
Alguns dos alvos foram a Secretaria de Negócios Jurídicos, o Centro Administrativo e a sede do governo (Divulgação)
O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de São Paulo (MP), deflagrou nesta quarta-feira (9) a Operação Cavalo de Troia, que investiga uma suposta fraude na licitação para concessão do sistema de gestão integrada dos resíduos sólidos urbanos de Bauru.
Foram cumpridos 20 mandados de busca e apreensão e sete de prisão temporária, além do afastamento de servidores públicos, outras medidas cautelares, sequestro de bens e suspensão judicial de contratos e da licitação.
As autoridades também realizaram diligências relacionadas à Operação Mobius, que apura possíveis irregularidades em um contrato de coleta seletiva.
Segundo o Gaeco, o nome da operação faz referência à principal estratégia identificada nas investigações: a inserção, na administração municipal, de uma secretária que mantinha vínculos profissionais e econômicos com a empresa que seria beneficiada pelo suposto direcionamento da licitação. Outra profissional que já teria trabalhado para a empresa também foi identificada na estrutura da secretaria.
Contrato
A concessão investigada tem prazo previsto de 30 anos e valor global estimado em R$ 5,2 bilhões, considerando valores de fevereiro de 2026. Segundo o Ministério Público, trata-se da maior contratação pública já projetada na história de Bauru.
As investigações apontam que o suposto esquema teria sido estruturado em diferentes etapas, desde a elaboração dos estudos técnicos e definição das exigências do edital até os critérios de habilitação e pontuação. Também são investigadas a atuação de consultorias, a preparação de documentos e estratégias para reagir a impugnações e reduzir a participação de concorrentes.
A suspeita é de que essas ações buscariam garantir vantagem indevida à empresa investigada.
De acordo com o Gaeco, o suposto núcleo envolveria agentes públicos, dirigentes e funcionários de empresa privada, consultores e intermediários, com divisão de funções.
Foram identificados indícios de pagamentos e vantagens, circulação reservada de documentos e interferência em manifestações administrativas. As investigações também apontam tentativas de aproximação e infiltração em instituições públicas para obtenção de informações privilegiadas.
Entre os fatos apurados está o levantamento de informações pessoais de um conselheiro do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCE-SP), que estaria relacionado à relatoria de procedimento envolvendo o caso.
A operação busca aprofundar as investigações sobre possíveis crimes de fraude ao caráter competitivo da licitação, corrupção ativa e passiva, advocacia administrativa, falsidade ideológica e associação criminosa, além de outros delitos que possam ser identificados.
As medidas foram autorizadas pela Vara Regional das Garantias da 3ª Região Administrativa Judiciária, em Bauru. O Gaeco contou com apoio da Polícia Militar e do TCE.





















