O Dia Internacional da Mulher será comemorado na terça-feira (8 de março). Por esse motivo, o Candeia ouviu nesta semana quatro mulheres com vínculo com Bariri sobre o empoderamento feminino, influências na vida delas e que conselhos dão a quem está iniciando a carreira. Participam a empresária Daiane de Sousa Chaim Dias, a especialista em moda Pietra Scola Mantelli, a médica psiquiatra Rebeca Mendes de Paula Pessoa e a diretora municipal de Educação, Stefani Edvirgem da Silva Borges.
Daiane de Sousa Chaim Dias
“Não é o seu gênero que vai determinar seu potencial, mas a forma como você conduz e seu caráter vão fazer de você uma mulher mais forte”
Pietra Scola Mantelli
“As mulheres estão conhecendo cada vez mais a sua força, suas vontades e o principal, os seus desejos”
Rebeca Mendes de Paula Pessoa
“Sugiro que possamos apoiar umas as outras. Não é fácil para ninguém, mas com mãos amigas vamos mais longe”
Stefani Edvirgem da Silva Borges
“Muitas lutas foram travadas por mulheres do mundo inteiro para que hoje todas nós pudéssemos alcançar lugares antes considerados inatingíveis”
Candeia – Como você definiria o empoderamento das mulheres?
Daiane – Empoderamento, para mim, está ligado a uma consciência coletiva por parte das mulheres que não se deixam mais serem inferiorizadas pelo seu gênero, cor ou classe social, tomando atitudes que vão contra o machismo, derrubando tabus antes estabelecidos pela sociedade.
Pietra – As mulheres escolhem onde elas querem estar. Estão conhecendo cada vez mais a sua força, suas vontades e o principal, os seus desejos. O lugar de mulher é onde ela quiser. Seja ele na parte profissional, amorosa e nunca esquecendo do mais importante, sempre com ela mesma.
Rebeca – O empoderamento feminino é quando a mulher está exatamente onde gostaria, naquele emprego desejado, com filhos ou sem filhos, no estado civil que lhe for mais conveniente. Infelizmente em nosso país isso ainda é uma realidade para poucas mulheres, com as taxas de feminicídio evoluindo de forma progressiva.
Stefani – As relações de poder sempre foram determinantes dentro da dinâmica de organização das sociedades. Em muitas civilizações, o patriarcado tornou-se preponderante e perdurou-se em detrimento de quaisquer outros grupos que quisessem se sobrepor. Esta condição não foi diferente no Brasil. Durante muito tempo, a mulher foi considerada como um indivíduo sem voz e sem condições de ter autonomia sobre suas ações. Muitas lutas foram travadas por mulheres do mundo inteiro para que hoje todas nós pudéssemos alcançar lugares antes considerados inatingíveis. Todas as conquistas, lutas e mesmo o processo de galgar direitos fazem parte daquilo que podemos determinar como empoderamento feminino.
Candeia – Qual a maior influência em sua vida? Por quê?
Daiane – Com certeza minha maior influência e referência sobre o poder das mulheres veio de dentro de casa com minha mãe. Que trabalhou duro desde os 9 anos de idade, criou seus filhos e sempre lutou por seu espaço, no trabalho, na sociedade e em casa também.
Pietra – A maior influência na minha vida é e sempre vai ser a minha mãe. Ela sempre mostrou a coragem, a persistência e também o mais importante, saber quando é para parar se não faz mais sentido, se não traz mais felicidade. Um dos principais pontos da vida.
Rebeca – Várias mulheres me inspiram diariamente, e seria injusto eu citar nomes, pois poderia me esquecer de alguma delas. Mas definitivamente a minha mãe é minha maior influência. Ela é uma grande mulher que tem conseguido se reinventar ao longo dos anos tanto em sua vida profissional como na vida pessoal. Também gostaria de citar minhas avós, Nilza e Marlene, que são mulheres fortes e grandes matriarcas.
Stefani – O meu lugar de fala vem de mulheres que sempre estiveram ao rés de nossa sociedade. Sociedade esta que ainda carrega resquícios de uma civilização que em outrora era traduzida pelos regimes escravista e patriarcal. Ao contrário dos povos ocidentais, a cultura africana tem em suas matriarcas um grande símbolo de resistência e poder. Neste sentido, minhas avós, minha mãe e minha irmã compõem, para mim, uma espécie de tríduo de amor, dor e constante sororidade. No campo intelectual, referências como Conceição Evaristo, Chimamanda Ngozi Adichie e Djamila Ribeiro fazem com que seu discurso se torne potência para mudanças significativas de mulheres que muitas vezes já haviam perdido a vontade de existir. Esta constelação feminina forma diariamente minha existência como mulher, preta, periférica e são as maiores responsáveis por minhas conquistas e constante metamorfose.
Candeia – Que conselho daria às mulheres que estão iniciando as suas carreiras e desejam alcançar uma posição de destaque no setor em que atuam?
Daiane – Meu conselho: sigam seus sonhos, dêem o melhor de si sempre, sejam fortes e coerentes no seu trabalho, não desistam, sejam boas mães, esposas e eduquem seus filhos para serem bons cidadãos, porque não é o seu gênero que vai determinar seu potencial, mas a forma como você conduz e seu caráter vão fazer de você uma mulher mais forte, com certeza.
Pietra – O conselho que eu daria, ainda mais por ter passado por algumas situações, é uma frase clichê, porém é totalmente fundamental. Faça o que te faz feliz, faça o que você gosta, é o primeiro passo, nunca se importando com o que falam, não deixando as críticas te pararem e nem os elogios te deixar estagnada, você consegue, nunca desista dos seus sonhos, afinal, uma mulher emponderada mostra sua força e também as suas fraquezas em todas as situações!
Rebeca – Acredito que mudanças acontecem no dia a dia, nas atividades mais triviais. Sugiro que as mulheres busquem o autoconhecimento e lutem pelos seus sonhos, seja este uma vida voltada para atividades domiciliares ou não. Conforme vamos participando de mais atividades na sociedade mais demandas vão surgindo e novas formas de lidar com elas, de reivindicar por nossos direitos. Outro conselho que sugiro é que possamos apoiar umas as outras. Não é fácil para ninguém, mas com mãos amigas vamos mais longe. Sororidade sempre, e não apenas em datas comemorativas.
Stefani – Resiliência e resistência são palavras que sempre considerei, mesmo que análogas, essenciais em minha trajetória. Permanecer firme em meio a críticas e adversidades e entendê-las como importantes no processo de nosso desenvolvimento é o primeiro passo para alcançar sonhos, muitas vezes considerados impossíveis se olharmos de onde viemos e quem somos. Enquanto mulheres, é fundamental que nos espelhemos naquelas que abriram os caminhos para que hoje pudéssemos livremente nos expressar e ser aquilo que queremos. Persistir nos edificará. Retroceder nos tornará mais fortes e sonhar sempre será nosso combustível para jamais desistir.
Saiba mais sobre as entrevistadas

