
“Eu diria que 2025 foi o ano de preparar o terreno, e 2026 passa a ser o ano de transformar planejamento em realização. Existe, sim, uma relação direta entre o que foi construído no ano passado e o que começa a ganhar forma agora” (Divulgação)
O diretor de Desenvolvimento Econômico e Turismo de Bariri, Wellington Pollonio Bof (Parraguinha), avalia de forma positiva o primeiro ano de gestão, destacando que 2025 foi marcado pela criação de bases estruturais para o crescimento de Bariri. Entre as principais ações, estão o fortalecimento do Conselho de Desenvolvimento, a criação do Fundo Municipal, o avanço do programa Investe Bariri e a política de aproveitamento de áreas ociosas. Na área do turismo, o município conquistou o título de Município de Interesse Turístico (MIT), além da realização do Festival do Taleme e iniciativas de valorização cultural. Também houve avanços na qualificação profissional, com reestruturação da escola técnica e oferta de cursos. Para 2026, a proposta é transformar o planejamento em ações concretas. Entre os projetos, estão a criação de uma nova área para expansão industrial, melhorias na infraestrutura do Pólo Industrial — incluindo obras de drenagem e asfaltamento — e iniciativas voltadas à atração de empresas e geração de empregos. O diretor ressaltou a importância do diálogo com a Câmara Municipal na aprovação dos projetos e defendeu medidas como a desafetação pontual de áreas e o leilão de terrenos públicos ociosos, afirmando que essas ações seguem critérios legais e visam fortalecer a capacidade de investimento do município.
Candeia – Que avaliação o senhor faz das ações e programas da Diretoria de Desenvolvimento Econômico e Turismo no primeiro ano de governo?
Parraguinha – Faço uma avaliação muito positiva. Quando assumi a Diretoria de Desenvolvimento Econômico e Turismo, entendi que Bariri precisava, antes de tudo, de estrutura, planejamento e instrumentos concretos para crescer com segurança. Por isso, nosso primeiro ano foi marcado pela construção de bases sólidas, mas também por conquistas importantes. Fortalecemos o Conselho de Desenvolvimento, criamos o Fundo Municipal de Desenvolvimento, avançamos com o Investe Bariri e iniciamos uma política responsável de aproveitamento de áreas ociosas, sempre com o objetivo de dar destinação responsável a bens sem uso estratégico imediato, convertendo isso em investimento para a cidade. Na área do turismo, tivemos uma conquista histórica com o reconhecimento de Bariri como Município de Interesse Turístico, o MIT, o que representa um excelente começo e, ao mesmo tempo, aumenta nossa responsabilidade de trabalhar ainda mais para que a cidade continue avançando nesse processo. Também valorizamos a identidade local com o Festival do Taleme, uma iniciativa que deu certo, fortaleceu nossa cultura gastronômica e já tem sua segunda edição prevista para 2026. Além disso, estamos em um processo de resgate da Igreja Ortodoxa, que faz parte da história e da formação cultural do nosso município. Na qualificação profissional, também avançamos bastante. Estamos reestruturando a escola técnica para que ela possa receber, em 2027, o primeiro ensino médio com formação técnica, além dos inúmeros cursos de capacitação realizados ao longo de 2025.
Candeia – Para 2026, que projetos devem ser colocados em prática? Há relação com as iniciativas do ano passado?
Parraguinha – Sem dúvida. Eu diria que 2025 foi o ano de preparar o terreno, e 2026 passa a ser o ano de transformar planejamento em realização. Existe, sim, uma relação direta entre o que foi construído no ano passado e o que começa a ganhar forma agora. Hoje, graças às medidas adotadas, já contamos com recursos no Fundo de Desenvolvimento e estamos trabalhando para viabilizar uma nova área voltada à expansão industrial do município, atendendo tanto empresas que desejam crescer em Bariri quanto novos empreendedores interessados em se instalar aqui. Ao mesmo tempo, temos a responsabilidade de cuidar da estrutura já existente. Por isso, uma frente importante deste ano é a melhoria da principal via de acesso ao nosso pólo industrial, uma demanda antiga, marcada por problemas de drenagem e desgaste da via. Já estamos na fase final da licitação das galerias, que antecederá o asfaltamento. Também temos em andamento projetos vinculados à implantação e ampliação de atividades empresariais, com expectativa concreta de geração de renda, movimentação econômica e novos empregos para a população. Em resumo, 2026 representa o início de uma nova etapa: a fase em que o planejamento deixa de ser apenas intenção e passa a se converter em investimento, estrutura e resultado concreto para Bariri.
