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Ériko Thiago Nogueira – “Vou esperar que as pessoas ofereçam a ajuda em vez de eu pedir. Quero ver uma comunidade madura, consciente e comprometida”

 

Historicamente o mês de setembro em Bariri é voltado à festa em louvor à padroeira da cidade, Nossa Senhora das Dores. Mas neste ano, por causa da pandemia do novo coronavírus, não haverá estrutura coberta na Praça Joaquim Lourenço Correa (Matriz), presença das equipes e consumidores e shows musicais. A tradicional festa será substituída pelo esquema de drive thru, em que a pessoa irá comprar produtos alimentícios e consumir em casa. De acordo com o pároco da Paróquia Nossa Senhora das Dores de Bariri, Ériko Thiago Nogueira, ainda é preciso definir o local onde serão vendidos os produtos. Segundo ele, desde setembro do ano passado a paróquia vem contabilizando déficits. Por esse motivo, as receitas da festa deste ano serão utilizadas para cobrir as despesas. Na entrevista, Ériko fala também sobre o projeto de reforma da Matriz, os efeitos da pandemia na vida da comunidade e o que mais o chateia em sua vida de padre. Vale informar que na terça-feira, dia 4, ocorreu a festa de São João Maria Vianney, data em que é celebrado o Dia do Padre.

 

Candeia – Diante da pandemia do novo coronavírus, como será a festa em louvor à Nossa Senhora das Dores?

Padre Ériko – A princípio será feito um esquema de drive thru. As pessoas passarão no local onde a equipe estiver, irão retirar seu pedido e consumir em casa. Ainda estamos em dúvida em relação ao lugar da quermesse: Praça Joaquim Lourenço Correa (Matriz) ou Casa de Cursos, mas é mais provável que seja na Casa de Cursos, utilizando também o Salão Padre Féchio. Esse é o planejamento inicial, a menos que ocorra alguma reviravolta quanto à pandemia. Já iniciamos a campanha de arrecadação do óleo e da farinha. Normalmente usamos 1.300 quilos de farinha e de 800 a 900 litros de óleo. Neste ano iremos reduzir a quantidade de produtos, levando em conta que haverá queda considerável no consumo. Estamos num ano de dificuldades, estamos sentido muito a crise financeira. No ano passado nossa arrecadação com a festa da padroeira foi de R$ 120 mil aproximadamente, com queda em relação ao ano anterior (2018). De lá para cá, nesse período de dez meses, levando em conta essa crise financeira, deixamos de arrecadar R$ 110 mil. Ou seja, tivemos uma queda nas receitas com a festa de 2019, com a redução das coletas, do valor do dízimo e do cofrinho e também queda no consumo da loja da secretaria da paróquia.

 

Candeia – De que forma as equipes irão trabalhar no evento?

Padre Ériko – Teremos uma equipe reduzida para trabalhar na festa. Se a situação da pandemia piorar, não iremos colocar a vida das pessoas em risco. Estamos nos preparando para montar equipes menores de trabalho. Se houver necessidade, iremos oferecer roupas hospitalares para que a pessoa esteja protegida. Queremos ter um espaço maior para as pessoas trabalharem, respeitando o distanciamento. Elas terão de trabalhar com touca, luva, máscara e a roupa hospitalar. Neste ano pretendo agir diferente: vou esperar que as pessoas ofereçam a ajuda em vez de eu pedir. Quero ver uma comunidade madura, consciente e comprometida. Nesse esquema do drive thru não teremos atrações musicais. Estamos tentando nos readaptar a essa difícil realidade. Iremos fazer com uma maior frequência pequenos eventos, assim como foi com a feijoada e com a venda de frango. Neste fim de semana iremos vender caldo de mandioca. Antes de setembro deveremos fazer nova venda de frango assado.

 

Candeia – Qual o destino dos recursos a serem arrecadados com a festa?

Padre Ériko – A ideia é diminuir o déficit que estamos tendo desde a festa do ano passado. Os investimentos serão para os gastos mensais da paróquia. Em princípio não iremos investir em reformas.

 

Candeia – Nesse cenário, como fica a reforma da Igreja Matriz?

Padre Ériko – Em relação à reforma da Igreja Matriz tenho uma tristeza e uma decepção muito grandes. Expliquei muitas vezes que iríamos fazer a captação do Imposto de Renda, mas houve excesso de críticas sem fundamentos, inclusive sobre os valores da reforma. Não atingimos nem 5% da nossa meta neste um ano de tentativa de captação dos impostos. Tivemos o apoio de poucas empresas locais e regionais e também de pessoas que poderiam fazer a doação do imposto. Não vou atribuir à minha pessoa a falta de êxito no projeto da reforma da Igreja Matriz. Vou continuar me empenhando e dando o sangue para ver essa igreja reformada, mas vou até onde puder e considerando que será muito difícil fazer a captação dos recursos em sua totalidade, que é de R$ 1,8 milhão, isso para a reforma total da igreja, por dentro e por fora. Se a comunidade resolver abraçar a causa, vamos fazer.

 

Candeia – A paróquia vinha pagando pelos vitrais…

Padre Ériko – As festas anteriores tiveram parte da arrecadação para o pagamento dos vitrais. Pagamos R$ 400 mil. Quando falamos que a reforma toda é de R$ 1,8 milhão, teríamos de captar R$ 1,4 milhão, porque R$ 400 mil já foram pagos. Paramos de pagar a empresa porque, se conseguirmos a captação com os impostos, é o projeto da reforma que paga. Caso contrário, é a paróquia que continua honrando com esse compromisso.

 

Candeia – Como está o andamento das catequeses na paróquia por conta da pandemia?

Padre Ériko – Sobre a catequese de Primeira Eucaristia e Crisma, decidimos parar. De tempos em tempos mandamos atividades para crianças e adolescentes para não perdermos o contato e o vínculo. Não teremos a Primeira Eucaristia e nem a celebração da Crisma neste ano. Tivemos apenas dois encontros de catequese no início do ano. De Crisma houve apenas um encontro.

 

Candeia – Como avalia os efeitos da pandemia na vida da comunidade?

Padre Ériko – Estamos desde o dia 20 de março com as atividades suspensas na paróquia, incluindo as missas presenciais. Nesse tempo de pandemia temos de nos reinventar. Algumas pessoas se aproximaram mais de Deus, outras se afastaram. Tenho visto que a pandemia mexeu com o emocional e com a parte comportamental das pessoas. O desafio daqui para frente é continuar fazendo com que a Palavra de Deus seja anunciada, os sacramentos possam ser celebrados. Avalio com certa preocupação, principalmente quando houve o retorno para as celebrações presenciais. Minha preocupação é que as pessoas tenham esfriado na fé e na vida de oração.

 

Candeia – Em sua vida de padre há algum aspecto que não goste?

Padre Ériko – Mudei bastante meu jeito de ser nestes 11 anos de padre por causa de comentários feitos em relação a outras pessoas com requinte de crueldade. As pessoas falam sem saber, passam para frente sem ter noção se aquilo corresponde à verdade. Uma coisa que não gosto e que me chateia bastante é ver como são frequentes comentários maldosos. Em linhas gerais, não gosto de fofoca e de fofoqueiros. Sou da pedagogia de que cada um deve olhar para suas virtudes e seus defeitos e não cabe a nós julgar ninguém. Diz um filósofo (Blaise Pascal) que “o coração tem razões que a própria razão desconhece”. Não compete a nós ficarmos julgando as pessoas, mas aceitá-las como são e rezar para que mudem.