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Arnaldo Jardim

“Isso não significa participar do governo, mas está longe de ser uma atitude oposicionista, que no meu entender não tem nenhum cabimento neste instante”

Deputados federais e senadores tomaram posse na sexta-feira, dia 1º. Um dos parlamentares presentes na Câmara dos Deputados será Arnaldo Jardim (PPS), presidente estadual da sigla em São Paulo. Ele foi o deputado federal mais votado em Bariri, Boraceia e Itaju no pleito de outubro do ano passado. Em todo o Estado, somou 132.363 votos. Jardim diz que apoiará o governo do presidente Jair Bolsonaro para que obtenha êxito no crescimento econômico do Brasil e promova as reformas estruturais necessárias, como a previdenciária e tributária. No entanto, afirma que não irá participar do governo ou ter um alinhamento automático. O presidente estadual do PPS apoiou a candidatura de Geraldo Alckmin (PSDB) à presidência da República e entende que a derrota do tucano ocorreu por uma disposição de mudança e “uma vontade de que novas questões do ponto de vista ético e de como se relacionar com a população sejam desenvolvidas pelo governo”.

Candeia – Qual sua perspectiva em relação ao governo do presidente Jair Bolsonaro?
Jardim – Eu acredito que, assim como qualquer cidadão brasileiro, devemos torcer e trabalhar para que o governo do presidente Jair Bolsonaro possa dar certo. Todos sabem que o candidato que apoiei nessa última eleição foi Geraldo Alckmin, mas o resultado aí está, denota uma disposição de mudança, uma vontade de que novas questões do ponto de vista ético e de como se relacionar com a população sejam desenvolvidas pelo governo. Eu apoio o governo Bolsonaro naquilo que ele fará para a retomada do crescimento econômico, para a efetivação das reformas estruturais que o nosso País precisa. Isso não significa participar do governo, não significa um alinhamento automático, mas está longe de ser uma atitude oposicionista, que no meu entender não tem nenhum cabimento neste instante.

Candeia – Em seu entendimento, quais as prioridades para que o Brasil volte a crescer economicamente?
Jardim – Para que o Brasil volte a crescer precisamos equilibrar o gravíssimo déficit fiscal. Hoje o País gasta mais do que arrecada. Além disso, temos que fazer com que a retomada do investimento ocorra, não será com investimento público, não há dinheiro e não se deve aumentar impostos para isso. O governo deve restringir despesas, reorganizar a máquina pública, racionalizar e com isso economizar, por outro lado ampliar as concessões e Parcerias Público-Privadas (PPPs) como instrumentos para a retomada do crescimento econômico.

Candeia – Que outras medidas e reformas considera importante para o País?
Jardim – Além da reforma previdenciária, devemos caminhar para a reforma tributária. No primeiro momento, antes de pensar em diminuir a carga tributária ou o número de impostos, devemos desburocratizar e simplificar. Além disso, é preciso cobrar os devedores contumazes que, na justiça postergando multas e sanções, acabam ficando impunes, penalizando aqueles que agem corretamente e que acabam arcando com boa parte do ônus da arrecadação. Acredito que a reforma tributária, depois da previdenciária, deveria ser feita com prioridade, além de medidas de simplificação e desburocratização. Outra questão importante é em relação aos cuidados ambientais. Eu me considero um ambientalista. Como secretário de Agricultura e Abastecimento defendi uma agricultura em harmonia com o meio ambiente. É de minha autoria a aprovação da Política Nacional de Resíduos Sólidos, apenas para mencionar isso como alguns compromissos com essa questão ambiental. Temos que avançar na questão do licenciamento ambiental, que hoje demora cinco anos para ser autorizado, com demandas sucessivas. Isso impede que obras sejam executadas, impede que loteamentos sejam realizados, que novas construções sejam feitas dentro de um prazo mais curto, gerando mais empregos e atividade. Simplificar esse procedimento de licenciamento ambiental também é muito importante.

