Composição 1_1
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No júri realizado no dia 28 de novembro, jurados condenaram réu por tentativa de feminicídio com agravantes (Alcir Zago/Candeia)

Aparecido Onofre da Silva, 59 anos, foi condenado pelo Tribunal do Júri à pena de 17 anos e 6 meses de reclusão em regime inicial fechado. O julgamento ocorreu na 1ª Vara Judicial de Bariri na terça-feira (28). Foi o quarto júri realizado no município no mês de novembro.
De acordo com a denúncia do Ministério Público (MP), no dia 15 de agosto de 2022, na Rua Clemente Colachite, em Itaju, ele tentou matar sua ex-companheira Soeli Aparecida de Castro de Oliveira, 40 anos, com golpes de machadinha.
De acordo com o advogado de defesa Gabriel Cava, Aparecido foi julgado pelo crime de tentativa de feminicídio com as agravantes de motivo fútil, meio cruel e que impediu a defesa da vítima, somado ao fato de ter cometido o delito na frente da filha menor de idade.
Os jurados entenderam que não se tratava de violenta emoção (tese sustentada pela defesa) e sim pela tentativa de feminicídio. Cava afirma que a defesa pretende recorrer da decisão dos jurados, pois entende que há elementos contraditórios às provas apresentadas nos autos do processo. Também atuou como advogado Ricardo Sabbag.

Golpes

Conforme os autos, réu e vítima conviveram em união estável por aproximadamente oito anos, tendo em comum a uma filha, que, no momento dos fatos, tinha quatro anos de idade.
Consta também que Aparecido passou a implicar com a presença de uma das filhas da vítima, o que motivou Soeli a romper o relacionamento e mudar-se para outra casa. O homem nunca aceitou o término e, no período de maio a agosto de 2022, compareceu quase diariamente na residência da vítima, onde fazia algumas refeições, mantinha contato com a filha em comum e tentava persuadir Soeli a reatar a união.
No dia dos fatos, Aparecido foi à residência de Soeli e questionou se ela iria embora viver com outro homem. Saiu e retornou com uma machadinha e, à traição, desferiu um golpe na altura do pescoço. Na sequência, segurou Soeli pelos cabelos e continuou a golpeá-la com a parte da lâmina atingindo inúmeras vezes a região da cabeça e do pescoço.
Ainda segundo a denúncia, Aparecido arrastou Soeli pelos cabelos até a sala e disse que a levaria até o banheiro para terminar o serviço.
Nesse momento, a filha em comum do casal entrou na sala e suplicou que o homem não matasse sua mãe.
Posteriormente, a vítima correu para a rua, sendo perseguida pelo agressor. Ali, ele deu uma rasteira na mulher e a golpeou mais vezes. Aparecido desferiu vários golpes na cabeça de Soeli até atingi-la violentamente e ouvir um forte estalo. Como Soeli já não se mexia, ele acreditou que efetivamente a tivesse matado e parou de agredi-la.
A mulher foi socorrida em estado grave ao pronto-socorro da Santa Casa de Bariri e depois foi transferida para a Santa Casa de Jaú. Dias depois teve alta.
O autor dos golpes foi detido pela Polícia Militar (PM) no dia seguinte à tentativa de homicídio.