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Francisco Leandro Gonzalez

“Entendo que a oposição deve trilhar o caminho de união de esforços e apoiar uma candidatura que de fato represente a possibilidade de vitória nas próximas eleições”

O vereador Francisco Leandro Gonzalez (Cidadania) defende a união de esforços entre as forças políticas da oposição para definição de candidatura única nas eleições municipais de 2020. O fato é que hoje tanto oposição quanto situação convivem com divergências públicas. “Entendo que os diálogos entre os diversos grupos políticos que hoje existem, e não são a situação que administra a prefeitura, deve ser mantido, definindo-se uma candidatura com base na técnica política”, comenta o vereador. Na entrevista ele comenta também sobre o papel da oposição na Câmara, projetos de sua iniciativa aprovados e como vê a participação da população na política. Aos 12 anos de idade, Leandro foi matriculado no Centro de Promoção Social (CPS) por recomendação do seu tio José Gonzalez, mais conhecido como Sargão. Na entidade trabalhou como engraxate e conseguiu seu primeiro emprego formalizado aos 14 anos, sendo contratado pela subseção local da Ordem dos Advogados de Bariri para exercer a função office-boy, onde permaneceu por 16 anos. Esse trabalho o motivou a cursar Direito e seguir carreira como advogado, profissão que exerce desde 2013. “Tenho imensa gratidão ao CPS, especialmente aos voluntários da época, pois com eles aprendi muitas coisas significativas. Com certeza tudo que sou e conquistei se devem ao apoio da minha família e do Centro de Promoção Social”, afirma. Sua primeira experiência na política foi no pleito de 2016, sendo eleito vereador. Faz parte de duas comissões permanentes da Câmara: Justiça e Redação e Finanças e Orçamento.

Candeia – Qual sua avaliação da atual legislatura da Câmara Municipal?
Gonzalez – Respondo focando no trabalho desenvolvido pelos vereadores tidos como de “oposição”, apesar de não gostar desta expressão por considerá-la imprópria, pois votamos favoravelmente todos os projetos encaminhados pelo poder Executivo quando entendemos que vão ao encontro das necessidades do povo. Aí quando aprovamos projetos do prefeito como deveríamos ser chamados? Vereadores da situação? Nenhum um nem o outro, votamos pelo interesse público e não por grupo político ou imposição do poder Executivo. Desse modo, considero que temos realizando um trabalho bastante positivo, independente e, acima de tudo, responsável, contribuindo para o bem-estar da população baririense. Lógico, nunca vamos agradar todo mundo e isso faz parte do processo democrático, onde há pessoas diferentes pensando de forma diferente sobre vários assuntos.

Candeia – Como observa o trabalho da oposição no Legislativo?
Gonzalez – Sabemos que o princípio máximo da atuação legislativa do vereador, além da edição de leis, é fiscalizar os atos da administração pública e isso temos feito, pois quem acompanha as sessões camarárias pode constatar, além de mostrarmos a verdade, cobramos sempre transparência e lisura na administração da coisa pública. Quisera eu ter uma oposição como a nossa! Ativa, independente, honesta e fiscalizadora! Todos os projetos encaminhados pelo Executivo que são pertinentes aos interesses da população, ou seja, que contribuam para a melhoria da qualidade de vida dos munícipes, foram e serão aprovados! É necessário cautela e transparência com o uso do dinheiro público. Tudo que é pago pela população deve retornar a ela por meio de benfeitorias na área da saúde, do desenvolvimento, educação, infraestrutura, cultura, lazer, esporte, etc.

Candeia – Vários projetos de sua iniciativa foram aprovados na Casa. A que fatores atribui esse desempenho?
Gonzalez – Considero que os projetos de minha autoria tenham sido aprovados por virem ao encontro dos anseios da população. Meu objetivo é sempre elaborar algo que contribua de alguma forma positiva para o bem-estar da sociedade, seja na transparência na área da saúde e educação, na área de segurança pública, dar voz à população através do uso da Palavra Livre mostrando sempre a verdade e debatendo os temas de interesse da nossa cidade, para que desses debates surjam soluções e encaminhamentos para as questões relevantes a fim de decisões melhores serem produzidas. Cito os projetos de lei e resolução de minha autoria em vigor: semana de conscientização e prevenção à alienação parental; alteração do artigo 3º da lei nº 3.726/2008 para tipificar novas formas de maus tratos a animais; obrigatoriedade de sistema de videomonitoramento nas vias públicas; obrigatoriedade da divulgação de lista de esperas por vagas nas creches das unidades da rede municipal de ensino; obrigatoriedade de publicação na internet de listagem de pacientes que aguardam por atendimento na rede pública de saúde; isenção de IPTU aos portadores de doenças graves e dá outras providências (em tramitação); obrigatoriedade de disponibilização da prestação de contas das entidades sob intervenção do poder público municipal; nova redação aos artigos 81 e 82 do regimento interno relacionados à Comissão Especial de Inquérito, permitindo a instauração de CEI subscrita por três vereadores; alteração do parágrafo único do art. 107 do regimento interno, possibilitando que o expediente de 2 horas da câmara seja prorrogado até o ultimo vereador inscrito utilizar seu tempo na Palavra Livre. Foram projetos embasados em análises e estudos que venho fazendo para aperfeiçoar os procedimentos e legis municipais.