Candeia – Que papel está reservado ao novo Congresso, que iniciou a legislatura no dia 1º de fevereiro?
Jardim – Acredito que o novo Congresso Nacional que assumiu no dia 1º de fevereiro terá um fundamental papel. O Brasil tem princípios parlamentaristas na Constituição. O Congresso pode aprovar leis, aprovar o orçamento. Muitas vezes deixou de cumprir esse papel se dividindo, até em um processo maniqueísta entre pessoas que apoiam o governo, seja ele do Fernando Henrique, do Lula, da Dilma ou do Temer, e que quando apoiam o governo, porque têm um determinado acesso, apoiam tudo o que o governo faz; e de outro lado, pessoas que se opõem ao governo porque têm uma outra pretensão de disputa ao poder e são contra tudo que se faz no governo. Nós temos que quebrar essa polarização, essa disputa acirrada para poder debater e construir consensos que estabeleçam políticas públicas duradouras, trazendo estabilidade, gerando tranquilidade para ampliar o investimento, fazendo o planejamento que possa mudar a situação do País.

Candeia – Em relação ao agronegócio, quais suas expectativas para 2019?
Jardim – Eu sou um entusiasta do agronegócio, que já se mostrou um grande indutor do crescimento econômico no País. É o setor que nos dá vantagens competitivas e comparativas em relação a outros países do mundo. É preciso manter esse vigor do setor. Para que isso ocorra, é preciso rever a questão do financiamento e do seguro rural. Precisamos aprimorar o caminho do seguro agrícola, tanto os modelos já existentes que protegem o produtor rural quando há uma seca excessiva ou grandes precipitações que ocorrem na lavoura, como criar um seguro mais consistente que abrange não só as questões climáticas, mas também toda a parte de sanidade animal e vegetal, que proteja a renda do produtor. Além disso, manter a busca permanente para melhorar a produtividade no campo, por meio da pesquisa e incentivo à tecnologia e inovação, retomando, por exemplo, o vigor da Embrapa, assim como nós fizemos em São Paulo ao fortalecer os nossos institutos de pesquisa e poder, com isso, ampliar o caminho da inovação, da pesquisa para manter a produtividade agrícola. É uma questão estratégica. E finalmente um agronegócio que se resolve dentro da porteira precisa ter uma logística eficaz, seja por meio de armazenamento mais eficiente, de transporte da produção e de estruturas para que as exportações possam ocorrer sem que esse processo represente um grande “Custo Brasil”, que acabe diminuindo a nossa competitividade internacional. Então, a logística é de extrema importância para poder respaldar o setor agropecuário.

Candeia – Recentemente o senhor ocupou o cargo de secretário estadual da Agricultura. Devido a essa proximidade com o governo estadual, o que espera da gestão de João Doria?
Jardim – Eu tenho a melhor expectativa em relação ao Governo do Estado de São Paulo. Tenho certeza de que o governador João Doria fará uma boa gestão. Ele tem liderança, vitalidade e iniciativa. Espero que isso permaneça e possa se estabelecer. A nossa bancada do PPS na Assembleia Legislativa já integra a base de apoio ao governo Doria. Eu, como presidente estadual do PPS/SP, estabeleci uma diretriz bem definida de apoiar o Governo do Estado para que ele possa manter as boas iniciativas que marcaram a gestão de Geraldo Alckmin e aperfeiçoá-las.

 Saiba mais sobre o entrevistado

Arnaldo Jardim é membro da Frente Parlamentar Agropecuária (FPA), foi secretário de Agricultura e Abastecimento e secretário da Habitação do Estado de São Paulo, foi o 1º vice-líder da bancada do PPS na Câmara Federal e deputado estadual. Atuou como titular na Comissão de Minas e Energia e presidente da Frente Parlamentar em Defesa da Infraestrutura Nacional e da Frente Parlamentar pela Valorização do Setor Sucroenergético (Frente do Etanol). Integra ainda a Frente Parlamentar em Defesa do Setor Agropecuário e Comissão de Agricultura. Foi relator da Lei da Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS). É relator do projeto de Lei de Pagamento por Serviços Ambientais (PSA) e autor do projeto de Lei para a Política Nacional de Erradicação da Fome e Promoção da Função Social dos Alimentos.Membro do Conselho Consultivo do Instituto de Engenharia (IE) e vice-presidente da Frente Parlamentar em Defesa da Engenharia, Agronomia e Arquitetura do Brasil. Foi reconhecido, por cinco vezes consecutivas, nas publicações “100 Cabeças do Congresso Nacional” elaboradas pelo Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap), e por votações realizadas pelo Portal Congresso em Foco, como um dos melhores parlamentares da Câmara Federal.