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Rosemara Cristina Gonçalves Rodrigues

“Importante frisar que os escorpiões estão vindo de fora para dentro da creche”

Desde o dia 14 de novembro as atividades na Creche Carmen Sola Modolin Aquilante foram suspensas. O problema é que o local passou a conviver com escorpiões, colocando em risco a vida de crianças e funcionários. A medida tomada pela Vigilância Epidemiológica foi solicitar da Diretoria Municipal de Educação a transferência dos alunos para outra unidade até que a creche Carmen esteja apta a receber os pequenos novamente, em condições de segurança (leia box). De acordo com a chefe do setor de Vigilância Epidemiológica, Rosemara Cristina Gonçalves Rodrigues, o maior problema no local é que muitos moradores despejam entulho e lixo no entorno da unidade educacional, servindo como criadouro para escorpiões. “Foi aberto um processo administrativo com relação ao problema e encaminhado à administração municipal, sugerindo também a remoção das ruínas de construções e chaminés da antiga olaria”, diz ela. Rosemara é formada em técnica em enfermagem. Trabalhou na Santa Casa de Bariri por seis anos e como funcionária pública concursada em 2012 e em 2013. No final de 2013 passou a trabalhar na iniciativa privada como técnico em enfermagem no Hospital de Base de Bauru. Há cinco anos trabalha na Unimed Bauru, no período noturno, como técnica em enfermagem. Em Bariri, exerce o cargo de chefe de setor da Vigilância Epidemiológica desde julho do ano passado.

Candeia – A Creche Carmen Sola Modolin Aquilante teve suas atividades suspensas por causa da presença de escorpiões. Que situação a Vigilância Epidemiológica encontrou no local?
Rosemara Rodrigues – Após a Vigilância Epidemiológica ser comunicada pela diretora da creche Carmem por problemas envolvendo escorpiões, rapidamente nos deslocamos até o local e constatamos possível risco com acidentes com picadas destes animais. Prontamente comunicamos a diretora da Educação, Ana Fabíola Camargo Fanton Rodrigues, sugerindo a transferência imediata das crianças para outro local. A creche está localizada em uma área de mata que antigamente pertencia a uma olaria. Existem construções abandonadas e muito acúmulo de entulhos e lixos que a população despeja irregularmente no terreno, o que proporciona condições ambientais favoráveis para a criação de animais peçonhentos, em especial o escorpião. Foi constatado que a creche vem realizando adequações para proteção do ambiente interno e externo contra pragas urbanas, mantendo o local limpo e realizando serviços de dedetização. No lado de fora da creche, a prefeitura municipal tem realizado periodicamente a remoção de entulhos e lixos, porém, a população não está contribuindo para a manutenção do terreno limpo. Importante frisar que os escorpiões estão vindo de fora para dentro da creche.

Candeia – Que medidas são necessárias para que a creche volte a funcionar normalmente? O entorno da unidade é um problema adicional?
Rosemara Rodrigues – A diretora da creche foi orientada a implementar as medidas corretivas e preventivas para evitar pragas urbanas dentro da unidade escolar. O problema maior está no entorno, pois foram encontrados criadouros de escorpiões, em meio a entulhos, lixos e construções abandonadas da olaria. Foi aberto um processo administrativo com relação ao problema e encaminhado à administração municipal, sugerindo também a remoção das ruínas de construções e chaminés da antiga olaria.

Candeia – Há outros prédios públicos em Bariri onde existe a preocupação com escorpiões? O que deve ser feito em relação a eles?
Rosemara Rodrigues – Identificamos que o problema com escorpiões está relacionado às condições climáticas e da má conservação ambiental. A Vigilância Epidemiológica monitora os casos com acidentes envolvendo picada de escorpiões em áreas urbanas e rural, com atenção aos locais públicos propícios para surgimentos destes animais, como o cemitério municipal. Em alguns prédios públicos localizados próximo à área de mata e terrenos baldios temos observado ocorrência de escorpiões, porém, é ínfimo o número de indivíduos que justifique uma infestação, sendo os mesmos solucionados com ações corretivas e preventivas.

Candeia – Por causa do aumento das chuvas, que ações a Vigilância Epidemiológica pretende realizar no fim deste ano e início de 2020 para combater escorpiões e o mosquito Aedes aegypti?
Rosemara Rodrigues – As agentes de endemias e de saúde trabalham visitando imóveis e orientando moradores com atividades de Bloqueio de Controle de Criadores (BCC) para controle do mosquito Aedes aegypti e de busca ativa para escorpiões. Na existência de casos confirmados de dengue, organizamos e acompanhamos os serviços de nebulização, executados por empresa terceirizada, e periodicamente aferimos o controle através dos índices ADL (Avaliação de Densidade Larvária) e LIRAa (Levantamento Rápido de Índices de Infestação pelo Aedes aegypti). Com relação à demanda da limpeza urbana, temos um trabalho conjunto com o setor de infraestrutura e empresa terceirizada, que periodicamente realizam a remoção de entulhos e lixos e a limpeza de terrenos baldios. Além dos trabalhos de campo é importante fazer a educação e a conscientização da população, sensibilizando os mesmos sobre os cuidados e práticas que devem ter para evitar potenciais problemas de saúde relacionados à proliferação de endemias.

