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Vereador critica funk “proibidão” na Escola Joseane; diretora pede demissão

8 abr, 2022

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Na última sessão de Câmara, realizada segunda-feira, 4, o vereador Edcarlos Pereira dos Santos (PSDB) utilizou a Palavra Livre para criticar a música funk, que, segundo ele, anima o intervalo dos alunos da Emef Profª Joseane Bianco, em especial às sextas-feiras.
O assunto ganhou repercussão e resultou em pedido de demissão da diretora da escola, Rosemary Benedita Grandeso Ribeiro. Ela estava à frente da unidade escolar desde 2021.
De acordo com o vereador, o tipo de funk escolhido é o chamado “proibidão”. Este estilo musical é carioca, surgido durante a década de 1990 nas favelas do Rio de Janeiro. Comercializados de forma clandestina, os funks proibidões tratam da realidade das comunidades onde ocorre o tráfico de drogas.
Edcarlos comentou que as letras trazem palavrões, insinuações sexuais, machismo, apologia a drogas e crimes. Afirmou que foi procurado por grupo de pais e responsáveis que discordam da permissão dada pela gestão da escola para o consumo deste tipo de música dentro de uma unidade escolar.
Para o vereador, o papel da escola é promover a socialização do conhecimento e a formação moral dos alunos e não estimular o consumo de estilos musicais que fazem menção à sexualização de crianças e adolescentes.
Cita como consequência dessa erotização, por exemplo, o aumento da incidência de gravidez na adolescência registrado por órgãos que atendem esta faixa etária.
Edcarlos ressaltou que é contra a censura, que cada pessoa tem direito de consumir o tipo de música que bem entender, mas de forma privada, em sua residência. Para ele, a escola – em especial a Joseane, pela sua localização – deve representar via de acesso ao ensino médio e ensino superior e, consequentemente, de ascensão social. E não reforçar estereótipos machistas e de exploração sexual.
O vereador elogiou o trabalho realizado pela atual diretora de Educação, Stefani Edvirgem Borges da Silva, quando esta permaneceu à frente da Escola Joseane. Para ele, se nada for feito para coibir esta situação, os avanços lá obtidos vão retroagir.
O vereador Paulo Egídio Grigolin (PP), em aparte, concordou com os argumentos e reforçou a crítica à execução de funk proibidão no intervalo das aulas. “A diretora não deve deixar retroceder o trabalho bem-feito”, comentou.

Edcarlos ressaltou que as letras trazem palavrões, insinuações sexuais, machismo, apologia a drogas e crimes.

Após críticas, diretora pede demissão

Quarta-feira, 6, após a repercussão das críticas do vereador Edcarlos Pereira dos Santos (PSDB), a diretora da Emef Profª Joseane Bianco, Rosemary Benedita Grandeso Ribeiro, pediu demissão do cargo.
Desde 2021, ela estava à frente da unidade escolar, após a saída da diretora titular, Stefani Edvirgem Borges da Silva, que assumiu a pasta da Educação.
Um dia antes, o Candeia conversou com Rosemary, que comentou as críticas, sem adiantar o pedido de exoneração. Ela lamentou o fato de o vereador não procurar a gestão escolar, antes de expor a unidade de ensino na sessão de Câmara.
Disse que a escola está bem-organizada, tem desenvolvido projetos educacionais de qualidade e que é referência na produção de ensino voltado para alunos na região periférica. Mas que, como qualquer unidade escolar, tem pontos conflitantes, que precisam ser enfrentados pela equipe escolar.
Segundo ela, em nenhum momento a atividade coordenada pelo grêmio estudantil é feita sem a supervisão da equipe. Ela mesmo permanecia na frente da escola; agentes escolares, instrutores, estagiários e vice-diretora também se colocam em pontos estratégicos.
Afirmou que, na medida do possível, a equipe tenta oferecer e estimular diversidade musical e artística, mas que a preferência pelo funk entre adolescentes e jovens é uma realidade que extrapola o ambiente escolar.
Stefani também conversou com o Candeia sobre a fala do vereador e confirmou a saída da diretora. Segundo ela, Rosemary não citou o motivo do pedido de exoneração, mas tudo indica que está ligado à repercussão do fato.
Em relação a atividade musical no intervalo de aulas da Escola Joseane, Stefani afirmou que é resultado do protagonismo estudantil do grêmio eleito no ano de 2019 e que perdura até hoje. “Sempre orientamos os alunos que todos podemos gostar dos mais variados ritmos musicais, no entanto, é de suma importância que o respeito para com o outro seja a chave não só do aprendizado, mas em todas as circunstâncias vivenciadas, sobretudo nos momentos de lazer”, comenta.
Ainda de acordo com Stefani, “não há tolerância para palavras de baixo calão, nem mesmo o incentivo à sexualização exacerbada, todavia as mais variadas formas de arte que vislumbrem o respeito sempre são muito bem-vindas em todas as unidades escolares”.
E finaliza: “a Diretoria de Educação coloca-se à disposição dos insignes legisladores, bem como a toda população. Ademais, comprometemo-nos a orientar os gestores no que é concernente ao respeito pelo espaço das instituições escolares, bem como a deferência para com o pluralismo musical”.

A diretora demissionária lamentou o fato de o vereador não procurar a gestão escolar, antes de expor a unidade de ensino na sessão de Câmara.

Da redação

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