Foto: Robertinho Coletta/Candeia
Alcir Zago
Uma das questões que mais preocupam no momento é a escassez de oferta de empregos. Em nível nacional, conforme o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Brasil fechou o ano de 2018 com 12,2 milhões de desempregados.
No que diz respeito a Bariri, é possível verificar a quantidade de emprego com carteira assinada no Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), da Secretaria de Trabalho, ligada ao Ministério da Economia.
A reportagem contabilizou as contratações e as demissões entre 2008 e 2018. Nesse período as admissões de trabalhadores registraram queda de quase 50%. Em 2008 foram contratadas por empresas instaladas na cidade 6.186 pessoas. O ano passado encerrou com a admissão de 3.196 trabalhadores.
Conforme mostra o quadro, é possível verificar que a oferta de empregos vem caindo ano a ano. Além disso, de 2012 para cá, com exceção de 2014, as demissões superaram as contratações no município (veja tabela).
Maior empregador de Bariri, o setor industrial contratou menos na última década. Foram 2.711 admissões em 2008, contra 1.102 no ano passado (59,3% a menos).
A agropecuária gerava muitos postos de trabalho na cidade há 10 anos, mas enfrenta queda acentuada nas vagas formais.
Os setores de comércio e serviços tiveram um incremento nas vagas de emprego em 2013 em comparação a 2008 (período de cinco anos), no entanto, no ano passado (também período de cinco anos) contrataram menos.
Os dois primeiros meses de 2019 seguem a tendência de 2018. Em janeiro e em fevereiro deste ano foram admitidos 535 trabalhadores no município. As dispensas totalizaram 617 vagas, resultando em saldo negativo de 82.
O Posto de Atendimento ao Trabalhador (PAT) de Bariri, por exemplo, realizou quase 7 mil atendimentos entre 1º de julho do ano passado e 25 de março deste ano. As pessoas procuraram o órgão em busca do requerimento do seguro-desemprego, de vagas de trabalho e obtenção da carteira de trabalho.
Ciclo
Na opinião do presidente da Associação Comercial e Industrial de Bariri (Acib) e superintendente da Della Coletta Bioenergia (DC Bio), José Roberto Dalla Coletta, há componentes nacional e local que explicam a escassez de emprego.
“Um dos grandes problemas é que ser empresário no Brasil é um desafio muito grande”, afirma. “Isso porque a insegurança jurídica está em todos os setores que envolvem a empresa, principalmente no tributário e trabalhista.”
Segundo ele, os últimos governos nacional e estadual, em vez de simplificarem, criaram mais leis que punem ainda mais quando ocorre algum erro no caso de recolhimento.
“Diante de um cenário tão complexo e com a legislação trabalhista existente que ainda não é totalmente aceita na Justiça do Trabalho, o empresário só irá contratar se tiver muita certeza da continuidade, caso contrário preferirá aguardar”, diz Dalla Coletta.
Em relação à realidade local, o presidente da Acib ressalta que existe um ciclo em que um setor atinge o outro de forma negativa. A queda nas vendas faz com que o empresário reduza seu quadro de funcionários. Os trabalhadores, por sua vez, perdem o poder de compra e deixam de adquirir produtos e serviços. Essa situação reflete na indústria, que produz menos e dispensa trabalhadores.
Especificamente na DC Bio, a obrigatoriedade da suspensão da queima da palha da cana-de-açúcar fez com que a colheita fosse toda mecanizada. Isso fez com que trabalhadores da lavoura fossem dispensados. Agora a empresa se prepara para a mecanização do plantio da cana.
“No caso na parte industrial, outras atividades estão tendo avanços na automatização dos processos em detrimento do emprego de mão de obra”, explica Dalla Coletta. “Tudo isso em busca de redução de custos e também de produtividade. Esta tendência tende a se ampliar ao longo dos anos.”
Sobre a perspectiva de mudança no cenário local, ele comenta que Bariri tem carecido de lideranças políticas que tenham visão empreendedora.
“Percebe-se que as discussões ficam muito restritas a mesquinhez político-partidária. Depende o grupo que está no poder, muda-se o comportamento do Legislativo”, afirma o dirigente da Acib. “Não se vê uma preocupação com o futuro e não se discute o que Bariri tem de bom para oferecer para uma indústria do futuro.”
