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Médico aponta falhas no atendimento de pacientes com AVC

9 nov, 2018

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Jonas Bernardes de Lima Filho

“Infelizmente estamos no início de uma longa jornada, onde há muito trabalho a se fazer”

No fim de outubro a Santa Casa de Jaú realizou encontro relacionado ao Dia Mundial de Combate ao AVC. Uma das atividades foi simulação de atendimento, que teve duração de 35 minutos entre o chamado de socorro e a intervenção médica. O protocolo médico considera como tratamento eficaz aquele realizado em até quatro horas e meia do início dos sintomas. Para o neurologista Jonas Bernardes de Lima Filho, que participou do encontro, em geral os municípios de menor porte enfrentam problemas para o correto diagnóstico e rápido encaminhamento para o centro de referência. Além disso, aponta falhas para que o paciente tenha transporte rápido e adequado. Para superar esse desafio, o médico afirma que é preciso focar na informação. “Quanto maior a conscientização a respeito do AVC por parte da população e dos profissionais de saúde, e da importância do fator tempo no tratamento desta doença, mais pacientes serão corretamente encaminhados e tratados”, diz. Jonas é formado em medicina pela Unesp de Botucatu em 2011, com residência médica em neurologia pela mesma faculdade. Ele é neurologista da Santa Casa de Jaú e membro da equipe de neurologia e neurocirurgia do hospital.

Candeia – Qual o objetivo do encontro promovido na Santa Casa de Jaú sobre o AVC?
Jonas – Buscamos com esse encontro promover a divulgação de informação sobre o AVC para profissionais de saúde de Jaú e região, conscientizando-os a respeito da importância da velocidade no diagnóstico e do rápido encaminhamento e transporte destes pacientes com AVC para a Santa Casa de Jaú, pois o tratamento é eficaz se realizado em até quatro horas e meia do início dos sintomas.

Candeia – Como o senhor analisa o cenário regional quanto ao atendimento de casos de AVC?
Jonas – Encontramos um cenário obscuro. A população em sua maioria desconhece os sintomas do AVC, muitas vezes demorando para buscar o pronto-socorro, sendo que quando o faz, infelizmente se depara, na maioria das vezes, com médicos despreparados para o correto diagnóstico e rápido encaminhamento para o centro de referência. Quando a pessoa é encaminhada, seu município não dispõe de transporte rápido e adequado – o Samu. Infelizmente estamos no início de uma longa jornada, onde há muito trabalho a se fazer, mas sabemos que juntos somos mais fortes, e trabalhando em equipe podemos mudar esse cenário.

Candeia – Como melhorar o atendimento em cidades de menor porte, onde normalmente não há serviços médicos especializados?
Jonas – Com informação. Quanto maior a conscientização a respeito do AVC por parte da população e dos profissionais de saúde, e da importância do fator tempo no tratamento desta doença, mais pacientes serão corretamente encaminhados e tratados.

Candeia – Pelos protocolos médicos, quais os tempos de intervenção mínimos necessários para que o paciente não tenha sequelas?
Jonas – Quanto mais rápido menores as sequelas. Temos no máximo quatro horas e meia entre o início dos sintomas, diagnóstico com tomografia computadorizada, avaliação do neurologista e tratamento. Ainda assim, infelizmente, não é possível garantir que o paciente não tenha sequelas, mas se tratado rápido, terá suas melhores chances de escapar ileso.

Candeia – Quais são os indivíduos que tem maior chance de ter um AVC?
Jonas – Indivíduos hipertensos, tabagistas, diabéticos, obesos e sedentários.

Candeia – Que medidas devem ser tomadas no dia a dia para a prevenção do AVC?
Jonas – Tratar adequadamente a hipertensão arterial e o diabetes quando for o caso, não fumar, evitar a obesidade praticando atividades físicas regulares e se alimentando de modo saudável, evitando o excesso de alimentos industrializados, gordurosos, açúcar (principalmente doces e refrigerantes) e álcool.

Candeia – Quais os principais sinais de alerta para que a pessoa procure atendimento médico?
Jonas – Os sintomas se iniciam subitamente e podem ser fraqueza de um lado do corpo, por exemplo, braço direito, perna direita e “boca torta”. Dificuldade para falar, ou seja, incapacidade para se comunicar adequadamente e para engolir. Manchas escuras na visão, incoordenação de membros e tontura.

Santa Casa de Jaú realiza encontro e simulação

A Santa Casa de Jaú realizou encontro no dia 29 de outubro, Dia Mundial de Combate ao AVC.
Mais de duzentas pessoas de Jaú e região ligadas a saúde estiveram presentes no Espaço Cultural do Hospital, representadas pelos integrantes do Samu, médicos, enfermeiros, estudantes de medicina e cursos técnicos.
O objetivo foi divulgar novas diretrizes seladas junto ao Samu em relação ao atendimento de casos suspeitos de Acidente Vascular Cerebral (AVC). O tema foi abordado pelos médicos Rhaufe Cluife Cardoso, intervencionista do Samu, e os neurologistas Jonas Bernardes de Lima Filho e José Ricardo Guimarães Toloi.
A coordenadora de enfermagem da Santa Casa de Jaú, Regiane Laborda, uma das organizadoras do evento, disse que a ideia foi unir os serviços de saúde das 12 cidades da região que enviam os pacientes para os setores de emergência do hospital, serviços de socorros como o Samu, pronto-atendimentos e escolas para que divulguem uma nova proposta de trabalho que visa diminuir o tempo entre os sintomas e o atendimento de um paciente com AVC nos serviços de saúde.
De acordo com a coordenadora, o AVC tem uma janela máxima de 4h30. “Quanto menor o tempo dentro dessa janela, oferecendo um atendimento qualificado e sistematizado, menores vão ser as sequelas”, afirma Regiane.
A parceria entre o Samu e a Santa Casa de Jaú criou uma nova realidade de protocolos de atendimento, sendo que o hospital dinamizou seu fluxo interno, para que esse processo entre o socorro da unidade móvel e o atendimento no hospital seja feito em até 45 minutos, no máximo.
O processo, chamado de “Porta-Agulha”, foi simulado no dia 28 de outubro pelo Samu e Santa Casa. O tempo entre o chamado de socorro, chegada do paciente, análise da imagem da tomografia e intervenção médica foi de 35 minutos, bem abaixo do tempo ideal que é até 60 minutos.
Nesta simulação o paciente, representado por um funcionário do hospital, estava no Kartódromo de Jahu (cerca de 2,6 km da Santa Casa).

Simulação de atendimento de paciente com AVC: 35 minutos entre o chamado de socorro e a intervenção médica -Divulgação

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