Merece destaque e reflexão o posicionamento de Samira Belo Pereira, que ocupou a Tribuna da Câmara de Bariri na sessão de segunda-feira (3) para falar a respeito das demandas das chamadas mães atípicas (mulheres que criam filho com deficiência, atraso no desenvolvimento ou condição neurodivergente).
No caso particular de Samira, ela possui um filho de 8 anos, autista nível 3, não verbal. Trata-se de uma condição em que a pessoa necessita de acompanhamento multidisciplinar para que consiga ter um mínimo de qualidade de vida. Assim como Samira, há outras mães residentes no município na mesma condição.
Em Bariri, o atendimento é dado pela Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae), no entanto, a entidade tem um limite para zerar a fila, seja espaço físico ou falta de recursos financeiros para pagamento dos profissionais necessários.
A “conta” acaba recaindo sobre os cofres públicos, assim como inúmeras outras questões prioritárias. Para ficar num outro exemplo, o envelhecimento da população não é acompanhado por um centro de convivência do idoso.
Um ponto a ser considerado é a recente liberação de recursos pelo Executivo de emendas impositivas apresentadas por sete vereadores para a implantação do Centro Especializado do Autista na Apae.
O projeto prevê a reforma e adequação do espaço físico já existente na Apae, transformando-o em um centro especializado para atendimento de pessoas com TEA. Pode ser que toda a demanda existente não seja atendida, mas já é um avanço.
Vale lembrar também que no fim de 2023 a Câmara de Bariri aprovou projeto de lei de iniciativa do então vereador Edcarlos Pereira dos Santos que institui o programa Interagir, criando protocolos e fluxo de atendimento à pessoa com deficiência e/ou transtornos escolares.
O programa propõe uma conexão entre os serviços municipais já existentes, através da criação de Centro de Referências, que passa a gerenciar e supervisionar as ações de orientação, atendimento, encaminhamento e interlocuções das pessoas com deficiência e transtornos (TDHA; TDA; TEA; TOD).
Em resumo, trata-se de uma equação difícil de conciliar. Por um lado, há pessoas amparadas pela legislação (municipal, estadual ou federal) para que tenham o atendimento mais apropriado e digno possível. Por outro, o poder público não consegue executar todos os programas devido a limitações orçamentárias.
O melhor é que as partes sentem-se à mesa e realizem uma discussão de alto nível, sem vieses políticos. Olhar bons exemplos em municípios vizinhos também é válido.





















