
Irmãs Claretianas que deixarão o Lar Vicentino: diretoria da entidade propôs que permanecessem no Lar, mas restritas às atividades espirituais e de convivência, o que não foi aceito (Divulgação)
Diante de mudanças propostas pela diretoria do Lar Vicentino de Bariri nas funções desempenhadas pelas Irmãs Claretianas, as religiosas decidiram encerrar sua atuação na entidade. A decisão marca o fim de uma trajetória de mais de sete décadas de presença e contribuição à entidade e à comunidade baririense.
Irão deixar a instituição as irmãs Marina Delphito Alves, Lazinha Pires e Antônia do Espírito Santo Pinheiro. Elas preferiram não comentar o assunto ao Candeia.
Em nota, a diretoria informou que a entidade passa por um processo de reorganização administrativa, técnica e assistencial para atender às exigências legais, sanitárias e profissionais aplicáveis às Instituições de Longa Permanência para Pessoas Idosas (ILPIs).
Segundo o comunicado, desde maio de 2025 o Ministério Público (MP) vem apontando necessidades de adequação que permanecem, em parte, pendentes de resolução. Nos últimos meses, um levantamento detalhado das condições de funcionamento da entidade reforçou a necessidade de mudanças estruturais, logísticas, administrativas, contábeis e jurídicas para garantir a segurança, a dignidade e os direitos das 45 pessoas idosas acolhidas.
A diretoria destacou que o funcionamento de uma instituição desse tipo exige o cumprimento de normas específicas. As adequações envolvem, entre outros aspectos, coordenação técnica, prontuários atualizados, controle de medicamentos e estoques, protocolos assistenciais, definição de fluxos de trabalho e delimitação das responsabilidades dos profissionais.
De acordo com a nota, a reorganização também considera que o Lar recebe repasses governamentais e recursos provenientes de emendas parlamentares, o que exige transparência na aplicação dos recursos e o cumprimento das obrigações legais, contábeis e técnicas. A diretoria ressaltou que o cuidado com os idosos deve assegurar seus direitos, individualidade, autonomia, privacidade e atendimento digno.
Proposta
No processo de reorganização, o setor administrativo consultou a coordenação das Irmãs Claretianas sobre a possibilidade de disponibilização de religiosas com formação técnica compatível com as necessidades atuais da instituição. Conforme o comunicado, a Congregação informou que não dispunha, naquele momento, de irmãs com esse perfil profissional disponíveis para assumir as funções.
Diante disso, a diretoria apresentou uma proposta para que as religiosas permanecessem no Lar, mas restritas às atividades espirituais e de convivência, sem o exercício de funções técnicas ou de gestão. A intenção, segundo a instituição, era preservar a contribuição religiosa e espiritual das irmãs e, ao mesmo tempo, viabilizar as mudanças necessárias ao funcionamento regular do serviço.
As Irmãs Claretianas, porém, optaram por não permanecer nessas condições e decidiram encerrar seu ciclo na entidade.
A Diretoria reconheceu que as congregações religiosas enfrentam transformações históricas, incluindo a redução do número de religiosas, o que impõe desafios à continuidade de modelos de atuação estabelecidos ao longo de décadas. Também esclareceu que a contribuição espiritual tem importância própria, mas não substitui as funções técnicas e administrativas exigidas para o funcionamento de uma instituição de acolhimento de idosos.
Reconhecimento histórico
Ao agradecer à Congregação das Irmãs Claretianas e às religiosas que passaram pelo Lar Vicentino, a diretoria da instituição destacou a dedicação, a caridade e o trabalho desenvolvido durante mais de 70 anos. Afirmou respeitar a decisão das irmãs e ressaltou que o encerramento desse ciclo não representa o rompimento dos laços de respeito e reconhecimento construídos ao longo da história.
O comunicado informa ainda que o Lar permanece de portas abertas para as religiosas, caso desejem retornar às atividades de convivência e espiritualidade. Também não descarta uma futura colaboração com a Congregação, caso haja disponibilidade de irmãs com formação técnica compatível com as funções exigidas.
A Diretoria reafirmou o compromisso de implementar, com a maior brevidade possível, as adequações apontadas pela Promotoria de Justiça, por meio de planejamento, definição de responsabilidades, acompanhamento de resultados e diálogo com os órgãos competentes.
Segundo a instituição, a prioridade é conciliar a dimensão espiritual de sua história com as exigências técnicas, legais e administrativas atuais, garantindo a qualidade do atendimento e o bem-estar dos idosos acolhidos.





















