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Uma mulher de 27 anos não conseguiu retirar o feto morto de seu útero na Santa Casa de Bariri porque não havia anestesista disponível. Esse tipo de procedimento costuma ser feito com urgência para evitar eventuais infecções nas mulheres.

O caso foi acompanhado de perto pelo vereador Vagner Mateus Ferreira (PSD), o Vaguinho, amigo da família. Segundo ele, na quarta-feira, dia 3, o marido da mulher o procurou alegando que a retirada do feto não poderia ser feita no hospital baririense e que a mulher deveria aguardar em casa.

Vaguinho se dirigiu à Santa Casa e foi informado que não havia anestesista e que a solução seria a transferência da mulher para a Santa Casa de Jaú. O vereador critica o fato de o hospital não dispor de anestesista e que essa especialidade foi objeto de decisão da Justiça em ação do Ministério Público (MP).

Cross

Em relação ao assunto, o interventor da Santa Casa de Bariri, Fábio Zenni, diz que a mulher procurou unidade do Programa Saúde da Família (PSF) no Bairro do Livramento no dia 27 de setembro.

Segundo ele, a avaliação é que não havia sangramento e que a pressão arterial estava normal.

No dia seguinte a mulher procurou ginecologista particular. Foi solicitado que fizesse ultrassom. O exame foi feito na segunda-feira, dia 1º, em clínica particular de Jaú. O ultrassom apontou que a mulher estava sem gestação.

Na terça-feira, dia 2, ela procurou o pronto-socorro local. Dali, foi encaminhada para a maternidade. Segundo Zenni, ginecologista que a atendeu constatou que não havia infecção. Teria dado duas opções à mulher: ficar internada ou ir para casa. O interventor diz que a opção dela foi se dirigir à residência.

Na quarta-feira, dia 3, retornou ao pronto-socorro para realizar o procedimento de retirada do feto, mas não foi feito por falta de anestesista. O interventor apresentou prontuário da paciente de que ela esteve no PS nos dias 2 e 3 de outubro. Antes disso, havia procurado o serviço de urgência e emergência no dia 3 de julho deste ano com amidalite.

De acordo com Zenni, o único anestesista que atua em Bariri estava de férias. Um profissional indicado pelo mérico não poderia atender na quarta-feira e nem na quinta-feira.

Por esse motivo, foi requerida pouco antes das 10h vaga via Central de Regulação de Ofertas de Serviços de Saúde (Cross). A vaga foi obtida às 13h10 na Santa Casa de Jaú.

Vaguinho conta que o procedimento de retirada do feto ocorreu às 19h de quarta-feira. Na manhã de anteontem a mulher obteve alta e retornou para Bariri.

Decisão cobra médicos especialistas

Em junho deste ano a Justiça de Bariri julgou o mérito de ação civil pública ajuizada pelo Ministério Público (MP) contra a prefeitura de Bariri para obrigar a administração municipal a manter a prestação de serviços de pronto-atendimento. A decisão confirmou liminar deferida no início de março deste ano.

Conforme a sentença, proferida pela juíza Taiana Horta de Pádua Prado, o Executivo foi obrigado a arcar com plantão físico de 24 horas, contando com a presença física de, ao menos, dois médicos plantonistas durante o período diurno e matutino e um durante a noite, inclusive finais de semana e feriados.

O serviço também deveria dispor de toda equipe e instrumentos necessários ao desenvolvimento das atividades de pronto-socorro, observando o limite de tempo para presença do médico em plantão à distância (anestesista, clínica médica, pediatria, cirurgia geral e ortopedia) no pronto-socorro. Em caso de descumprimento, a decisão judicial prevê incidência de multa diária no valor de R$ 1.000,00.

Zenni diz que há dificuldade no atendimento de médicos especialistas, que dão plantão à distância, especialmente nos fins de semana.

Em relação ao atendimento no PS, às segundas-feiras são dois médicos no período diurno e dois no período noturno. Às sextas-feiras, aos sábados e aos domingos, um segundo profissional atende das 19h à 1h do dia seguinte.