
A Igreja Católica no Brasil, por intermédio da CNBB, vivencia em 2023 o Terceiro Ano Vocacional, tendo como lema “Corações ardentes, pés a caminho” (Lc 24,32-22). O objetivo principal é despertar em todas as realidades uma cultura vocacional, onde cada pessoa, de acordo com suas particularidades, descubra qual é o chamado de Deus em sua vida. Desta forma, acolherá o Evangelho de Jesus não como mero ouvinte, mas será sal na terra e luz no mundo em todos os âmbitos da vida social, fazendo a diferença na vida das pessoas.
Toda e qualquer vocação dentro da comunidade cristã deve seguir a lógica de Cristo: “Eu vim para servir e não para ser servido” (Mc 10,45). Tendo também como referência o gesto do Lava-Pés e a Parábola do Bom Samaritano, todo cristão é convocado a ir ao encontro das pessoas, acolhendo-as em suas dores e sofrimentos, estendendo a mão sem julgar e condenar.
É neste sentido que o Papa Francisco nos exorta a sermos uma Igreja em Saída, ou seja: uma Igreja que não se fecha em si mesma, mas que está próxima das pessoas e tem atitude acolhedora. Celebrar o Ano Vocacional e ser uma Igreja em Saída é, portanto, renunciar à cultura do comodismo. Conforme nos alerta o mesmo Papa, tenhamos muito cuidado para não cair na globalização da indiferença, onde nos habituamos ao sofrimento do outro, onde este não nos diz respeito e não nos interessa. Ao contrário: somos chamados a ser imitadores do Bom Samaritano: “Viu, sentiu compaixão e cuidou dele” (Lc 10,33-34). Deus nos pergunta diariamente: “Onde está o teu irmão?” (Gn 4,9). Com corações ardentes e pés a caminho, certamente encontraremos muitos deles, sobretudo nas periferias existenciais.
Raul Bollini Neto
























