Composição 1_1
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“A evangelização e o social não podem parar, a busca pelo testemunho de Cristo deve aquecer inúmeros corações. Evangelizar é dar testemunho e anunciar sempre a palavra de Deus em todos os momentos da vida” (Foto Divulgação)

Igor Alexandre da Rocha

No dia 5 de abril, na Catedral de São Carlos, foi celebrada a ordenação sacerdotal de oito novos padres da Diocese de São Carlos, entre eles o baririense Igor Alexandre da Rocha. A celebração foi conduzida pelo bispo Dom Luiz Carlos Dias. Igor realizou sua formação acadêmica nas seguintes instituições: Filosofia – 2016 a 2018 – na Infista/Claretiano; Teologia – 2019 a 2022 – na PUC/Campinas; e pós-graduação em Aconselhamento e Psicologia Pastoral – 2021 – na Faveni. Foi ordenado diácono em 4 de novembro de 2023. Após a ordenação, o bispo entregou a provisão a Igor para trabalhar como vigário paroquial na Paróquia São Nicolau de Flue, em São Carlos. Segundo ele, o principal fator que o levou a seguir a vida religiosa foi o sentimento de poder sempre fazer a diferença na vida das pessoas.

Candeia – Fale um pouco sobre sua vivência em Bariri e por que escolheu ser padre.
Padre Igor – Me recordo com muito carinho do saudoso padre Borin (in memoriam), com o qual convivi durante os anos da minha juventude, bem como de todo o povo da comunidade São José, Santa Luzia e Nossa Senhora Aparecida. Assim como todo jovem, desde o ensino médio na escola Idalina Viana Ferro sonhava em fazer faculdade. Algo que de fato eu fizesse a diferença na vida das pessoas, pensava em ser engenheiro agrônomo e até mesmo chefe de cozinha, mas o chamado à vocação sacerdotal me brilhava os olhos e foi plenamente o suficiente para que eu me arriscasse nesse caminho. Na minha adolescência, trabalhei numa padaria da cidade, onde lá aprendi muito. Entrei no Seminário Maior São João Paulo II no ano de 2016, onde realizei os meus primeiros estudos.

Candeia – Que fatores pesaram em sua decisão de seguir a vida religiosa?
Padre Igor – O sentimento de poder sempre fazer a diferença na vida das pessoas. Em Bariri, conheci muitos padres que me inspiraram ao cuidado dos enfermos, o zelo pelos sacramentos e do sagrado mistério. O cuidado com os pobres e o zelo pastoral são de fato marcas desses sacerdotes. Quero aqui lembrar os queridos amigos, padre Danilo Rosa de Moraes e padre Carlos Menezes. A escolha de ser padre não é nada fácil, afinal são quase 10 anos de formação e estudos, dedicação total ao próximo. Muitos são os desafios a serem enfrentados, mas nunca um padre pode caminhar sozinho, afinal, Cristo caminha junto dele.

Candeia – Como avalia seu processo de formação?
Padre Igor – Minha formação, assim como de todos os padres, sempre é marcada por cinco dimensões a serem trabalhadas, a saber: intelectual; espiritual; humana; pastoral; e comunitária. Nesse sentido, é uma formação integral do candidato ao presbitério. O processo formativo é árduo, não é moldar como se molda um pão, por exemplo, mas é lapidar o humano em todas as suas dimensões.

Candeia – O senhor irá atuar na Paróquia São Nicolau de Flue, em São Carlos. Que informações tem da paróquia e que trabalho irá realizar nela?
Padre Igor – A paróquia de São Nicolau é uma comunidade com muitas obras sociais e com inúmeros trabalhos. Passam pela paróquia, semanalmente, cerca de 3 mil pessoas. Em especial, no processo formativo pastoral tive a oportunidade de atuar nessa comunidade por um bom tempo, no qual agora posso explorar e mergulhar ainda para águas profundas. Quero aqui, rapidamente, falar um pouco sobre os nossos projetos sociais: Projeto Anjo da Guarda, que atende cerca de 100 crianças no contraturno escolar, garantindo assim a socialização das crianças em situação de vulnerabilidade social dos bairros ao redor da paróquia; Projeto Anjo da Guarda Teens, que acolhe cerca de 30 jovens no período noturno para proporcionar a eles múltiplas atividades que proporcionam um desenvolvimento humano; Instituto Coragem, que é um centro de apóio terapêutico para inúmeras pessoas em situação de baixa renda – hoje possuímos cerca de 250 pacientes que passam aqui toda semana, para os tratamentos de psicoterapia e fisioterapia.

Candeia – A paróquia é bem ativa em projetos sociais…
Padre Igor – Sim. Temos também a Casa Bethânia, que é uma casa de acolhimento para pessoas que possuem vínculos fragilizados com seus familiares, do qual buscam um desenvolvimento humano e autônomo. Há a Casa Dorotheia, que é um centro de apoio às mulheres em situações de violência doméstica, do qual recebem acolhimento por meio da pastoral da mulher. Nessa mesma casa, funciona o bazar da nossa paróquia do qual toda verba arrecadada é para uso caritativo. Outra iniciativa é o Programa Dai-lhes vós Mesmos de Comer, que coordeno e que mapeia e organiza toda situação familiar daqueles que aqui vem pedir ajuda. Realizamos elaboração de currículos, orientação jurídica e social, bem como disponibilizamos os currículos para empresas parceiras. Temos ainda por meio desse programa a distribuição de cesta básica junto aos vicentinos e a distribuição de voucher para que essas famílias possam adquirir produtos em nosso bazar. Hoje, auxilio o padre Robson Caramano nos trabalhos sociais e pastorais dessa comunidade.

Candeia – Em sua opinião, que trabalho precisa ser feito para o fortalecimento da Igreja Católica?
Padre Igor – A evangelização e o social não podem parar, a busca pelo testemunho de Cristo deve aquecer inúmeros corações. Evangelizar é dar testemunho e anunciar sempre a palavra de Deus em todos os momentos da vida. Nesse sentido, o social supre a necessidade da caridade, mas lembre-se: não é apenas estender a mão, mas ajudar a caminhar e deixar seguir o caminho. É preciso que os católicos entendam aquilo que está no documento de Aparecida: Todo batizado possui o dever da missão. Somos todos discípulos missionários de Jesus. Ser missionário é dar testemunho e realizar o bem, salvando e edificando vidas.

Candeia – Como motivar as pastorais e movimentos para o trabalho na Igreja?
Padre Igor – O primeiro passo é a vida de oração e de fé. Precisamos voltar ao primeiro amor, o amor que por primeiro nos amou. E assim, mergulhados nessa misericórdia, seguir o caminho que nos é proposto. Caminho esse que é árduo, e que cada pastoral encontra dentro do seu carisma um propósito de ser. Assim, os membros devem fazer bem aquilo que de fato lhes compete para o bom andamento de todo o corpo místico. Termino essa entrevista agradecendo e louvando a Deus pelo dom do sacerdócio e de modo muito especial pela vida de cada munícipe de Bariri, minha querida cidade e de todos os meus amigos e amigas. Deus lhes abençoe sempre e a cada dia.