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O ano de 2020 terminou e para muitos foi um período de aprendizado, superação e adaptação a um inimigo que atingiu pessoas de todas as classes sociais, em todas as partes do mundo: o novo coronavírus (Covid). Para falar sobre o ano que terminou e os desafios para 2021, o Candeia entrevistou representantes de quatro diferentes setores: a empresária Anai Lagatta Padovani Martins Simões, a educadora Gisleine Macena Camillo, o médico gastroenterologista Luiz Carlos Ferraz do Amaral e o contador Renilson Genivaldo Giraldelli.

Anai Lagatta Padovani Martins Simões

“2020 nos ensinou a ser mais persistentes, a apostar na criatividade, valorizar os empresários locais”

Gisleine Macena Camillo

“Há a necessidade de expandir a visão e atuação educacional, pois neste ano ficamos como tubarões que crescem em aquários”

Luiz Carlos Ferraz do Amaral

“Espero que 2021 seja um ano onde haja um esforço concentrado com a finalidade de manter a Santa Casa de Bariri em funcionamento”

Renilson Genivaldo Giraldelli

“O mercado brasileiro começou a retomar o seu crescimento, então as empresas têm que estar preparadas para esse momento”

 

Candeia – Que balanço faz de 2020, tão afetado pela pandemia de Covid-19, incluindo sua área de atuação profissional?

 

Anai Simões – 2020 foi um ano muito atípico e delicado em todos os setores, com muitas dificuldades para grande parte das pessoas, além do caos econômico para muitas microempresas. Para a Kailua, nossa fábrica de massas e salgados, foi um ano de solidificação no mercado, apesar dos desafios no início da pandemia. As pessoas estiveram mais em casa e dando mais valor para os momentos e refeições em família. Nós, como muitos, nos reinventamos e conseguimos estar ainda mais presentes na casa do nosso consumidor.

 

Gisleine Camillo – Foi um ano intenso, com muitos medos, contradições, perdas horríveis, mas também com momentos incríveis de superação, emoção, companheirismo, união e descoberta de boas parcerias. Tivemos que aprender trabalhando muito, para trabalhar certo. Os gestores acompanharam aula por aula dos professores, adquirimos muitos equipamentos, câmeras, potencializamos a internet, adquirimos sistemas e plataformas digitais, construímos alternativas pedagógicas que se apropriassem as ferramentas tecnológicas e necessárias para poder oferecer o melhor ensino, mantendo a escola atualizada e adaptada ao mundo do século XXI. Os pais e alunos também sofreram grande pressão e stress com a necessidade de adaptabilidade da noite para o dia, além do medo da doença no núcleo familiar e parental. Enquanto escola mantemos professores e funcionários do grupo de risco totalmente afastados de suas funções.

 

Luiz Carlos – A Covid-19 mudou praticamente o comportamento do homem. Não somos mais os mesmos, mudamos nossos hábitos diários, introduzimos nova vestimenta, a máscara, tão importante na prevenção do vírus, mudamos nossas relações interpessoais, perdemos os abraços, deixamos de lado os apertos de mão, até atitudes do cotidiano foram alteradas, como a simples visita a um mercado, quitanda ou açougue, sempre com um cuidado maior do que antes, máscara, álcool gel, distanciamento nas filas. Na área médica a pandemia trouxe grandes desafios, houve perdas de amigos e colegas médicos na linha de frente do combate ao vírus. Enquanto muitos seguiam isolados em suas residências, como orientado pelo Ministério da Saúde, os médicos (também o corpo de enfermagem, atendentes, técnicos de Raios X, setor administrativo, equipe de nutrição e limpeza) seguiam prestando atendimento, tendo que se proteger, com risco de contaminação e de levar a doença aos seus familiares. Acredito que hoje, com mais informação sobre as formas de transmissão, de proteção, fica mais fácil e seguro o atendimento em clínicas, postos de saúde e hospitais. O que me preocupa é o abandono das medidas de segurança por parte da população, que voltou a agir como se a pandemia tivesse terminado. Penso que o isolamento é necessário, mas não resolve a pandemia, somente reduz o ritmo de contaminação, dando um fluxo menor de atendimento em hospitais, unidades de terapia intensiva, etc. Precisamos evitar aglomerações, manter as medidas de higiene e cuidados, como lavar as mãos frequentemente, uso do álcool gel, quando não for possível lavá-las, uso da máscara e distanciamento. A vacina é uma grande promessa para 2021, apesar de o assunto ter sido politizado, confundindo as pessoas através da mídia tendenciosa, é um recurso precioso e deve ser utilizado na prevenção desta pandemia. Apesar dea vacina possuir efeitos colaterais, tem também seus efeitos terapêuticos, que podem reduzir a morbidade e mortalidade pelo vírus.

