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Sônia Regina Grigolin Maciel – “É importante destacar que com as medidas tomadas pela coordenação da entidade e colaboração de todos não há nenhum caso de Covid-19 entre os residentes e funcionários”

 

O Lar Vicentino de Bariri tem adotado uma série de medidas por causa da pandemia da Covid-19. Afinal, pela idade que têm, os 36 idosos acolhidos estão no grupo de risco para o novo coronavírus. De acordo com a assistente social Sônia Regina Grigolin Maciel, 60 anos, os funcionários adotam medidas preventivas e as visitas de familiares foram suspensas. Formada em Serviço Social desde 1984 pela ITE (Instituição Toledo de Ensino), Sônia iniciou o trabalho no Lar Vicentino no dia 23 de março deste ano. Ela iniciou a carreira de assistente social em 1985 exercendo atividade na prefeitura de Bariri até 1989. Saindo do serviço público, passou a exercer a função em serviço privado em empresa do município onde estava sendo implantado o serviço social, permanecendo até 2012, quando juntamente com a aposentadoria chegou o convite para assumir a Diretoria do Serviço de Ação Social do município, permanecendo no cargo de 2013 a 2016). De janeiro de 2017 a março de 2020 trabalhou como coordenadora da LAV – Casa Abrigo. Como na carreira profissional passou por experiências em administração com vistas ao social, trabalha também no setor financeiro da Santa Casa no período da tarde.

 

Candeia – Qual seu maior desafio como assistente social do Lar Vicentino de Bariri?

Sônia – O Lar Vicentino de Bariri é uma ILPI (Instituição de Longa Permanência para Idosos) e trabalha com equipe técnica composta por assistente social e psicóloga, tendo os serviços destinados a idosos em situação de risco pessoal quer seja por ocorrência de abandono, maus tratos, violência, que tenham seus vínculos familiares fragilizados. No Lar Vicentino o idoso acolhido recebe toda forma de proteção, carinho, segurança, porém, com o momento que estamos vivenciando, nosso maior desafio está em suprir a carência que os idosos sentem de um abraço, um afago e um carinho, pois estão sempre acostumados com muita festa e alegria. Devido às orientações sobre a pandemia, a aproximação está mais restrita, dificultando manter as atividades, o vínculo familiar pelo fato do isolamento social e distanciamento. Algumas medidas já foram tomadas desde o início da pandemia e os idosos já não recebem mais visitas de seus familiares, as datas comemorativas estão sendo realizadas de forma mais simples, internamente somente com a presença dos residentes e funcionárias, sem falar nas atividades que antes da Covid-19 eram realizadas em grupos agora ocorrem com no máximo dois acolhidos.

 

Candeia – Como a entidade está lidando no dia a dia com a pandemia da Covid-19?

Sônia – Seguindo as normas da OMS (Organização Mundial da Saúde) e até mesmo do Conselho Metropolitano de São Carlos e Conselho Central de Jaú, que norteiam a entidade. As visitas de familiares e voluntários aos residentes estão suspensas, a não ser em casos de muita necessidade, bem como as saídas para passeios externos ou compras no comercio local. O Lar Vicentino tem utilizado toda forma de prevenção com a entrega constante às funcionárias de EPIs, como máscaras, aventais, toucas e o álcool gel, além do monitoramento e orientações do uso adequado dos mesmos, através de cartilhas de orientação, cartazes e alertas quanto a situação. Os idosos também receberam orientações sobre as saídas externas e as restrições das visitas e para suavizar as consequências desse distanciamento, na medida do possível mantemos, através da rede social, via WhatsApp, a transmissão de vídeos e áudios dos familiares, destacando aqui que esse trabalho é realizado com apoio da psicóloga da entidade Isabel Cristina Gonçalves Siqueira. É importante destacar que com as medidas tomadas pela coordenação da entidade e colaboração de todos não há nenhum caso de Covid-19 entre os residentes e funcionários e se necessário for há quartos de isolamento já adaptados.

 

Candeia – Como as pessoas podem estar em sintonia com os idosos nessa pandemia?

