
“O que se espera para a próxima terça-feira é que haja tranquilidade no plenário do Legislativo para que os vereadores julguem o prefeito conforme suas convicções e, em especial, que levem em conta as implicações de seu voto”
Desde 2009 um prefeito não conclui os quatro anos de mandato em Bariri. A depender da votação de relatório da Comissão Processante (CP) marcado para a terça-feira (14), na Câmara Municipal, mais um prefeito pode entrar nesse rol.
Na história recente de Bariri é a segunda vez que um prefeito no exercício do cargo tem sua conduta analisada pela Câmara.
Em julho de 2018, o Legislativo cassou o mandato do vereador Paulo Henrique Barros de Araújo. O julgamento na esfera político-administrativa considerou que ele quebrou o decoro parlamentar ao ter sido preso e indiciado por estupro de vulnerável.
É fato que há uma década e meia Bariri vive os impactos negativos da quebra de continuidade administrativa. Servidores ficam desmotivados para o trabalho cotidiano, empresários repensam se vale a pena investir no município…
Obviamente, que se algum político no exercício do cargo não proceder como é esperado, está sujeito às sanções da lei. Se o prefeito alegar que foi eleito pelo povo, tendo a força do mandato popular, o mesmo pode se dizer dos vereadores, também escolhidos pelo eleitor.
Especificamente no caso do prefeito Abelardo Maurício Martins Simões Filho, do ponto de vista jurídico há investigação em curso contra ele pela Procuradoria Geral de Justiça. Ele ainda nem figura como réu e, como diz a lei, goza da presunção de inocência.
No entanto, a Câmara de Bariri afirma que está analisando aspectos político-administrativos na conduta do chefe do Executivo. Paulo Araújo, por exemplo, teve o mandato cassado antes mesmo de ter se tornado réu em processo de estupro de vulnerável. A diferença é que havia provas robustas contra ele, que perdeu o cargo estando preso.
Outro ponto a ser observado é que, talvez pelo clima instalado na política nacional nas últimas eleições, muitas pessoas vão às redes sociais e fazem um verdadeiro linchamento de políticos.
Em muitos casos não são utilizados embasamentos mínimos para o comentário, mas simplesmente uma ou duas palavras, até com ofensas pessoais.
O que se espera para a próxima terça-feira é que haja tranquilidade no plenário do Legislativo para que os vereadores julguem o prefeito conforme suas convicções e, em especial, que levem em conta as implicações de seu voto.
É certo que eventual cassação do mandato será um recado claro para os atuais políticos e quem pretende se candidatar nos próximos pleitos de que a vigilância está maior e que qualquer deslize poderá custar o cargo.
























