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Abílio Giacon Neto

“Muitas pessoas ainda não perceberam a importância dos benefícios da separação do lixo”

A empresa Mazo & Giacon Ltda venceu licitação feita pela prefeitura para recolhimento do lixo doméstico casa a casa em Bariri. O valor do contrato é de R$ 1,554 milhão pelo período de 12 meses. Na opinião do empresário Abílio Giacon Neto, 35 anos, que administra a firma desde 2008, a população pode colaborar com o trabalho de várias formas. Uma delas é separar o lixo úmido do lixo seco (papéis, plásticos, latas etc.) e colocar o material reciclável nas calçadas às quartas-feiras, dia da coleta seletiva em Bariri. Outra maneira é tomar cuidado com o descarte de objetos cortantes, como cacos de vidro. “Registramos um número alto de acidentes com objetos cortantes devido ao descarte incorreto”, afirma Giacon Neto. Os resíduos sólidos de Bariri passam por três etapas, todas custeadas com dinheiro público. A Mazo & Giacon realiza a coleta em todos os bairros e leva o material para área de transbordo às margens da SP-304, entre Bariri e Itaju. Outra empresa leva esse material desse local até empresa particular sediada em Piratininga. Cabe a essa firma dar o destino final ao lixo. Giacon Neto trabalhou como auxiliar administrativo, em departamento pessoal e como analista de recursos humanos. Há 11 anos administra a Mazo & Giacon.

Candeia – A empresa Mazo & Giacon Ltda venceu licitação para recolhimento do lixo domiciliar com proposta anual de R$ 1,554 milhão. O contrato que se encerra neste mês está no montante de R$ 1,289 milhão, ou seja, 20% a mais. A que fatores se devem esse aumento de preço?
Giacon Neto – Esse reajuste no valor do contrato deve-se a vários fatores. Vou citar os principais deles e os que mais influenciaram para justificar o reajuste e o equilíbrio financeiro. Um dos principais motivos para o reajuste é o aumento dos bairros, o crescimento urbano de Bariri nesses últimos anos foi muito grande, nossa cidade é um dos poucos municípios em que a coleta de lixo é realizada diariamente por todas as ruas e avenidas e todos os bairros, sem deixar nenhum para trás. Outro importante motivo é o constante aumento do óleo diesel e seus derivados; hoje rodamos aproximadamente em média 300 quilômetros diários para realizar a coleta em todo município, sem contar os bairros distantes da cidade em que também temos que realizar a coleta do lixo. Outro importante fator são os aumentos dos impostos cobrados pelo governo e também o reajuste salarial dos funcionários com o dissídio anual realizado pelo sindicato. Devido a esses motivos e outros, é necessário realizar esse reajuste para que se tenha um equilíbrio financeiro e seja possível realizar o trabalho com qualidade, lembrando que o valor do contrato da prefeitura de Bariri com a coleta de lixo é um dos mais baixos, se não for o mais baixo, de todo Estado de São Paulo.

Candeia – No dia a dia como é feito o serviço de coleta de lixo em Bariri?
Giacon Neto – A coleta de lixo em nossa cidade é realizada diariamente, exceto domingos e feriados, e segue todas as regras contratuais exigidas pelo contrato de prestação de serviço com a prefeitura de Bariri. Em nossa cidade é exigido um total de quatro caminhões diariamente trabalhando ao mesmo tempo para realizar a coleta de todo lixo da cidade e um quinto caminhão reserva para que qualquer eventual quebra, imediatamente o serviço tenha continuidade para que não cause transtornos e atrasos no serviço, realizando sempre com a melhor qualidade possível. O serviço de coleta é iniciado diariamente às 5 horas da manhã e termina em média por volta das 13 horas todos os dias. Cada caminhão é destinado ao seu setor e em média são recolhidas 30 toneladas de lixo por dia. Há um horário diferente para o serviço de coleta do lixo na região central, para evitar o congestionamento no trânsito. Ali, a coleta de lixo é feita no horário noturno, tem inicio às 18 horas e termina por volta das 20 horas.

Candeia – Que medidas a população pode adotar para facilitar o trabalho dos coletores? Há registros de acidentes com objetos cortantes?
Giacon Neto – A ajuda e colaboração da população é de extrema importância em relação ao trabalho dos coletores, registramos um número alto de acidentes com objetos cortantes devido ao descarte incorreto. Por isso, gostaria de pedir e frisar o quanto é importante a ajuda e participação da população na hora de descartar qualquer tipo de material cortante, como vidro, espelho, facas, objetos pontiagudos e materiais relacionados a saúde, como seringas e agulhas. Para ajudar a evitar acidentes, na hora em que for descartar este tipo de material, é muito importe que ele esteja embalado em jornal ou papelão e se possível descartar o mesmo fora do restante do lixo e com um aviso de material cortante, com certeza diminuiria o número de acidentes. Em relação ao material de lixo contaminante, é extremamente proibido jogar agulhas e seringas no lixo comum; isso vem ocorrendo constantemente e a pessoa às vezes não sabe o perigo que é para um coletor, que pode se acidentar com um material contaminado. Esse tipo de lixo tem que ser descartado em farmácias e hospitais, para que se tenha um destino correto e também é importante lembrar que descartar lixo contaminante no lixo comum pode gerar multas e infrações para a pessoa que cometer o descarte. Peço para que toda população colabore e tenha sempre atenção e consciência na hora de descartar lixo de material cortante e que o lixo contaminante seja descartado em local correto e apropriado para seu destino final.