 

Renilson Giraldelli – Realmente este ano de 2020 foi muito difícil, pois tivemos que enfrentar e conviver com um inimigo muito forte que é a Covid-19. Eu me lembro como se fosse hoje, no final do mês de fevereiro, quando a mídia começou a divulgar o que estava acontecendo na China e na Itália e pensei comigo: será que este vírus vai chegar ao Brasil? Bem, ele chegou e mudou completamente a nossa forma de viver, tivemos que nos afastar dos amigos e principalmente de nossa família, adotamos medidas preventivas de proteção, como o uso de máscaras e a higienização das mãos com álcool gel. Sobre o impacto da Covid-19 na minha área profissional, passamos por inúmeras mudanças na área trabalhista, de manhã era divulgado uma noticia pelo presidente, através de um pronunciamento na TV, depois do almoço vinha um ministro e falava de forma diferente e quando saia a publicação no Diário Oficial já estava diferente de novo, foram muitas idas e vindas. O governo federal fez o seu papel, flexibilizando as regras do trabalho, criando o auxílio emergencial, liberando linhas de créditos para as empresas, deixando de cobrar o IOF sobre os financiamentos bancários, prorrogando a data de vencimento de alguns impostos federais. Mas em contrapartida o Governo do Estado de São Paulo não fez nada para as empresas, pelo contrário, publicou três decretos no final de 2020, aumentando o valor dos impostos para 2021.

 

Candeia – Quais suas expectativas para o ano que se inicia no segmento em que atua? O que será prioridade?

 

Anai Simões – Sou uma pessoa muito otimista e acredito que o ano será de retomada do crescimento. 2020 nos ensinou a ser mais persistentes, a apostar na criatividade, valorizar os empresários locais e acredito que, com isso, se mantém a economia aquecida.

 

Gisleine Camillo – O mais relevante em 2021 é implantar sabiamente o salto qualitativo da aprendizagem ativa e da tecnologia a serviço da educação, seja ela em termos de potência de conexão entre seus membros; personalização, para atender a todos os níveis de desenvolvimento e autonomia dos alunos, e preditiva para a preparação para os exames nacionais e vestibulares, entregando feedbacks seguros e trilhas de estudo e aprendizagem. Há a necessidade de expandir a visão e atuação educacional, pois neste ano ficamos como tubarões que crescem em aquários, com 20 centímetros de crescimento máximo, sendo que no oceano crescem dois metros ou mais. O tubarão não supera o seu ambiente. O mesmo acontece conosco e é hora de superar o ambiente onde nos inserimos, saber que somos capazes, que nossos alunos podem respeitar as regras de sanitização, acreditar na potência de nosso povo, na garra dos educadores e esforço das escolas e famílias. Retornar as aulas presenciais da forma que for possível e saudável como recomendam o apelo feito por grandes instituições mundiais, como a OMS, Unicef e Unesco, as quais “apelam aos governos para que priorizem a abertura das escolas”, atendendo as necessidades educacionais que sejam necessárias, a todos os alunos, suas famílias e equipe escolar.

 

Luiz Carlos – Na área médica, aguardo com expectativa as ações do Executivo e Legislativo no que se refere à nossa Santa Casa. Como cirurgião e gastroenterologista necessito de um hospital para resolver parte da demanda dos meus pacientes. A Santa Casa passa por uma crise econômica e de credibilidade. Fiz parte da equipe de intervenção que se encerrou em 31 de dezembro 2020 e vivenciei as dificuldades de administrar uma entidade tão complexa, com tantas necessidades, tantas urgências e com poucos recursos. Difícil entender e aceitar muitas críticas recebidas por parte da imprensa, que ajudou a piorar a credibilidade da instituição, e não ajudou a resolver qualquer problema com ideias ou críticas construtivas. Isso tem que ser revertido, pois essa instituição muitas vezes é o único local de atendimento e tratamento de tantos baririenses. Independentemente do poder aquisitivo do morador de Bariri, é na Santa Casa que ele receberá os primeiros socorros numa urgência ou emergência. Espero que 2021 seja um ano onde haja um esforço concentrado entre Executivo, políticos, população, funcionários, dirigentes, imprensa, com a finalidade de manter a Santa Casa de Bariri em funcionamento.

 

Renilson Giraldelli – Como todo brasileiro, eu espero que em 2021 as coisas melhorem até no final do primeiro semestre, pois com o início da vacinação prevista para meados de janeiro, teremos algo a mais de positivo para comemorar. Já na minha área eu espero que o governo federal continue ajudando as empresas, mantendo as linhas de créditos com os juros baixos disponíveis. No meu ponto de vista, a prioridade para as empresa é que façam um planejamento financeiro para poderem manter um bom fluxo de caixa, com isso ficará um pouco mais fácil seguir pelos meses de 2021, lembrando que o mercado brasileiro começou a retomar o seu crescimento, então as empresas têm que estar preparadas para esse momento.

 

Candeia – Em relação a Bariri, quais os desafios do município para 2021?

 

Anai Simões – Um dos principais desafios é superar as consequências trazidas pela pandemia que estamos vivendo e aguardar o fim da mesma. A cidade está precisando de um olhar mais humanizado para todas as principais áreas. Acredito que com vontade e transparência, aos poucos a cidade vai voltar a se desenvolver e consequentemente oferecer uma qualidade de vida melhor para a população.

