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Marcílio César Frederici de Mello

“Acreditamos que a motivação inicial seria o carro, porque é o bem mais valioso que a vítima tinha”

O delegado titular da Polícia Civil de Bariri, Marcílio César Frederici de Mello, diz que a linha de investigação relacionada à morte de Mariana Forti Bazza, 19 anos, é latrocínio consumado (roubo seguido de morte). Segundo ele, a legislação brasileira é falha ao permitir que pessoas com graves antecedentes criminais ganhem a liberdade para eventualmente praticarem novos crimes. O caso se aplica ao delito que ocorreu nesta semana em Bariri em que Rodrigo Pereira Alves, 37 anos, é acusado de ter matado Mariana. Segundo Marcílio Mello, após os 18 anos de idade, Rodrigo Alves passou boa parte do tempo preso pelos crimes de latrocínio e estupro. “Uma pessoa que demonstrou esse caráter criminoso vai reincidir”, afirma o delegado em relação ao acusado de ter tirado a vida da jovem baririense. Pelo fato de o homem estar preso em flagrante, a Polícia Civil tem 10 dias para concluir o inquérito, independentemente da chegada dos laudos periciais. Concluído o trabalho policial, caberá ao Ministério Público (MP) oferecer denúncia à Justiça.

Candeia – Em relação ao caso da morte da jovem Mariana, o que a Polícia Civil já apurou e quais os próximos passos da investigação?
Marcílio Mello – Assim que tivemos conhecimento do ocorrido, as diligências foram automáticas e possibilitaram a prisão em flagrante do autor. Foi o primeiro grande passo que demos para desvendar toda essa tragédia que ocorreu em Bariri. Com a prisão do autor foi possível qualificar o fato, a princípio, como roubo. Tínhamos evidências indicando que ele subtraiu pelo menos o veículo da vítima e aparelho de som. Não fechávamos o trabalho enquanto a vítima não fosse encontrada.

Candeia – Estando ela viva ou morta…
Marcílio Mello – Nossa expectativa ontem (quarta-feira), quando começamos o dia, era encontrá-la com vida e dar uma resposta mais favorável ao caso. Infelizmente isso saiu do controle e não conseguimos. Mas localizamos a vítima já sem vida no local indicado pelo próprio autor e classificamos o fato como latrocínio consumado (roubo seguido de morte) e é assim que o inquérito vai seguir.

Candeia – Há possibilidade de que o crime tenha alguma conotação sexual?
Marcílio Mello – Muito embora todas as evidências apontem para o autor e de que tenha agido sozinho, na hora de explicar a motivação ele recua e é evasivo nas respostas. Acreditamos que a motivação inicial seria o carro, porque é o bem mais valioso que a vítima tinha. O veículo foi levado de Bariri. Não temos ainda as respostas de o porquê a vítima ter sido morta se o interesse era o carro. Aguardo os laudos periciais para apontar se houve algum outro envolvimento criminoso dele com a mulher para tentar fechar a real motivação do autor.

Candeia – A polícia também leva em consideração o fato de ele ter eventualmente criado uma situação de oferecer ajuda para se aproximar da vítima?
Marcílio Mello – Acreditamos que realmente ele tenha murchado o pneu do carro. Temos imagens de quando o automóvel estava estacionado, com a vítima na academia, e ele se aproxima do veículo. Temos testemunha que será ouvida e deve confirmar essa questão.

Candeia – Por que ele simplesmente não furtou o veículo? Se eventualmente fosse pego, o crime teria um menor potencial de punição.
Marcílio Mello – Mesmo a intenção sendo o veículo, acabamos pensando como pessoas normais. Mas não sabemos como o marginal pensa. Quantas vezes uma pessoa perdeu a vida por causa de um carro. E até mesmo um telefone celular. A intenção do autor é muito íntima. Como vai praticar o crime? É ele que decide. Pode ser que seja só o carro e pode ser que a vítima tenha perdido a vítima por causa do carro.

Candeia – Qual o trajeto feito pelo autor até ser preso no fim da noite de terça-feira em Itápolis?
Marcílio Mello – O trajeto percorrido foi em direção a Itápolis. Os radares não apontam a passagem do veículo, mas o celular permitiu a localização dele e também do automóvel em Itápolis. O importante é que ele estava próximo do veículo e isso liga ainda mais ele ao crime. O autor avançou Itápolis, indo em direção a Ibitinga, onde o corpo da mulher foi encontrado. Se ele resolver ficar calado o tempo todo, algumas questões podem não ficar tão claras. A prova é robusta ligando ele ao crime.

Candeia – Como fica a divulgação do trabalho da polícia com a decretação do sigilo das investigações pela Justiça?
Marcílio Mello – Terei acesso à decisão judicial no sistema eletrônico e vamos verificar o que foi determinado, cumprindo a decisão.

Candeia – O que a polícia sabe sobre a vida pregressa do Rodrigo?
Marcílio Mello – Ele tem 37 anos de idade e depois da maioridade, após os 18 anos, passou praticamente o tempo todo em cadeias. Pessoalmente, disse para mim que tem condenação por latrocínio. Foi roubar uma motocicleta em São Paulo e acabou matando a vítima. Também tem condenação por estupro. É um elemento com ficha criminal muito negativa e os antecedentes demonstram quem ele é. Aí é possível entender tamanha agressividade com a vítima.

Candeia – Desde quando ele estava em Bariri e o que fazia na cidade?
Marcílio Mello – Há cerca de 30 dias estava em liberdade. Fazia reparos na chácara em frente da academia. Isso o aproximou da vítima. Cada vez mais temos a impressão de que o crime foi premeditado.

Candeia – Muito se fala o motivo pelo qual uma pessoa com esse perfil estaria fazendo em liberdade. O senhor atribuiu isso a uma falha de nossa legislação?
Marcílio Mello – Sem dúvida. Uma pessoa que demonstrou esse caráter criminoso vai reincidir. A chance de recuperação nós conhecemos porque trabalhamos com isso há 30 anos. É imensa a possibilidade de reincidência de um elemento que já demonstrou essa agressividade na sua conduta e comportamento.