Daiane de Sousa Chaim Dias
Daiane, 44 anos, é nascida em Bariri. Formou-se em Psicologia, com pós-graduação em Saúde e Trabalho. Trabalhou na Gol Linhas Aéreas na área de check in e gestão de pessoas, como psicóloga organizacional na Jet Poli e Polieno solados, psicóloga organizacional e treinadora na Kaefer Agroindustrial (Globoaves) por dois anos. Atualmente é sócia-proprietária da Floricultura Master Flora, atuando no ramo de paisagismo há mais de 25 anos.

Pietra Scola Mantelli
Com 24 anos e nascida em Bariri, Pietra formou-se em Moda pela Universidade do Sagrado Coração (USC), em 2017. Além dessa área, atua também como influenciadora digital.

Rebeca Mendes de Paula Pessoa
Rebeca, 33 anos, nasceu em Fortaleza-CE. Médica psiquiatra, ela possui título de especialista pela Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP). É mestre e doutoranda pela Universidade de São Paulo (USP), com área de Pesquisa em Psicogeriatria. Trabalha desde 2018 como médica assistente no setor de urgências psiquiátricas do Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto – FMRP-USP, acompanhando tanto pacientes internados como em seguimento ambulatorial. Também é professora no curso de Medicina da Estácio, em Ribeirão Preto. Concluiu o mestrado em 2019 e, na sequência, começou o doutorado, ambos com pesquisa em demência. Atualmente tem consultório particular em Bariri, na Cliins.

Stefani Edvirgem da Silva Borges
Diretora municipal de Educação, Cultura e Esporte, Stefani, 35 anos, nasceu em Campinas. É graduada em letras pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), mestre em Estudos Literários pela mesma instituição. Stefani é especialista em Educação na área de Ética, Valores e Cidadania na Escola pela Universidade de São Paulo (USP), doutoranda em Educação Escolar pela Unesp, campus de Araraquara. Atua como professora das Faculdades Integradas de Jaú (Fundação Dr. Raul Bauab), no curso de Pedagogia, e professora de Língua Portuguesa no Colégio Prevê Objetivo-Bauru.
























