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Ana Fabíola Camargo Fanton Rodrigues, diretora municipal de Educação: “estamos agindo com responsabilidade com as crianças e com nossos funcionários” – Divulgação

Alcir Zago

A rede pública de ensino de Bariri não deverá retomar as aulas presenciais até o fim do ano. O governo estadual autorizou o retorno para algumas atividades a partir de 8 de setembro, mas não há obrigatoriedade na adesão de estudantes. Além disso, cabe aos municípios decidir a situação em cada localidade.

A Diretoria Municipal de Educação está ouvindo a opinião das unidades municipais, estaduais e privadas do município.

A rede pública é contrária ao retorno presencial. Segundo a titular da pasta, Ana Fabíola Camargo Fanton Rodrigues, até anteontem (3) 80% de pais e professores da rede municipal mostraram-se desfavoráveis ao ensino presencial nas unidades, mesmo que atividades pontuais. Ontem (4) seria aplicado questionário aos funcionários da Educação.

Fabíola recebeu também nesta semana o retorno das duas escolas estaduais de Bariri: Ephigênia Cardoso Machado Fortunato; e Idalina Vianna Ferro. Os dois colégios posicionaram-se contrários ao regresso dos alunos. Na Idalina, por exemplo, o montante de pais contrários chegou a quase 80%.

O levantamento dos questionários aplicados a pais do Colégio Max e da Cooperativa Educacional de Bariri (Coeba) deverá ser entregue nos próximos dias à Diretoria de Educação.

“Posso adiantar que a rede municipal não irá retomar as aulas presenciais”, diz Fabíola. “Estamos agindo com responsabilidade com as crianças e com nossos funcionários.” A diretora diz que esse posicionamento deve ser seguido até o fim do ano letivo.

O levantamento completo dos questionários será objeto de discussão junto ao Conselho Municipal de Educação e ao Comitê Municipal de Enfrentamento ao Novo Coronavírus.

As conclusões serão remetidas ao prefeito Francisco Leoni Neto (PSDB) para a publicação de decretos. Fabíola entende que serão necessárias normatizações para o não-retorno mês a mês, mantendo-se o ensino à distância.

 

Região

 

Além da opinião de pais e funcionários, a diretora aponta que há afastamento de servidores dos grupos de risco. Também é observada a situação de municípios da região.

Em nota à imprensa, a prefeitura de Jaú informou que não irá retomar as atividades escolares presenciais na terça-feira (8).

A decisão foi tomada de acordo com as informações e orientações técnicas, científicas e médicas da Secretaria de Saúde do município, objetivando zelar e garantir pela saúde, segurança e vida dos alunos, familiares, professores, funcionários e comunidade escolar em geral.

“Entendemos que o momento ainda é de cautela e inspira cuidados, para evitar a disseminação do novo coronavírus (Covid-19), pois a reabertura das escolas, ainda que parcialmente, aumentaria o fluxo de circulação de pessoas expostas à contaminação –, além de provocar possíveis aglomerações em horários de pico da mobilidade urbana”, menciona a nota.

A prefeitura de Bauru também não irá retomar as atividades escolares parcialmente na próxima semana, ainda que a cidade esteja, até o momento, dentro dos requisitos exigidos pelo governo do Estado que possibilitariam ese início de reabertura.

O prefeito Clodoaldo Gazzetta diz que o Comitê Municipal de Enfrentamento à Covid-19 entende que, se a volta às aulas ocorresse agora, mesmo que de modo parcial, haveria risco de explosão de casos de Covid-19 no município.

 

Fiocruz vê risco na volta às aulas

 

A volta às aulas no país coloca em risco não apenas crianças, adolescentes, professores e funcionários de escolas. O retorno também pode representar ameaça de contágio pela covid-19 para outros 9,3 milhões de adultos e idosos, que estarão em contato com esses estudantes na mesma casa.

O alerta é da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), que recentemente divulgou estudo apontando os perigos que o retorno à sala de aula representa.

“A volta às aulas pode representar um perigo a mais para cerca de 9,3 milhões de brasileiros (4,4% da população total) que são idosos ou adultos (com 18 anos ou mais) com problemas crônicos de saúde e que pertencem a grupos de risco da covid-19. Isso porque eles vivem na mesma casa que crianças e adolescentes em idade escolar (entre 3 e 17 anos)”, destaca Fiocruz.

A informação foi divulgada em nota publicada na página da entidade pela internet. Segundo o estudo, a quantidade de pessoas que pode passar a se expor ao novo coronavírus foi calculada por análise da Fiocruz feita com base na Pesquisa Nacional de Saúde (PNS 2013), que foi realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em parceria com o Laboratório de Informação em Saúde (LIS) da Fiocruz.

O estado de São Paulo tem o maior número de pessoas nessa situação, com cerca de 2,1 milhões de adultos e idosos em grupos de risco com crianças em casa, seguido por Minas Gerais (1 milhão), Rio de Janeiro (600 mil) e Bahia (570 mil). O Rio Grande do Norte é o que possui a maior percentagem da população nesses grupos: 6,1% do total.

Pesquisadores do Instituto de Comunicação e Informação em Saúde da Fiocruz analisaram dados da PNS 2013 sobre dois grupos populacionais que se encontram nos chamados grupos de risco da covid-19: os adultos com idade entre 18 e 59 anos que têm diabetes, doença do coração ou doença do pulmão, e os idosos (com 60 ou mais anos).

Em seguida, cruzou os dados para verificar quantos desses dois grupos residem em domicílio com pelo menos um menor entre 3 e 17 anos – ou seja, em idade escolar.

 

Fonte: Agência Brasil