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Centro de Bariri na fase de restrição do Plano SP: maioria dos setores não essenciais convive com redução dos negócios – Alcir Zago/Candeia

Alcir Zago

Recentemente a pandemia do novo coronavírus completou um ano no Brasil. Além da questão da saúde pública, a Covid-19 trouxe dificuldades para diversos segmentos econômicos, em especial os não essenciais.

Para tratar dos impactos em Bariri, o Candeia conversou com quatro empresários de diferentes ramos de negócio. As entrevistas aconteceram antes que a prefeitura decretasse lockdown em Bariri. Desde segunda-feira (15) está em vigor novo decreto do governo estadual, com medidas ainda mais restritivas do Plano SP.

A situação de maior dificuldade foi enfrentada pela professora de educação física Alessandra Giuliana Cintra. Após 25 anos com academia (Cintra – Fitness & Saúde) no município, ela encerrou as atividades no mês passado.

Segundo a professora, a pandemia teve um efeito devastador na academia. “Eu estava conseguindo sobreviver, trabalhando para pagar as despesas da academia, mas estava zerando as contas, até que houve a ordem de fecharmos novamente”, conta Alessandra.

A partir daí, o proprietário do imóvel onde a academia estava instalada decidiu cobrar pelo aluguel. No ano passado ele ajudou bastante a professora nos quatro meses em que as portas ficaram fechadas.

Em 2020, a Cintra – Fitness & Saúde manteve as aulas de jump e ginástica localizada com pequeno número de alunas. Em 2021, poucas pessoas procuraram a academia. Os alunos para atividades de personal trainer também tiveram redução neste ano.

“É uma situação muito triste e preocupante, estamos sem ter o que fazer, sem saber o que fazer e que caminho tomar”, diz Alessandra, que pretende reabrir a academia quando a pandemia perder força e as pessoas puderem voltar à normalidade.

Para ela, o Plano SP foi mal elaborado. “Não sairemos desta pandemia se continuarmos desta maneira”, afirma. “Academia é um lugar em que cuidamos da saúde, fortalecemos nosso organismo, aumentamos nossa imunidade.”

 

Concorrência

 

Quem também enfrenta dificuldades com a pandemia é Antonio Francisco Devito, proprietário da Pizzaria Formosa.

Ele diz que o fato de não receber mais as pessoas dentro do estabelecimento reduziu as vendas em 50%. “Na primeira onda do novo coronavírus, até que deu para tocar, porque muitas pessoas receberam o auxílio emergencial”, relata.

Devito observa que a segunda onde da Covid-19 resultou em mais desemprego, fazendo com que muita gente passasse a comercializar comidas de forma clandestina e sem pagar os impostos e tributos de quem está regularmente instalado. O empresário entende que a prefeitura deveria aumentar a fiscalização sobre os clandestinos.

A venda de pizza por telefone (disk) não teve o incremento esperado, justamente por causa da concorrência com pessoas que ingressaram no segmento gastronômico.

Devito reclama que o governo, em todas as suas esferas, não deu a contrapartida necessária aos empreendedores. A cobrança de impostos continua, mesmo com a queda no volume de negócios.

 

Queda nas vendas

 

Marcos Aurélio Sanchez da Silva, sócio-proprietário da Iara Calçados, é outro empresário que sente as dificuldades da menor circulação de consumidores.

No ano passado, a empresa fez contratos de experiência com trabalhadores por ocasião do Dia das Mães. Terminado o período de vendas, as pessoas foram dispensadas. Em anos anteriores algumas eram contratadas de forma efetiva.

A Iara Calçados tentou aquecer as vendas por meio do sistema delivery, entregando os artigos comercializados na casa dos consumidores, mas o resultado ficou aquém do esperado.

Outra saída foi dar férias aos funcionários de março a abril de 2020, mas eles retornaram para o trabalho, e a situação da pandemia havia piorado.

Marcos diz que no fim do ano, quando Bariri e região estavam na fase Laranja do Plano SP, houve aquecimento nas vendas. No entanto, o retorno à fase Vermelha trouxe a mesma queda nas vendas de anteriormente.

“A gente observa um movimento muito fraco nos dias de semana”, conta. “Até vagas para estacionamento no centro da cidade, que antes não havia, hoje sobra.”

 

Situação melhor

 

Mesmo não atuando num segmento considerado essencial, Márcio Fanton, sócio-proprietário da Mundo Mágico, registrou aumento das vendas na pandemia, especialmente por meio do drive-thru. “No Dia das Crianças e no Natal as vendas ficaram acima do esperado”, conta.

Ele atribui o bom desempenho a dois fatores principais. O primeiro é que lojas situadas em shoppings de Bauru e Jaú tiveram de fechar as portas por causa das restrições do Plano SP. Quem antes viajava para comprar um brinquedo, passou a encontrar o que queria no comércio local.

O segundo é que a proibição de aulas presenciais deixou grande contingente de crianças dentro de casa. O resultado é que os pais tiveram de investir na compra de brinquedos para entreter os pequenos.