 

Gisleine Camillo – No meu ponto de vista, creio que é preciso criar uma identidade educacional e tomarmos posição mediante a mesma. Segundo Zygmunt Bauman “… você tem que criar sua própria identidade. Você não a herda. Não apenas você precisa fazer isso a partir do zero, mas você tem que passar sua vida, de fato, redefinindo sua identidade.”, se nós temos que recriar nossa identidade, imaginem a escola que é um organismo vivo, atendendo as demandas das individualidades e do coletivo das comunidades onde estão inseridas. A identidade educacional tem seus atributos essenciais e acidentais, necessita de clareza, pois sem ela os partícipes perdem o foco, as ênfases do trabalho, perdem a força. O conceito de Identidade Educacional pode ser compreendido facilmente quando fazemos uma analogia com o ser humano. As características físicas de uma pessoa (cor de cabelo, dos olhos, biotipo, vestuário), podem ser alteradas com facilidade através de tintura de cabelos, lentes de contato, cirurgia plástica, roupas diferenciadas; mas a essência da pessoa é algo que dificilmente sofre mutação com o tempo. Características como ser introspectivo ou não, ser “goodness of fit” (adaptação excelente), ser íntegro ou não, por exemplo, acompanham a pessoa ao longo da vida. De maneira semelhante se dá com os sistemas educacionais e as escolas.

 

Luiz Carlos – Como todos os municípios, o desafio maior é voltar a crescer, criar empregos, recuperar-se da paralisia causada pela pandemia da covid-19. Outro desafio importante é a educação, que foi muito prejudicada em 2020 e, em minha opinião, o único caminho para termos uma cidade melhor. A segurança também deve ser vista com carinho, pois, na minha opinião, temos poucos profissionais na área, com baixa remuneração e expostos a riscos no combate ao crime. Na saúde, minha área de atuação, acredito ter colocado os desafios nas perguntas anteriores. Temos hoje um novo prefeito, eleito democraticamente pelo povo de Bariri e que terá que encarar esses desafios com uma equipe técnica, responsável, comprometida, capacitada, em todas as áreas para fazer nossa cidade crescer.

 

Renilson Giraldelli – Em Bariri o nosso comércio sofreu muito com as medidas de restrição adotadas pelo governo estadual. Com isso o comércio em geral ficou bem fragilizado. Mas teremos que vencer mais esse desafio e, para isso, teremos que ter criatividade e muito esforço, não só dos proprietários das empresas, mas principalmente de seus colaboradores.

 

Saiba mais sobre os entrevistados

 

Anai Lagatta Padovani Martins Simões, 33 anos, é nascida em Bariri. Possui bacharelado em Administração com habilitação em Comércio Exterior (ITE) e curso de Introdução às Finanças na LSE (Londres). Atuou majoritariamente em bancos privados e bancos de investimentos, com experiência também na área comercial em empresas. É sócia-proprietária da Kailua Massas e Salgados e esposa de Abelardo Maurício Martins Simões Filho (MDB), que ontem (1º) tomou posse como prefeito de Bariri.

 

Gisleine Macena Camillo, 59 anos, é nascida em Bariri. É pedagoga de formação com especialização em Metodologias de Ensino e Deficiência Intelectual. Atua como mantenedora e diretora geral da Escola Mini Mundo e Colégio Max Beny Macena (Fundamental e Médio). Foi professora da rede pública estadual, diretora na rede municipal e prestou assessoria pedagógica em várias escolas, prefeituras da região e sistemas de ensino.

 

Luiz Carlos Ferraz do Amaral, 59 anos, é nascido em São Paulo. Cursou Medicina na Universidade Estadual Paulista (Unesp) e realizou especialização na área de cirurgia do aparelho digestivo e endoscopia digestiva na mesma instituição. Possui especialização em Medicina do Trabalho pela Universidade São Francisco. Em Bariri atua na área de cirurgia geral e cirurgia do aparelho digestivo na Santa Casa de Bariri, concursado pela prefeitura e atuando como gastroenterologista, sócio-proprietário das empresas Prevent Medicina do Trabalho e Astra Segurança do Trabalho, com consultório particular atuando nas áreas de clínica, cirurgia e endoscopia digestiva.

 

Renilson Genivaldo Giraldelli, 46 anos, é nascido em Bariri. É formado em Ciências Contábeis pela Faculdade de Administração de Empresas de Jaú. Iniciou seus trabalhos no Escritório Sistema em 1994, exercendo a função de Auxiliar de Escrita Fiscal. Formou-se em 1996 como contador. Nessa função é preciso que haja aprimoramento diário, com as mudanças da legislação e a criação de novas leis e decretos. É sócio-proprietário do Sistema Assessoria Contábil e Gerencial, membro do Conselho Fiscal da Associação Comercial e Industrial de Bariri (Acib) e presidente do Conselho Desenvolvimento de Bariri até o fim de 2020.