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Brasil deve voltar a investir no agronegócio

12 jan, 2019

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Paulo André Camuri

“O agronegócio é hoje responsável por 21,6% do PIB brasileiro, 31% da mão de obra e 44% das exportações”

Para o Brasil voltar a crescer economicamente e gerar empregos é preciso que haja investimento na vocação nacional: o agronegócio. A opinião é do economista baririense Paulo André Camuri, mestre e doutor pelo Centro de Desenvolvimento e Planejamento Regional (Cedeplar), da Universidade Federal de Minas Gerais. Segundo ele, a retomada da atividade econômica em 2019 tende a refletir em efeitos multiplicadores positivos para a economia de Bariri e região. Camuri trabalhou como economista do Sebrae-MG entre 2006 e 2008 e foi consultor internacional da FAO entre 2008 e 2010. Atualmente trabalha como assessor técnico do Núcleo Econômico da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e como professor de Graduação e Pós-graduação da Faculdade CNA, em Brasília.

Candeia – O que o senhor espera do novo governo federal em relação a medidas econômicas?

Camuri – O novo governo tem uma série de desafios que precisam ser enfrentados para viabilizar a retomada do crescimento e da geração de emprego e renda. Além das reformas estruturantes (principalmente a da Previdência e Tributária) que primem, de fato, por equidade social e fim de privilégios, é preciso enfrentar os gargalos logístico e de infraestruturas. Para isso, espera-se que o governo viabilize novas concessões e parcerias público-privadas que garantam estradas melhores e menor custo de transporte, tanto dos insumos como da produção agropecuária. Seguindo o viés liberal do novo governo, espera-se a revogação imediata do tabelamento de fretes. O fim do tabelamento é essencial, pois, ao ferir o livre mercado, onera demasiadamente o produtor brasileiro e acaba por encarecer o preço dos alimentos pagos por todos os brasileiros. Os mais pobres, aqueles que gastam a maior parcela de sua renda com alimentação, são particularmente mais prejudicados.

Candeia – Em sua opinião, o que é necessário ser feito para o Brasil voltar a crescer economicamente e voltar a gerar empregos?

Camuri – É preciso voltar a investir na vocação nacional que é o agronegócio. O agronegócio é hoje responsável por 21,6% do PIB brasileiro, 31% da mão de obra e 44% das exportações. Desde 2001 o agronegócio vem garantindo superávit à Balança Comercial Brasileira, apesar dos sucessivos déficits comerciais dos demais setores da economia brasileira. O produtor brasileiro é altamente produtivo da “porteira para dentro”. De 1976 (quando a Embrapa foi criada) a 2018 a produção no campo cresceu 385%, enquanto a área plantada aumentou apenas 65%. Isso só foi possível graças a um acréscimo de 184% na produtividade no campo, um efeito “poupa-terra” de 181,5 milhões de hectares. Infelizmente muito desse ganho é perdido “fora da porteira” via alto custo e perda de produtos no transporte, alta carga tributária, baixa capacidade de armazenamento, restrita cobertura de seguro rural, etc. Para voltar a crescer é preciso que o Brasil volte a investir em sua vocação que é o agronegócio: nos segmentos de insumos (máquinas agrícolas, fertilizantes, vacinas, etc); primário agrícola e pecuário; agroindústria e agrosserviços. Simplificação tributária, enfrentamento das barreiras comerciais e sanitárias, acordos bi e multilaterais, ampliação da cobertura do seguro rural e superação dos gargalos logístico e de infraestruturas também são medidas fundamentais para a retomada do crescimento sustentável.

Candeia – Como assessor econômico da Confederação Nacional da Agricultura, quais suas expectativas em relação ao setor agropecuário para 2019?

Camuri – As expectativas são otimistas para o agronegócio em 2019. O ainda baixo ritmo da atividade econômica em 2018 foi bastante adverso para o ramo de carnes. O fechamento abrupto de importantes mercados internacionais afetou seriamente o ramo pecuário, com consequências significativas sobre a renda gerada no agronegócio como um todo. Para 2019 espera-se um crescimento de 2,5% do PIB brasileiro e de aproximadamente 2% para o PIB tanto da agricultura (dentro da porteira), como para o do agronegócio como um todo (insumos, primário, agroindústria e agrosserviços). Espera-se também que em 2019 se acentue a retomada de preços dos produtos agropecuários, que apesar da recuperação iniciada no 2° semestre de 2018, seguem em baixo patamar desde o último trimestre de 2017. Passadas as incertezas eleitorais, espera-se uma taxa de câmbio menos volátil e mais apreciada (dólar mais barato, à medida que as reformas estruturais vão sendo implementadas), contribuindo para custos menores com fertilizantes e outros insumos importados essenciais às atividades agropecuárias. Com custos menores e preços maiores, espera-se incremento de 2% na renda gerada nas atividades do agronegócio em 2019. Em termos de safra, o 4° Levantamento da safra de grãos realizado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) aponta que a estimativa da produção de grãos para a safra 2018/19 é de 237,3 milhões de toneladas, um incremento de 9,5milhões de toneladas (4,2%) frente à safra 2017/18.

Candeia – Que atividades agropecuárias devem ter destaque neste ano?

Camuri – Segundo a Conab, os destaques para a safra 2018/19 devem ser a soja (com aumento de 1,7% na área plantada, mas redução de 0,4% na produção estimada em 118,8 milhões de toneladas, o milho de primeira e segunda safras (aumento de 12,9% na produção chegando a 91,2 milhões de toneladas) e algodão (aumento de 25,3% na área e 20,3% na produção).

Candeia – Na região prevalece o plantio da cana-de-açúcar. Como o senhor analisa essa cultura em 2019? Consegue vislumbrar espaço para outras culturas, conforme as características da nossa região?

Camuri – A seca, infestação de pragas e os canaviais envelhecidos afetaram a produtividade e levaram a oferta de cana na safra 2018/19 a manter o patamar da safra anterior. O aumento do preço do petróleo, a depreciação cambial e o excesso de oferta mundial de açúcar levaram a um aumento de 25% da produção de etanol em 2018 e queda na produção de açúcar. Já para 2019, o mix de produção pode ser novamente alterado a favor do açúcar, diante, primeiro, da queda na oferta mundial de açúcar, o que tende a permitir alguma recuperação de seu preço; e, segundo, da recente valorização do real frente ao dólar,o que reduz a competitividade do etanol brasileiro frente ao etanol de milho norte-americano. No que se refere à cana de açúcar, em 2019, a CNA intensificará seus esforços para garantir: remuneração adequada aos fornecedores de cana, diante da não aceitação da atualização dos índices do Consecana – a CNA, juntamente com agentes do setor, está considerando a criação de um índice de preços para a cana; regulamentação do RenovaBio – a CNA quer que os fornecedores de cana de açúcar tenham participação nas receitas geradas pela emissão dos Certificados de Descarbonização (CBios); produção e comercialização direta de energia renovável por parte do produtor; e aumento da eficiência produtiva agrícola.

Candeia – Que fatores podem impulsionar economicamente Bariri e região neste ano?

Camuri – A retomada da atividade econômica em 2019 tende a refletir em efeitos multiplicadores positivos para a economia de Bariri e região. O aumento do consumo e dos investimentos, juntamente com a continuidade da recuperação de preços dos produtos agrícolas – particularmente dos derivados de cana-de-açúcar, da laranja e da pecuária bovina – devem refletir na intensificação das atividades do comércio e dos serviços de Bariri e região.

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