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Entrevista da Semana: “Comportamento suicida precisa ser abordado com seriedade e sem estigmas”

5 set, 2025

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“Devemos ficar atentos às pessoas com discurso de desesperança, com histórico de ter sofrido violência na infância, com presença de doenças incapacitantes e com baixo suporte social”  (Divulgação)

Conhecido como o Mês de Prevenção ao Suicídio, o Setembro Amarelo é dedicado a campanhas em prol da conscientização sobre a importância dos cuidados em saúde mental. Neste ano, em especial, a iniciativa encabeçada pela Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) enfatiza a busca por ajuda, com uma comunicação franca e aberta entre quem está sofrendo e as pessoas ao seu redor, que podem fazer esse acolhimento. Para tratar do tema, o Candeia entrevista nesta edição a psiquiatra Rebeca Mendes de Paula Pessoa. Segundo ela, é preciso que o assunto seja abordado com seriedade e por profissionais devidamente capacitados. Chama a atenção para sinais que podem ser indicativos de comportamentos suicidas. Rebeca é formada pelo Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto – Universidade de São Paulo (USP), com título de especialista pela Associação Brasileira de Psiquiatria. Possui mestrado e doutorado na área de saúde mental pela USP-RP. Atuou como médica assistente na Unidade de Emergência do HC-FMRP-USP. Atualmente é psiquiatra do serviço de interconsulta do HC de Bauru e preceptora do curso de medicina da FMBRU-USP. Atende em consultório particular no Instituto Vítagge, em Bauru, e na Cliins, em Bariri.

Candeia – O tema ‘suicídio’ não é muito abordado. Isso torna um pouco mais difícil de falar sobre ele. Que tipo de abordagens você considera mais adequadas a respeito do assunto?
Rebeca Pessoa – O comportamento suicida precisa ser abordado com seriedade, responsabilidade e sem estigmas. É função não somente dos profissionais de saúde mental orientar sobre esse tema, como também da sociedade ao não banalizar o assunto. O suicídio quando não abordado de forma cuidadosa pode inclusive aumentar o número de casos, como comprovado pelo Efeito Werther bem documentado na literatura. É preocupante o compartilhamento através de redes sociais de conteúdos sobre o tema produzido por profissionais sem formação adequada, o que pode impactar diretamente as pessoas mais vulneráveis.

Candeia – Que tipos de doenças normalmente precedem o suicídio?
Rebeca Pessoa – O suicídio pode estar presente em várias patologias psiquiátricas, como transtornos de humor (depressão e transtorno bipolar), transtornos psicóticos, transtornos de personalidade e dependência química.

Candeia – É possível prevenir o suicídio? De que forma?
Rebeca Pessoa – Cabe aos pacientes e seus familiares buscar ajuda especializada em casos de alteração comportamental (por exemplo, tristeza, ansiedade, alucinações), e ao profissional de saúde rastrear o risco suicida e conduzir cada caso da forma mais indicada. É importante ressaltar que o suicídio em geral é precedido por um espectro de comportamentos suicidas, como automutilações, pensamentos de morte, sentimentos de desvalia, pensamentos suicidas sem um planejamento estruturado. Também é importante ressaltar o papel do poder público no incentivo de políticas que garantam melhora no bem-estar social, como redução de desemprego, incentivo à educação e apoio social. Além da importância do Estado em garantir serviços de saúde de qualidade para acolher a população em risco.

Candeia – Quais os principais sinais de alerta para pessoas que pensam em cometer suicídio?
Rebeca Pessoa – Os principais fatores de risco para o suicídio são tentativas de suicídio prévias e diagnóstico de transtorno psiquiátrico. Também devemos ficar atentos às pessoas com discurso de desesperança, com histórico de ter sofrido violência na infância, com presença de doenças incapacitantes e com baixo suporte social, além das minorias sociais.

Candeia – De que forma familiares e pessoas próximas podem auxiliar?
Rebeca Pessoa – Procurando atendimento médico de forma precoce, validando o sofrimento do familiar e garantindo supervisão integral do paciente até a avaliação. O comportamento suicida não deve ser encorajado, e ao mesmo tempo deve-se evitar o julgamento das pessoas que sofrem de um transtorno mental.

Candeia – Em que momento a pessoa ou familiares devem procurar ajuda profissional? Normalmente que tipo de tratamentos são indicados?
Rebeca Pessoa – A busca por ajuda profissional deve ser iniciada na presença de sintomas que impactem na funcionalidade da pessoa, como no trabalho e nas relações sociais. O tipo de tratamento dependerá de alguns fatores, como gravidade do risco suicida, transtorno psiquiátrico associado, presença ou ausência de suporte social adequado. Doenças mentais que cursam com comportamento suicida são consideradas graves e possuem indicação de tratamento medicamentoso e de acompanhamento com equipe multidisciplinar. A internação em ambiente protegido pode ser indicada em casos com gravidade elevada e com baixo apoio social.

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