Slider

Nos últimos quatro anos, Irmã Marina cumpriu missão evangelizadora no Togo, país da África Ocidental.

Recém chegada ao Brasil, a religiosa baririense, Irmã Marina Delphino Alves, 74 anos, está retornando após 36 anos de serviço missionário na África. Durante esse tempo ela atuou em três países: Costa do Marfim e Togo, na África Ocidental, e Gabão, na África Central. De comum, a colonização francesa.
Há 49 anos Irmã Marina integra a Congregação das Missionárias de Santo Antônio Maria Claret, com sede em Londrina. E faz 57 anos, entre os anos de formação, atuação religiosa e vida missionária, que ela deixou a cidade natal.
Filha do guarda noturno da prefeitura, Sebastião Delphino Alves, o Bastião Belarmino, e da dona de casa, Maria Aparecida de Jesus, a menina Marina era “o sanduiche”, a “filha do meio”, entre os sete irmãos. Hoje, somente dois permanecem vivos, Sebastião Delphino Alves Filho e Belarmina Delphino Alves (Belmira/Fia), e residem em Ibitinga. Por isso, quando vem ao Brasil, como nesse final de ano, é para lá que vai.
Sempre que possível, Irmã Marina visita as organizações mantidas pelas irmãs claretianas em Bariri, como o Lar Vicentino e Creche Madre Leônia, onde ela atendeu a reportagem do Jornal Candeia.
Conta que teve certeza da vocação religiosa aos 13 anos de idade. Sofreu enorme resistência da família, em especial do pai. Com a ajuda da catequista Adelina Damico conseguiu finalmente convencer o Bastião Belarmino, e aos 16 anos entrou para o convento de Londrina.
Quando completou os votos foi para a cidade de Matão cumprir tirocínio (uma espécie de estágio) na área da saúde. Durante a permanência no convento Irmã Marina formou-se em técnico de enfermagem. Depois fez obstetrícia e, por último, teologia em Roma.

África ocidental

Em 1973, com 27 anos de idade, foi enviada em missão na África, primeiro na Costa do Marfim e, depois, no Gabão. Integrava um dos grupos pioneiros da congregação naquele país. No dia 9 de janeiro de 2019, as claretianas comemoram 50 anos de presença na África.
Segundo ela, o foco era saúde e evangelização. Trabalhou durante 17 anos em hospital, onde ganhou experiência missionária. Depois passou a atuar na área administrativa e de formação de religiosas africanas.
Trabalhava diretamente com jovens africanas de todas regiões. Um trabalho de responsabilidade, que tinha como objetivo transmitir o que ela chama de espírito claretiano. “É o de estar próximo das pessoas. A nossa opção na África é viver com, para e como o povo”, resume Irmã Marina.
Diferente de outras congregações ou ONGs, que contam com grandes investimentos e aparatos, a opção da congregação claretiana é a de viver na pobreza e simplicidade. As casas e a comida são as mesmas dos povos nativos. É normal a ausência quase que total de saneamento e condições precárias de higiene. “Morei em um local em que a água ficava a 27 quilômetros de distância. À noite, os partos e atendimentos no hospital eram realizados com iluminação a querosene”, conta.

Conselheira

Após um tempo de atuação missionária Irmã Marina retornou à Londrina para trabalhar como conselhiera geral das claretianas.
Integrou o governo provincial por 15 anos, como coordenadora e conselheira. Participou de ações inovadoras, com experiências de mudanças no serviço missionário.
Durante seis anos foi conselheira na área de animação da vida religiosa na Diocese de Londrina. Viajou para vários países e o Brasil todo, dando orientação na formação permanentes das irmãs.
A religiosa baririense também esteve por dois anos em Roma, na virada do milênio. Lá fez o curso de Teologia.

Togo

Em 2012, enfrentou tratamento de traumatismo na coluna cervical e imaginou que a experiência missionária na África havia chegado ao fim. Mas, em 2014, já restabelecida, aceitou o desafio de ir para o Togo, oeste da África.
A missão era atuar num país de governo despótico e ditatorial, comandado por uma dinastia familiar – os Gnassingbé – que há 52 anos está no poder. Para quem enfrentou 10 anos de guerra civil na Costa do Marfim, a situação no Togo era contornável.
Irmã Marina conta que o líder popular da independência do Togo, no início dos anos 60, foi Sylvanus Olympio, filho de um brasileiro, de família de ex-escravos. No entanto, após dois anos ele foi assassinado por militares ligados à dinastia Gnassingbé. Ainda é reverenciado pela maioria da população como “pai da nação”.
Ela relata que a situação divide o país, que vive tensão política e social constante. Não há liberdade de expressão, as mídias são silenciadas e quem luta por reformas democráticas é perseguido e/ou eliminado.
A maioria da população vive num sistema tribal, estrutura agrária, tendo como idioma oficial o francês (o Togo sofreu três colonizações, a inglesa, alemã e francesa) e 66 dialetos. “Quem realmente consolidou a igreja católica no país foram descendentes de ex-escravos brasileiros, que voltaram ao Togo”, comenta a irmã. Acrescenta que eles não tinham formação catequética, mas a fé herdada do povo brasileiro consolidou a missão.
Ela viveu os quatro anos de missão na aldeia Kpime Seva, a 10 quilômetros cidade de Kpalimé ET e a 130 kms da capital Lomé, que apesar do status, mais parece um bairro pobre de centros urbanos do Brasil, sem saneamento e a maioria das ruas sem asfalto.
Destaca que apesar da situação, a missão foi positiva.
Afirma que a evangelização resulta também, de testemunho de vida dos missionários. “No caso das claretianas, as três colunas da missão são: serviço, caridade e eucaristia, ressalta.
Agora no Brasil, Irmã Marina curte férias e ainda não recebeu confirmação da próxima missão que lhe será dada pela congregação. Mas, sabe que não será na África e/ou em outro país. Provavelmente no Estado de São Paulo.