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José Geraldo Catharin

“O intuito é o empoderamento desses sujeitos para o enfrentamento das adversidades, da exclusão e da discriminação ainda tão evidentes na sociedade”

A Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) de Bariri completa 45 anos neste mês. O presidente da entidade, José Geraldo Catharin, afirma que os maiores desafios hoje são valorizar as pessoas, meta que diz respeito às organizações sociais como um todo. Segundo ele, o objetivo do trabalho é que as pessoas atendidas estejam aptas a enfrentar as adversidades, a exclusão e a discriminação. Na entrevista concedida ao Candeia, Catharin explica os atendimentos dados pela Apae e os recursos para manutenção da instituição. Casado e pai de um filho, Catharin formou-se em medicina veterinária em 1992 pela Unoeste Presidente Prudente. Há 26 anos atua nessa área. “À frente da Apae, agradeço a Deus por ter me dado a oportunidade para conduzir os trabalhos como presidente da entidade”, diz ele. “Devo também agradecer a todos os diretores pelo empenho em suas funções e a todos os colaboradores; sem o apoio de vocês nada disso seria possível.”

Candeia – Como surgiu a Apae de Bariri?
Catharin – O movimento apaeano está instalado no Brasil desde 11 de dezembro de 1954, fundado pela americana Beatrice Bemis, membro do corpo diplomático norte-americano e mãe de uma criança com Síndrome de Down. A Apae do Brasil, atual Apae do Rio de Janeiro, teve como sua primeira sede parte de um prédio da Sociedade Pestalozzi do Brasil. O fundador da escola para crianças excepcionais dentro da Apae foi o professor La Fayette Cortes. As oficinas foram de iniciativa da professora Olívia Pereira. É uma grande rede, constituída por pais, amigos, pessoas com deficiência, voluntários, profissionais e instituições parceiras – públicas e privadas – para a promoção e defesa dos direitos de cidadania da pessoa com deficiência e a sua inclusão social. Atualmente, o Movimento congrega a Fenapaes (Federação Nacional das Apaes), vinte e três federações das Apaes nos Estados e mais de duas mil Apaes distribuídas em todo o País, que propiciam atenção integral a cerca de 350.000 pessoas com deficiência. É o maior movimento social do Brasil e do mundo, na sua área de atuação. A Apae de Bariri foi fundada em 9 de agosto de 1974. Começou com o trabalho dos pais de pessoas com deficiência, por voluntários da comunidade e do Rotary Club, iniciando assim suas atividades em prédio cedido pela prefeitura. Atende os municípios de Bariri, Itaju e Boraceia, das zonas urbanas e rurais. É uma entidade com preponderância no serviço assistencial, que também presta serviços na área de Educação Especial e Saúde.

Candeia – Nesses 45 anos de atividades, quais os maiores desafios?
Catharin – Vivem-se outros momentos na história das organizações sociais, em que os principais valores são as pessoas, sendo meta da Rede Apae, na condição de autônomas, resilientes e protagonistas. São competências que se constroem e se complementam, podendo resultar no empoderamento desses sujeitos para o enfrentamento das adversidades, da exclusão e da discriminação ainda tão evidentes na sociedade. Assim, essa construção é um grande desafio atual, juntamente do financeiro.

Candeia – Como está o atendimento da entidade hoje? Quantas pessoas são atendidas e como é feita a separação entre os serviços prestados pela instituição?
Catharin – A Apae de Bariri atende nas áreas do Social (como preponderância), Saúde e Educação, com indicadores quantitativos, em média de: 43 alunos na escola de educação especial; 23 alunos no Atendimento Educacional Especializado; 55 usuários no Projeto Social; 38 pacientes entre os serviços de Diagnóstico e Estimulação Precoce. O atendimento às famílias e comunidade que somam mais de 150 famílias. Cada serviço tem sua legislação e seu protocolo de acesso e de permanência. O público-alvo dos serviços são pessoas com deficiência intelectual e/ou múltipla.

Candeia – Que atividades são ministradas no dia a dia da Apae?
Catharin – A formação para execução dos serviços ocorre da seguinte forma: na área Social, há duas frentes: a Assistência Social que realiza ações caracterizadas pela Tipificação Nacional dos Serviços Socioassistenciais, como: busca ativa, visita domiciliar, encaminhamentos, benefícios, realização de parcerias, apoio/orientação aos usuários, às famílias e comunidade, entre outras. E o Projeto Social, que atende a partir dos 18 anos, com o objetivo de habilitação/reabilitação social e convivência. Conta com coordenadora (graduada em terapia ocupacional), assistente social, educadoras sociais, facilitadores de oficinas e psicóloga. São em média 55 usuários atendidos e suas famílias. Na área da educação conta também com dois serviços: a Escola de Educação Especial e o Atendimento Educacional Especializado. A Escola de Educação Especial atende alunos de 6 a 30 anos, do 1° ao 5° ano do Ensino Fundamental, segue a grade curricular nacional comum, porém adaptado ao Currículo Funcional, atende 4h por dia. Conta com a seguinte equipe: professoras especialistas, professor de Educação Física e Artes, diretora pedagógica, coordenadora pedagógica, inspetor, equipe de apoio multidisciplinar nas áreas de psicologia, terapia ocupacional, fisioterapia e fonoaudiologia. O Atendimento Educacional Especializado diz respeito a alunos matriculados na escola comum municipal, que vêm para atendimento multidisciplinar com o objetivo de complementar e favorecer a inclusão escolar. São atendidos por uma equipe multiprofissional: Pedagogia, Psicologia, Fisioterapia, Fonoaudiologia, Terapia Ocupacional.

Candeia – Há também os atendimentos na área da Saúde…
Catharin – Sim. Na área da Saúde esse serviço possui três segmentos: o de Diagnóstico em Deficiência Intelectual (preferencialmente de 3 até 17 anos e 8 meses), o Programa de Estimulação Precoce (de 0 a 7 anos) e os serviços de apoio aos atendidos nos demais serviços. Conta com fisioterapeuta, fonoaudióloga, psicóloga, terapeuta ocupacional, técnica de enfermagem, monitoras, coordenador e médico psiquiatra. Todos os serviços da OSC contam com equipe indireta de apoio: motorista, serviço de limpeza, recepcionista, cozinheira, assistente administrativo, técnica de enfermagem, diretora, voluntários, etc.

Candeia – De onde provêm os recursos financeiros para manutenção da Apae?
Catharin – Os serviços da Apae são financiados pelas esferas governamentais, recursos próprios, eventos, campanhas e promoções. Em média, o gasto é de R$ 1 milhão por ano. Desse montante, 60% vêm de parcerias com as prefeituras de Bariri, de Boraceia e de Itaju e das esferas do governo estadual e federal. Os demais 40% são por meio de recursos próprios. Recebemos o Programa de Alimentação Municipal, que conta com assistência da nutricionista e participamos do Programa SESC Mesa Brasil.

Candeia – Como avalia a participação da comunidade na ajuda à entidade?
Catharin – Acreditamos que cada um faz o seu possível. O apoio nas campanhas e eventos em prol da Apae tem sempre bom êxito e resultado. Aproveitamos para informar que a Apae tem uma parceria com o Saemba, onde pode ser feita uma doação. A pessoa informa à autarquia o valor que quer pagar junto com a conta de água. Em seguida, o Saemba repassa o valor para a Apae.