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Vacina CoronaVac apresentou eficácia de 100% contra casos graves, moderados e internações no Brasil – (Foto: Wikimedia Commons)

Terça-feira (12), o Instituto Butantan anunciou com mais detalhes as informações de eficácia e segurança da vacina contra Covid-19 desenvolvida em parceria com a farmacêutica chinesa Sinovac. Segundo a instituição, considerando casos muito leves (um ou mais sintomas, por no mínimo dois dias, e que não demandem atendimento médico), o imunizante apresenta eficácia geral de 50,38%

O índice pode soar como um ruído em relação aos 78% anunciados no último dia 7 de janeiro. E foi o que Ricardo Palacios, diretor médico de pesquisa clínica do Butantan, esmiuçou nesta terça. Segundo ele, a vacina apresenta diferentes níveis de eficácia de acordo com a gravidade da doença, dentro da classificação da Organização Mundial da Saúde (OMS).

Desse modo, a CoronaVac demonstrou proteger em 100% contra casos moderados e graves que necessitam de hospitalização; em 77,96% episódios leves que demandam algum tipo de atendimento ambulatorial; e em 50,38% levando em conta quadros muito leves, para os quais atendimento médico não é preciso.

Palacios ressaltou que essa taxa de 50,38% tem relação com a escolha feita pelo Butantan de incluir no estudo esses casos muito leves — se fossem considerados apenas quadros moderados ou graves, seria necessário um número maior de pessoas ou mais tempo de pesquisa (ou mesmo os dois). “Sabíamos que a eficácia vacinal ia diminuir quanto mais baixássemos o score [índice de classificação da OMS sobre a gravidade dos casos], mas teríamos um maior número de casos”, explicou. A vantagem disso, segundo ele, é ter uma resposta mais rápida sobre a eficácia da vacina. “Foi uma decisão consciente: estávamos sacrificando eficácia para ter um maior número de casos e uma resposta mais rápida”, pontuou Palacios.

 

Segurança

 

Quanto à segurança da CoronaVac, Alex Precioso, diretor do centro de segurança clínica e farmacovigilância do Butantan, revelou que dor no local da injeção foi a principal manifestação apresentada pelos voluntários. “Foram eventos leves e não interferiram na atividade diária das pessoas”, afirmou.

Outras ocorrências foram dor de cabeça, fadiga e dor muscular, mas também em intensidade leve. “Não houve nenhum evento adverso grave”, assegurou Precioso. Vale ressaltar ainda que apenas 0,3% dos participantes apresentou reação alérgica, e nenhum teve a chamada anafilaxia.

Especialistas convidados para a coletiva afirmaram que os dados são satisfatórios e indicam que a CoronaVac pode, sim, ser eficaz em conter a pandemia de Covid-19. “Para mim, o número mais importante continua sendo os 78%, porque ele consegue ter um impacto muito grande na sobrecarga da doença e do sistema de saúde”, observou a infectologista Rosana Richtmann, do Instituto de Infectologia Emílio Ribas, em São Paulo.

Já o infectologista Sergio Cimerman, também do Emilio Ribas, clamou pela importância de não politizar a vacina. “Precisamos de uma vacina que combata os casos graves, e temos essa demonstração”, cravou.

Os cientistas ponderaram ainda que, para avaliar de fato a eficácia de um imunizante, ele precisa ser aplicado na população — de modo que se consiga medir sua efetividade, ou seja, seu papel em diminuir os casos da doença.

Segundo Dimas Covas, diretor do Instituto Butantan, quatro novos estudos estão previstos: um que avaliará especificamente a efetividade e outros três que analisarão a vacina em gestantes, adolescentes e idosos. “Temos uma vacina esperando para ser usada num país onde morrem atualmente mil pessoas por dia. Vamos ajudar a população a recebê-la”, disse Covas.

 

Fonte: Revista Digital Galileu