Candeia – Que outros trabalhos preventivos a senhora destacaria?
Rosemara Rodrigues –Nesta semana, realizamos palestras educativas nas escolas da rede pública e particular enfatizando o Combate e Controle do Mosquito da Dengue e na sexta-feira, dia 22, no Clube Municipal, programamos o primeiro evento em prol dos catadores de materiais recicláveis, com objetivo de orientá-los sobre como separar corretamente os tipos de materiais coletados e da prevenção da dengue e animais peçonhentos. Ainda neste mês, iniciamos a orientação de trabalhos voluntários em conjunto com a comunidade, voltado ao combate de endemias. Organizamos grupos de jovens das igrejas evangélicas Resgate e Bíblica com o objeto de prepará-los na orientação da sociedade, contribuindo com a educação social. A intenção é formar mais grupos comunitários, religiosos e demais agremiações que queiram participar desta atividade.

Candeia – Normalmente quais os locais mais comuns onde são encontradas larvas do mosquito Aedes aegypti e os escorpiões? Como a senhora avalia a participação da sociedade no combate a eles?
Rosemara Rodrigues – Encontramos problemas nos quintais, jardins e terrenos baldios e, no caso do mosquito da dengue, larvas em piscinas, caixas d’água, bebedouro de animais, tambores de obras de construção e pratos de vasos de plantas. É muito importante a participação da sociedade e estamos trabalhando neste sentido.

Candeia – Que orientações a Vigilância Epidemiológica dá aos moradores para o controle do Aedes aegypti e do escorpião?
Rosemara Rodrigues – Em relação ao mosquito da dengue, os moradores precisam vedar caixas d’água, colocar areia nos pratos em vasos de plantas, limpar periodicamente bebedouros de animais domésticos, colocar água sanitária ou sabão em pó no reservatório de água atrás da geladeira, virar garrafas de cabeça para baixo, cobrir pneus e objetos que acumulem água e, se possível, colocar telas em portas e janelas. Para evitar os escorpiões, devem ser mantidos limpos quintais e jardins, evitando acumular folhas, entulhos, lixo domiciliar e restos de materiais de construção, providenciar a vedação de vãos e frestas, trocar ralos comuns por ralos com telas e colocar soleira em portas.

Creche é interditada pela segunda vez

A prefeitura de Bariri, por meio do Setor de Vigilância Epidemiológica, interditou no dia 14 de novembro a Creche Carmen Sola Modolin Aquilante, situada na Rua Jorge Marcos, no Núcleo Habitacional Osório Oréfice. O motivo é que apareceram escorpiões dentro e no entorno da unidade escolar.
Essa é a segunda vez que a creche Carmen é fechada temporariamente por causa de escorpiões. Problema semelhante ocorreu em dezembro de 2018.
De acordo com a diretora municipal de Educação, Ana Fabíola Camargo Fanton Rodrigues, a administração municipal resolveu suspender as atividades na creche para garantir a segurança das crianças.
Em princípio, os 150 meninos e meninas atendidos na creche Carmen foram remanejados para a Creche Marina Budin, localizada na Rua José Manoel de Goy, no Núcleo Habitacional Domingos Aquilante. Essa unidade também conta com 150 crianças. Para isso, houve adaptação do prédio.
Fabíola conta que durante a semana houve reorganização do material da creche Carmen para a Creche Madre Leônia. Dessa forma, as crianças foram divididas entre essa unidade e a creche Marina Budin. “A Creche Madre Leonia gentilmente cedeu um espaço para que pudéssemos dar mais conforto e tranquilidade às crianças”, diz.
Equipes da Saúde e da Vigilância Epidemiológica estiveram na creche Carmen para fazer limpeza e dedetização.
De acordo com a diretora, o principal problema é o entorno do local, onde há muitos criadouros de escorpiões. Afirma que é preciso fazer um trabalho eficiente de combate a esses aracnídeos para que não seja preciso suspender as atividades na unidade novamente.
O Setor de Infraestrutura está promovendo a limpeza das imediações e retirada dos entulhos. Já a Diretoria Municipal de Obras está fazendo o vedamendo de todos os vãos de portas e janelas, buracos nos muros, retirada de batentes e alinhamentos de portas.
De acordo com Fabíola, o trabalho da Vigilância Epidemiológica consiste em fazer a busca efetiva de ninhos e focos de escorpiões, mutirões de dedetizações constantes, para o controle de pragas. Além disso, também protocolou um pedido de demolição da antiga cerâmica, evitando assim constantes infestações de escorpiões e transtornos recorrentes.