Candeia – Qual sua avaliação da coleta seletiva, feita às quartas-feiras em Bariri? De que forma ela pode ser melhorada?
Giacon Neto – Quando é implantada ou realizada uma alteração num serviço que há quase 30 anos vinha sendo feita do mesmo jeito, com certeza causa problemas, por isso no começo foi muito difícil e posso dizer que até o momento ainda temos que fortalecer o trabalho da coleta seletiva ainda a uma parte da população que não aderiu a proposta, que continua a descartar o lixo como sempre fez. É com essa parte da população que temos que mostrar a importância da separação do lixo feito em casa, esse número de 12 toneladas pode aumentar muito mais, trazendo ainda mais benefícios para o município e para população. Uma grande parte da população desde o inicio vem contribuindo e ajudando cada vez mais, separam o lixo seco do lixo úmido, isso facilita e ajuda muito o processo de separação que é realizado depois da coleta. Esse primeiro passo, que é a separação feita em casa, é um dos mais importantes de todo processo da coleta seletiva, por isso destacamos o quanto é importante a participação de todos. Muitos, acredito eu, ainda não perceberam a importância dos benefícios da separação do lixo. Essa prática já é comum em muitas cidades de todo mundo, não apenas a questão financeira, mas também para uma cidade limpa, um meio ambiente menos agredido, uma qualidade de vida melhor. Acredito que se as pessoas começarem a olhar com mais atenção, a atividade pode melhorar muito, o lixo seco não tem odor, mantê-lo armazenado em casa por alguns dias não vai causar problema nenhum, peço a colaboração e a participação de todos, para que o projeto da coleta seletiva ganhe mais força e não deixe de ser realizado.

Candeia – Há catadores autônomos que passam nas casas às quartas-feiras. O senhor acredita que é possível integrar o trabalho deles ao realizado pela Mazo & Giacon Ltda?
Giacon Neto – O número de catadores autônomos cresceu muito apos o início da coleta seletiva, podemos perceber ainda mais às quartas-feiras, dia exclusivo para material reciclado, fica mais evidente este número, pois já a partir da madrugada eles começam a realizar a coleta do material antes mesmo do início da coleta realizada pela empresa. No inicio tínhamos uma média de 12 toneladas mensais, hoje estamos com uma media de 7 a 8 toneladas mensal, essa redução deve-se ao fato de os catadores coletarem o material antecipadamente, isso fez reduzir o número do material coletado, porém, não vejo problema em relação a isto, devido ao fato de saber que ainda muitas pessoas dependem da coleta e venda deste material para obter sua renda. Acredito que é possível sim haver uma integração, porém, é necessário realizar algumas coisas, a principal delas seria uma cooperativa e uma organização melhor por parte dos catadores, a união deles é o principal passo para organizar e criarmos força para iniciar um projeto de cooperativa.

Candeia – Qual o destino dado ao lixo reciclável no município?
Giacon Neto – Ainda não temos em Bariri uma empresa que faz o processo final destes materiais, ou seja, transformá-los novamente em embalagens ou produtos reutilizáveis, por isso, por enquanto é feito todo processo de separação por tipo de material e depois realizado o processo de primeira etapa, que é o enfardamento, classificação e por fim é vendido para empresas de outras cidades que vão fazer a utilização para reutilizar esse material. Essa quantia média de 7 a 8 toneladas pode parecer um número alto, mas é muito pequeno quando se trata de material reciclado, por isso que ainda temos que conscientizar e separar com muito mais cuidado e atenção o material reciclável em casa. Hoje, de 30% a 40% de lixo reciclado não está sendo descartado, é uma quantia baixa perto do volume de material que ainda é descartado junto com o lixo orgânico, mais da metade ainda está sendo jogado fora. O dinheiro que é recebido pela venda destes materiais é muito pouco, ele é usado para investir na própria coleta seletiva e complementar a renda dos funcionários.

Candeia – A prefeitura pretende fazer concessão à iniciativa privada de área desapropriada para o novo aterro sanitário. Qual sua opinião sobre essa medida? A empresa pretende participar da licitação, caso a Câmara aprove o projeto do Executivo?
Giacon Neto – Um aterro sanitário do próprio município seria muito importante, pois hoje o custo para realizar o destino final do lixo de Bariri é alto. Um aterro próprio com certeza iria ajudar no fator principal que é a economia que pode gerar na cidade e também há uma possibilidade até de um aumento de renda, no caso deste aterro poder receber lixo de outros locais que vivem a mesma situação que Bariri que são obrigados a enviar seu lixo para aterros particulares. O custo e manutenção, implantação e estrutura de um aterro autorizado a receber resíduos é um investimento muito alto, porém, vamos aguardar se acaso a prefeitura realizar o processo de licitação, vamos analisar e ver a possibilidade de participarmos também.