Padre Carlos Menezes Júnior
“Estamos trabalhando para a implantação da Pastoral Vocacional, Pastoral da Comunicação e Pastoral da Ajuda Fraterna e da Criança”
Desde fevereiro deste ano a Paróquia de Santa Luzia está sob a coordenação do Padre Carlos Menezes Júnior, 56 anos. Um dos trabalhos que ele pretende realizar é a formação de pastorais e a criação de outras, como Vocacional, da Comunicação e da Ajuda Fraterna e da Criança. O sacerdote destaca também que é preciso dar atenção especial aos aspectos pastoral e financeiro da paróquia. Nascido em Santo André, ele entrou para o seminário dos Frades Menores Capuchinhos em 1983 em Piracicaba e permaneceu por lá até 1987, onde fez a faculdade de filosofia. Depois retornou ao convívio com a família, profissionalizando-se na área fiscal e contábil e trabalhando em uma multinacional na cidade de Cajati–SP por seis anos. Mais tarde iniciou os estudos de Teologia na Diocese de Santo André, concluídos em 1999, ano em que também ingressou na Diocese de São Carlos. Ordenou-se sacerdote há 11 anos, sendo 10 trabalhando na cidade de Torrinha e agora em Bariri. Padre Carlos tem especialização em catequese, ajudando como assessor nesta pastoral na Diocese de São Carlos.
Candeia – Como analisa a comunidade de Santa Luzia, após cinco meses à frente da Paróquia?
Padre Carlos – Confesso que me surpreendi com a comunidade. Um povo participativo, presente, acolhedor. Um povo que ama a Igreja, aberto a mudanças e às realidades de nossa Igreja. Aproveitando os trabalhos aqui presentes estamos juntos organizando toda a estrutura pastoral e administrativa de nossa comunidade.
Candeia – Quais os principais desafios na gestão da paróquia?
Padre Carlos – A paróquia funciona como um corpo. Se um membro ou parte deste corpo está doente, todos os demais são atingidos de alguma forma e não dá para fingir que não está acontecendo nada. É preciso, portanto, cuidar do corpo como um todo e não apenas parte dele. Porém, se uma parte está com problema, ela requer prioridade. Sanado o problema, volta-se a atenção para o conjunto. Nesse corpo conjuntural todas as partes ou membros são importantes, mas há aqueles que são fundamentais, dos quais dependem todos os outros. Dentro da estrutura organizacional da paróquia eles podem ser divididos em duas partes: o financeiro e o pastoral. Todos os demais dependem destes dois campos. Deles se desdobram todos os outros, Assim sendo, o primeiro antídoto para uma boa administração eclesial é não perder de vista a cultura organizacional da paróquia, sem negligenciar nenhum aspecto, por mais irrelevante que ele possa parecer. A isso a Igreja chama de “gestão compartilhada”.
Candeia – Como se dá esse trabalho no dia a dia?
Padre Carlos – Dentro da estrutura paroquial esse compartilhamento administrativo pode ser feito por meio dos dois principais conselhos paroquiais: o CPP (Conselho Paroquial de Pastoral) e o CAEP (Conselho de Assuntos Econômicos Paroquiais). O CPP agrega tudo o que está relacionado com a parte pastoral da paróquia (a evangelização, a missão, a espiritualidade, etc). O CAEP com a parte que envolve o financeiro (a administração do patrimônio, a manutenção, construção e reforma; os recursos financeiros, como, por exemplo, as arrecadações, etc.). Com estas duas equipes bem formadas e funcionando adequadamente, toda a estrutura da paróquia será atingida. No entanto, não basta apenas criar ou instituir estes dois conselhos. É preciso que eles tenham um regimento ou estatuto que contemple a participação da comunidade, por representatividade e que este documento seja cumprido. Isto é o que estou implantando de forma concreta aqui na comunidade de Santa Luzia.
Candeia – Quais os movimentos e pastorais existentes atualmente na paróquia? Como eles se desenvolvem?
Padre Carlos – Temos muitas pastorais existentes em nossa comunidade e que estamos trabalhando com sua formação para melhor atender as necessidades locais: Pastoral Catequética, Pastoral Familiar, Pastoral Litúrgica e do Canto, Pastoral da Juventude, Pastoral do Batismo. Outras precisam ser criadas: Pastoral Vocacional, Pastoral da Comunicação, estas já estamos trabalhando para sua implantação. E não podemos também nos esquecer das pastorais sociais: aqui destaco o trabalho dos vicentinos em nossa comunidade e a Pastoral da Ajuda Fraterna e da Criança que precisa ser criada. Entre os ministérios temos os ministros da Eucaristia, Intercessão, Terço dos Homens e os Missionários da Rosa Mística. Também estamos nos organizando para implantar o Ministério do Leitorado.