Para Dalla Coletta, além desse fator só virão novas empresas para Bariri se houver uma significativa redução de custos, caso contrário o momento não favorece.
Foto: Robertinho Coletta/Candeia
Supermercado vai expandir atuação
Os Supermercados Aquilante pretendem em breve inaugurar a terceira loja nos altos da cidade. A perspectiva é gerar de 20 a 25 novos empregos.
Marcos Aquilante, um dos proprietários do estabelecimento e diretor da Rede Star, que agrega outros supermercados na região, ressalta que mesmo com a turbulência na economia nacional a empresa conseguiu manter o número de funcionários.
Segundo ele, hoje a rotatividade é menor entre os trabalhadores. Acredita que isso ocorre porque há menos opções de emprego e porque entrou em vigor nova Lei Trabalhista.
Aquilante tem observado uma mudança no comportamento do consumidor. “Hoje as pessoas estão atentas às ofertas”, diz ele.
As compras mensais de antigamente deram lugar a compras menores, com menos estoque em casa. Uma das explicações é que o consumidor prefere aguardar e acompanhar a divulgação de novas ofertas.
Na opinião do empresário, num primeiro momento o poder público precisa dar atenção especial às empresas já instaladas na cidade. Um incentivo do governo pode resultar em aumento dos negócios e consequente crescimento na ofertas de empregos.
Foto: Divulgação
Prefeitura lançará Pró-Emprego
A prefeitura de Bariri prepara o lançamento do programa Pró-Emprego para as próximas semanas. A informação é do prefeito Francisco Leoni Neto (PSDB).
O gestor diz que em visita a empresas instaladas no município tem observado a necessidade de capacitação profissional da mão de obra.
A sala descentralizada do Centro Paula Souza ganhou mais um curso no atual governo. Neto Leoni quer focar também no pólo de Bariri da Universidade Virtual do Estado de São Paulo (Univesp) e no Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai).
Para o prefeito, a grande competitividade entre as empresas e o atual momento econômico do País inibem investimentos e a geração de emprego.
Neto Leoni pretende focar na ampliação das empresas já existentes na cidade. Para isso, é preciso ouvir as demandas dos empresários e definir a forma de atuação do poder público.
Conta que tem falado com empresários de outras cidades e até de outros Estados. O discurso é que a economia do Brasil precisa reagir para que investimentos sejam feitos.
Um termômetro de que a economia do País pode estar entrando numa fase mais positiva é que a Honda Automóveis do Brasil Ltda. (HAB) realizou nesta semana a cerimônia oficial que marcou a inauguração de sua nova fábrica de automóveis no País, localizada em Itirapina.
Foto: Divulgação
Variação do emprego formal em Bariri nos últimos 10 anos
Ano Contratações Demissões Saldo
2008 6.186 4.691 1.495
2009 4.872 4.845 27
2010 5.905 5.171 734
2011 5.995 5.267 728
2012 5.154 5.633 -479
2013 4.680 4.937 -257
2014 4.411 4.107 304
2015 3.426 3.597 -171
2016 3.409 3.431 -22
2017 3.131 3.187 -56
2018 3.196 3.399 -203
Fonte: Caged
Variação do emprego em Bariri em 2008
Setor Contratações Demissões Saldo
Indústria 2.711 2.490 221
Comércio 589 527 62
Serviços 456 378 78
Agropecuária 2.329 1.228 1.101
Administração pública 67 35 32
Construção civil 28 16 12
Outros 6 17 -11
Total 6.186 4.691 1.495
Fonte: Caged
Variação do emprego em Bariri em 2013
Setor Contratações Demissões Saldo
Indústria 2.209 2.453 -244
Comércio 1.003 946 57
Serviços 797 773 24
Agropecuária 485 535 -50
Administração pública 142 196 -54
Construção civil 31 22 9
Outros 13 12 1
Total 4.680 4.937 -257
Fonte: Caged
Variação do emprego em Bariri em 2018
Setor Contratações Demissões Saldo
Indústria 1.102 1.027 75
Comércio 711 678 33
Serviços 608 677 -69
Agropecuária 427 623 -196
Administração pública 261 246 15
Construção civil 83 143 -60
Outros 4 5 -1
Total 3.196 3.399 -203
Fonte: Caged




