Sônia – Há também uma campanha da Secretaria de Desenvolvimento Social do Estado intitulada “Um gesto de carinho para ninguém ficar sozinho” que foi amplamente divulgada com a relação de várias entidades de acolhimento de idosos, com o objetivo de envolver pessoas para o envio de cartinha as residentes. E o Lar Vicentino tem recebido via e-mail muitas cartinhas que estamos apresentando aos idosos de forma que se sintam queridos e amados. Aproveitamos a oportunidade estendendo esse convite à comunidade local para que sinta à vontade participando dessa campanha enviando mensagens através de nossos e-mails: servicosociallarvicentino@hotmail.com ou larvicentinobariri@hotmail.com.

 

Candeia – Quantos idosos são atendidos atualmente? Quantos funcionários há hoje e que tipo de atendimento é dado aos idosos? Como é desencadeado o processo para a recepção de novos idosos e quais os critérios levados em consideração?

Sônia – A entidade conta com 36 acolhidos, sendo 18 homens e 18 mulheres que são atendidos e acompanhados por 27 funcionários. Diariamente os cuidados pessoais como banhos são realizados em todos os idosos para manter o bem-estar deles, bem como os cuidados com barbas, pintura cabelo, corte e pintura das unhas, mantendo a auto-estima elevada. Esse trabalho é realizado pelas próprias cuidadoras, pois com o isolamento não está mais acontecendo a circulação de voluntários no lar, o que é uma grande dificuldade. Quanto ao acolhimento de novos idosos, não está sendo realizado no momento, pois, além de estarmos no limite de nossas vagas, seguimos orientações do Denor (Departamento de Orientação e Normatização), que, através da Resolução 006/2020, dispõe sobre requisitos mínimos para admissão, todos relacionados aos cuidados com a Covid-19, como, por exemplo, exames médicos que comprovem não existir risco de contágio do novo coronavírus, entre outros.

 

Candeia – A entidade passou por intervenção por causa da falta das conferências vicentinas. Com a regularização, como essa situação no momento?

Sônia – A atual diretoria é composta por vicentinos, é uma diretoria atuante e tem realizado reuniões todas as terças-feiras para acompanhamento dos problemas e busca de soluções.

 

Candeia – O Lar Vicentino fará venda de cadeiras neste sábado e no próximo. Quais as expectativas da entidade com essa ação?

Sônia – É sempre bom contar com parceiros e uma empresa local fez a doação de cadeiras para uso em escritórios e também uso doméstico. Estaremos atendendo no Salão de Festas do Lar Vicentino e contamos com a presença de todos, pois além de estar fazendo um ótimo negócio estarão também ajudando a entidade a manter-se. Lembrando que respeitando as normas da vigilância sanitária as pessoas deverão estar portando máscara como medida de proteção.

 

Candeia – Um evento tradicional do Lar Vicentino é o leilão de gado. Há previsão para que o evento ocorra ainda em 2020?

Sônia – O leilão de gado está na programação da diretoria, porém, sem data definida ainda, em estudo pelos diretores.

 

Candeia – Tradicionalmente a entidade realiza festival de prêmios, com sorteio no fim de ano. Como está essa ação?

Sônia – Quanto a esses eventos a expectativa está no sentido de acompanhar a situação atual, pois devido à oscilação na economia entende-se que há gastos que a sociedade coloque como prioridade.

 

Entidade faz agradecimento

 

A assistente social Sônia Regina Grigolin Maciel aproveita para agradecer ao apoio da comunidade baririense. “Agradecemos imensamente a todas as doações recebidas pela entidade principalmente neste momento, que de alguma forma nos ajudam a manter a qualidade de vida de nossos idosos, com doações de materiais de limpeza, fraldas, e até mesmo colaborando na campanha do Troco Solidário”, comenta Sônia.

“O Lar Vicentino sempre esteve atuante quer seja com a diretoria, vicentinos, voluntários, coordenação e funcionários no atendimento a seus residentes, entendo que nesse momento de pandemia que prega o isolamento social e o distanciamento, o que mais se sente é o afastamento dos familiares e voluntários e peçamos a Deus que logo tudo volte ao normal para que resgatemos esse convívio tão importante para os idosos.”