Candeia – O senhor entende que a sociedade está mais vigilante na atualidade e acompanha mais de perto o trabalho do Legislativo e também do Executivo?
Gonzalez – Com a popularização de opiniões propiciada pelo maior acesso da população à internet, através de redes sociais e programas de mensagens, a sociedade passou a se envolver mais com a política, externando posições de forma mais direta. Podemos observar isso nas últimas eleições. O uso da internet como espaço para discutir assuntos do meio político e de interesse público tem crescido muito. Através dessa mídia as pessoas vêm se manifestando e criando vínculos de discussões que têm se espalhado pela rede e influenciado nas decisões do campo político. Há, evidentemente, excessos decorrentes da própria polarização de posições políticas. Esses excessos espero que sejam contidos com o amadurecimento das pessoas e de nossa democracia, com maior evolução da formação educacional da sociedade. Mas vejo que no âmbito municipal poderia haver um maior engajamento da nossa população no acompanhamento dos assuntos de interesse local, a fim de que os debates sejam mais participativos do ponto de vista dos cidadãos, os quais devem sim cobrar maiores esclarecimentos e posicionamentos de seus representantes eleitos para o Legislativo e Executivo. Isso trará maior controle, pois os políticos perceberão que suas atuações estão sob o olhar dos cidadãos, propiciando, assim, um “autocontrole” por parte deles.

Candeia – Por que o senhor e mais três vereadores resolveram questionar na Justiça a lei que trata da reorganização administrativa da prefeitura, focada nos servidores comissionados?
Gonzalez – Primeiramente é preciso esclarecer que não houve reorganização administrativa, mas sim uma manobra para maquiar com a alteração de nomenclaturas, diversos cargos providos irregularmente, pois não tem natureza de chefia, direção e assessoramento e passar a falsa impressão de que a lei está de acordo com os pareceres do Tribunal de Contas e recentes decisões judiciais. Ajuizamos a ação popular porque entendemos que a lei aprovada pelos vereadores da base do prefeito contém várias irregularidades e essa situação está se prorrogando há muito tempo, uma que já existe pedido de inquérito civil perante a Promotoria de Justiça de Bariri. Além do mais, entendemos haver um custo muito elevado com a contratação de pessoas de fora da administração para os cargos comissionados. Defendemos ainda que os cargos de chefe de setor e unidade devem ser ocupados por servidores de carreira, profissionalizando-se a administração pública, motivando e dando oportunidade para o servidor público concursado e que conhece o trabalho do setor, permitindo-lhe progredir na carreira.

Candeia – Que papel seu partido, o Cidadania, deverá ter nas eleições municipais de 2020?
Gonzalez – Espero que o partido continue atuando de modo independente. Não se pode fazer uma oposição sistemática apenas para trabalhar contra Bariri e nem ser da base pela troca de favores. As políticas públicas têm que estar a serviço do povo, então é preciso avaliar o que é bom para nosso município e avançar.

Candeia – Com a impressão de que a oposição está dividida, que cenário o senhor vislumbra na disputa para o Executivo em 2020?
Gonzalez – Pelo que se vê até o momento, não é só a oposição que está dividida. Até a base do prefeito parece estar rachada, com a iniciativa adotada pela vice-prefeita de se desfiliar do partido político do prefeito, deixando no ar a possibilidade de seguir novo rumo na próxima eleição, sendo apoiada, inclusive por um vereador da base conforme noticiou este conceituado jornal na edição do sábado passado. Divergências de posição existem e sempre existirão. Isso é da essência da política e do regime democrático. Pessoas pensando diferente sobre tudo. Não se pode fazer crítica pela existência de diversidade de pensamentos, pois auxiliam a sociedade a evoluir. Essas diferenças devem ser decididas pelo voto da população. Mas se pode e deve fazer críticas quando se verificar que o projeto político está calcado em ego pessoal, em rixas, picuinhas e não no interesse do melhor pela coletividade da nossa sociedade.

Candeia – É possível uma candidatura única da oposição?
Gonzalez – Entendo que a oposição deve trilhar o caminho de união de esforços e apoiar uma candidatura que de fato represente a possibilidade de vitória nas próximas eleições, uma pessoa que esteja preparada para enfrentar os desafios de administrar uma cidade como Bariri, desafios esses que não são poucos como todos sabemos, dados os problemas que vemos dia-a-dia, como, por exemplo, do único hospital e pronto-socorro municipal que trabalha com um déficit mensal de R$ 230.000,00 como afirmado recentemente na tribuna da Câmara. Em política as pessoas precisam aprender que quem faz um candidato é o povo e não o ego pessoal. Portanto, entendo que os diálogos entre os diversos grupos políticos que hoje existem, e não são a situação que administra a prefeitura, deve ser mantido, definindo-se uma candidatura com base na técnica política, através da prospecção da vontade popular, agindo sempre com profissionalismo, para que se possa apresentar uma candidatura que reflita preparo, experiência em administração pública, maturidade política e de vida para enfrentar esses desafios. Fazer política por vaidade, por egoísmo não leva a vitória.