Candeia – Há proposta da diocese de evangelização. Como vê essa proposta e se a Paróquia de Santa Luzia tem planos a curto prazo para essa questão?
Padre Carlos – “Assim como o Pai me enviou, também Eu vos envio. Recebei o Espírito Santo!” (Jo 20,21). A missão da Igreja continua a missão de Cristo com todo o poder que o Pai Lhe deu. Jesus enviou os discípulos que levaram o Evangelho a todos os cantos da terra. A missão continua. Com o Papa Francisco estamos sendo sacudidos para continuar esse modo de agir do Pai. O Papa insiste nessa saída missionária: “Fiel ao modelo do Mestre, é vital que hoje a Igreja saia para anunciar o Evento a todos, em todos os lugares e, em todas as ocasiões, sem demora, sem repugnâncias e sem medo. A alegria é para todo povo. Ninguém pode ficar excluído”. Atendendo e esse pedido do Papa, nosso bispo diocesano, Dom Paulo Cesar, convocou toda a Diocese de São Carlos a vivenciar o aspecto missionário no desejo de ser, cada vez mais, uma Igreja em saída. Ressalta o Bispo em sua fala: “Em 2019 queremos que nossa pastoral ordinária passe da conservação para a missão. Cada pastoral e cada movimento deve se perguntar pela sua missionariedade. Durante o ano está acontecendo formações para os agentes das diversas pastorais e movimentos, seja em nível Diocesano, seja em nível de Vicariato”. Dom Paulo afirma estar certo de que com os pés no chão este projeto marcará a presença da Igreja no âmbito da Pastoral Urbana: “Não tenho ilusão, este projeto se realizará com beleza se todos, numa atitude de profunda comunhão o assumirem conosco” e ainda disse: “Fomos configurados a Cristo Bom Pastor, esta é a nossa identidade. Por isso, não somos chamados simplesmente a dizer ou a fazer algumas coisas, nós somos chamados a dizer algo com Jesus, a participar da missão de Jesus, o grande Evangelizador”. Nossa comunidade tendo participado, com seus representantes de todas as formações já realizadas em nossa diocese, agora também se prepara para desenvolver este grande projeto missionário em nossa paróquia entre os meses de setembro a dezembro deste ano.
Candeia – Como vê a formação dos padres católicos? Acredita ser necessário acrescentar outros conhecimentos como gestão econômica?
Padre Carlos – A formação de um padre não é uma tarefa simples. Durante o seminário, na etapa inicial de formação, além do período propedêutico e da exigência de dois cursos universitários – a filosofia e a teologia – os seminaristas recebem uma intensa formação que visa seu crescimento integral humano e cristão, e, por consequência, sua configuração com a imagem de Jesus Cristo, o Bom Pastor, aquele que é o modelo de todos os presbíteros. Visando esta configuração e o envolvimento máximo de cada seminarista ante as exigências do processo, a Igreja propõe, através dos documentos sobre a formação, algumas dimensões que devem ser trabalhadas de forma integrada pelo candidato, acompanhado pelos responsáveis pela formação. Elas se dividem em: dimensão espiritual, dimensão humano-afetiva, dimensão intelectual, dimensão pastoral-missionária e dimensão comunitária. Embora seja clara a importância dada a todas essas dimensões na formação integral do futuro presbítero, é importante observar que uma das mais presentes na vida do seminarista, e que mais deve ser zelada desde a formação inicial, e continuar após esse período, na vida do padre, é a dimensão espiritual. Todas essas dimensões oferecidas ao candidato ao sacerdócio lhe dão a perfeita condição de estar à frente de uma comunidade paroquial e assumir em todos os aspectos os desafios administrativos e pastorais. Como toda a vocação não se pode negar a experiência e o amadurecimento que se faz com os desafios a ser assumidos e compreendidos com o passar dos anos.
Candeia – Que aspectos destaca na gestão de Dom Paulo Cezar e Dom Eduardo na condução da Diocese de São Carlos?
Padre Carlos – Nosso bispo Dom Paulo Cezar tem se mostrado muito presente em todos os trabalhos de nossa diocese. Com a dedicação de seu auxiliar Dom Eduardo Malaspina, nossa diocese só tem crescido em todos os aspectos administrativos e pastorais. A presença de nossos bispos junto a todas as comunidades paróquias e seus sacerdotes só contribui e muito para o crescimento de nossa Igreja. Destaco a preocupação de nossos bispos quanto à formação do clero, não só daqueles que são recém-formados, como na formação permanente de todos os padres de nossa diocese. Sua preocupação de fazer de nossa diocese uma Igreja mais viva e presente junto ao povo, uma igreja que responda aos desafios de nosso tempo.

























