em dezembro de 2020 e embarcou pra Índia, de onde foi lançado por uma empresa contratada instituto, que construiu o Amazônia 1. O lançamento foi pago a parte: 26 milhões de dólares, o equivalente a R$ 140 milhões.

Segundo o cientista, no momento do relato o satélite estava “na fase de comissionamento, quando todos os subsistemas e equipamentos do satélite são minuciosamente verificados quanto à sua operação nominal”.  Ou seja, se têm condições de sobreviver bem “aos estresses causados pela forte vibração durante o lançamento, choque mecânico na separação pirotécnica e pelo novo ambiente espacial de alto-vácuo e temperaturas altas e baixas extremas”.

Junto com o texto, José Sérgio postou imagem que, segundo ele, “foi feita por câmera no último estágio do foguete, mostrando que os painéis solares foram devidamente abertos logo após a separação, para recarregar as baterias, e o satélite aos poucos se distanciando”.

Ainda de acordo com o relato do cientista, “o Amazonia 1 está orbitando a Terra a uma velocidade de aproximadamente 27 mil km/h e a uma altitude de 752km, completando uma volta na Terra a cada 1h40min”.

Segundo ele, a missão do satélite é produzir importantes imagens da região amazônica para melhor monitoramento das matas, além de dar suporte ao crescimento urbano e à evolução e ao desempenho da agricultura e pecuária brasileiras.

Conclui o relato, afirmando que a conclusão do projeto concluído pelo Inpe em São José dos Campos, “dá a sensação de dever cumprido. É o Brasil avançando para a sua independência na área espacial”.

Saiba mais sobre o entrevistado

José Sérgio é o atual presidente do Working Group on Space Simulation – American Institute of Aeronautics and Astronautics (AIAA), além de professor da Agência Espacial Brasileira (AEB) e da Universidade Internacional do Espaço (ISU) – Divulgação

José Sérgio de Almeida é um dos mais conceituados cientistas brasileiros. Formado

engenheiro mecânico pela USP – Escola de Engenharia de São Carlos, São Carlos (SP), fez pós-graduação no ITA – Instituto Tecnológico de Aeronáutica, São José dos Campos (SP) e na Universidade Internacional do Espaço, Strasbourg, França. É Ph.D. em Engenharia Mecânica – Radiação Térmica, pela Universidade de Loughborough, Inglaterra.

Responsável pelo Laboratório de Simulação Espacial, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) desde sua implantação. Participou dos testes de voo dos satélites brasileiros, e dos de cooperação internacional tais como o programa CBERS com a China, o Brasilsat com o Canadá e como coordenador na campanha de qualificação para lançamento e voo do satélite Aquarius/SAC-D com os EUA-NASA e Argentina. Coordenador das campanhas de testes ambientais para qualificação dos experimentos científicos da Missão Centenário em 2006 (primeiro astronauta brasileiro) para a Estação Espacial Internacional (ISS). Coordenador, pelo Inpe, do projeto nanossatélite Sport de cooperação entre o Brasil e os EUA.

É o atual presidente do Working Group on Space Simulation – American Institute of Aeronautics and Astronautics (AIAA). Tem experiência na área de Engenharia Aeroespacial, atuando principalmente nos seguintes temas: simulação espacial, câmaras vácuo-térmicas, testes ambientais de satélites, testes vácuo-térmicos.

É professor da Agência Espacial Brasileira (AEB) e da Universidade Internacional do Espaço (ISU).

 

Fonte: Escavador