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Mães atípicas relatam dificuldades e cobram atendimento especializado

7 ago, 2026

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Samira Belo Pereira, mãe de um menino de 8 anos, autista nível 3, ocupou a Tribuna da Câmara: “eu filho não recebeu alta. Ele simplesmente foi desligado do atendimento”- Alcir Zago/Candeia

Um grupo de mães atípicas (mulheres que criam filho com deficiência, atraso no desenvolvimento ou condição neurodivergente, como autismo ou síndromes) esteve na sessão da Câmara de segunda-feira (3) para pedir providências em relação à falta de atendimento especializado no município.

Representando as famílias, Samira Belo Pereira ocupou a Tribuna do Legislativo e relatou as dificuldades enfrentadas por seu filho, de 8 anos, autista nível 3, não verbal, e afirmou que a situação é vivida por diversas mães que aguardam atendimento na rede pública.

Mãe solo, Samira contou que o filho depende integralmente de terapias especializadas para seu desenvolvimento e qualidade de vida. Segundo ela, até os seis anos de idade a criança era atendida pela Apae uma vez por semana por uma equipe multidisciplinar, período em que apresentou evolução significativa.

Segundo a Apae, o atual plano de trabalho firmado entre a entidade e a Prefeitura de Bariri contempla o atendimento até seis anos e 11 meses para situações semelhantes à do filho de Samira. A instituição elaborou novo plano de trabalho para atendimento de maior número de crianças, no entanto, é preciso que haja concordância do poder público, com maior aporte financeiro.

“Meu filho não recebeu alta. Ele simplesmente foi desligado do atendimento. O autista deixa de precisar de tratamento quando completa essa idade?”, questionou durante o pronunciamento.

De acordo com Samira, a Prefeitura não oferece atualmente a estrutura necessária para atender crianças com esse perfil, faltando profissionais como neuropediatra, terapeuta ocupacional e fonoaudiólogo especializado em autismo. Segundo ela, as famílias recebem constantemente a informação de que não há vagas nem recursos financeiros para ampliar os serviços.

Durante sua manifestação, a mãe citou a Lei nº 12.764/2012, conhecida como Lei Berenice Piana, que instituiu a Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista e garante o acesso ao atendimento pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Também mencionou a Lei Brasileira de Inclusão (Lei nº 13.146/2015) e os direitos assegurados pela Constituição Federal às pessoas com deficiência.

Dificuldades também na escola

Samira relatou ainda os desafios enfrentados pelo filho na rede municipal de ensino. Atualmente matriculado no 2º ano da Escola Municipal Professora Rosa Benatti, ela afirma que a criança apresenta pouca evolução no ambiente escolar.

Segundo o relato, durante episódios de crise o estudante é colocado sobre um colchão. A criança utiliza fraldas, possui dificuldades motoras e não consegue se adaptar ao uso do lápis para realizar atividades pedagógicas.

Outro ponto levantado foi a dificuldade encontrada na atribuição de aulas. Conforme afirmou, nenhuma professora opta por assumir a turma em que seu filho está matriculado, situação que, segundo ela, prejudica ainda mais o processo de aprendizagem.

As mães presentes defenderam a criação de vagas para atendimento em instituições como a Apae ou a implantação de um Centro Especializado em Autismo, com equipe multidisciplinar composta por neuropediatra, psicólogo, terapeuta ocupacional, fonoaudiólogo e outros profissionais.

Também relataram dificuldades para obter laudos médicos, informando que algumas famílias precisaram recorrer a especialistas em outras cidades, arcando com altos custos particulares.

Outro problema apontado foi a ausência de atendimento psicológico voltado às famílias. Segundo os relatos, Bariri não possui uma rede estruturada de apoio às mães atípicas, que acabam dependendo do auxílio de parentes e amigos para enfrentar os desafios da rotina.

Após os pronunciamentos, diversos vereadores se manifestaram sobre o tema. Parlamentares cobraram da administração municipal a ampliação dos serviços especializados e sugeriram a celebração de novas parcerias com a Apae, destacando que municípios da região já oferecem estruturas específicas para atendimento de pessoas com autismo.

Também foi informado durante a sessão que a Prefeitura estuda a implantação de um Centro Especializado em Autismo no município, proposta que, caso seja concretizada, poderá ampliar o acesso das famílias aos atendimentos multidisciplinares reivindicados.

 

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