Candeia – Muitas dessas ações tiveram a aprovação da Câmara Municipal. O senhor manteve contato com os vereadores a respeito da importância dos projetos? De que forma?
Parraguinha – Sim, e faço questão de reconhecer o papel importante que a Câmara Municipal tem exercido nesse processo. O desenvolvimento de uma cidade não se constrói de forma isolada. Ele exige diálogo, responsabilidade institucional e compreensão de que os grandes projetos precisam estar acima de disputas menores, porque dizem respeito ao futuro da população. Sempre mantive uma relação de respeito com o Legislativo, até porque conheço de perto a relevância do trabalho dos vereadores. Por já ter passado pela Câmara, sei da responsabilidade que cada parlamentar tem ao analisar matérias dessa natureza. Por isso, nossa postura sempre foi a de encaminhar os projetos com o máximo de informações técnicas possíveis e todos os elementos necessários para que os vereadores tenham segurança na análise. Além disso, sempre procurei estar à disposição para esclarecer dúvidas e apresentar os objetivos de cada proposta com transparência. Acredito muito na boa política, na política do diálogo e da construção conjunta. Quando Executivo e Legislativo trabalham com responsabilidade, respeito institucional e visão de cidade, quem ganha é Bariri.
Candeia – Uma inovação do atual governo foi a venda de áreas verdes para a iniciativa privada. De que forma essa medida é possível do ponto de vista legal?
Parraguinha – Antes de tudo, é importante fazer um esclarecimento com serenidade e responsabilidade: não houve uma política generalizada de alienação de áreas verdes. O que ocorreu foi a desafetação pontual de duas áreas específicas, localizadas em região estratégica de expansão dentro do Pólo Industrial. Do ponto de vista legal, isso se tornou possível a partir do reconhecimento da inconstitucionalidade de dispositivo que restringia a autonomia dos municípios nesse tipo de decisão. A partir daí, passou a existir respaldo para que o município, observando os requisitos legais e o interesse público, pudesse deliberar sobre essas situações de forma legítima. Em Bariri, esse tema foi tratado com responsabilidade, por meio de audiência pública, debate legislativo e análise técnica. Também é importante registrar que se tratam de áreas que não apresentam configuração de mata consolidada, e toda essa discussão foi conduzida com cautela, inclusive com diálogo junto à Cetesb. O que norteou essa decisão não foi improviso, mas sim a busca por equilíbrio entre legalidade, responsabilidade ambiental e necessidade de desenvolvimento.
Candeia – Outra medida foi o levantamento e posterior leilão de terrenos ociosos pertencentes ao poder público. Fale um pouco a respeito dessa política.
Parraguinha – Essa política nasceu de uma reflexão muito objetiva sobre a realidade da administração pública. O município tem muitas demandas, recursos limitados e a obrigação permanente de agir com responsabilidade e planejamento. Diante disso, entendemos que não fazia sentido manter áreas ociosas, sem destinação efetiva, enquanto a cidade precisava criar meios para investir em desenvolvimento. O levantamento e posterior leilão dessas áreas foi justamente uma forma de dar utilidade econômica e social a bens que estavam parados, revertendo esse valor em capacidade de investimento para o município, sem ampliar o peso sobre o orçamento ordinário. Com essa medida, foi possível fortalecer de forma significativa o Fundo Municipal de Desenvolvimento, com recursos que, por lei, não se destinam a salários nem a despesas correntes, mas sim a investimentos estruturantes, voltados ao crescimento da cidade.Vejo essa política como uma demonstração de gestão moderna e responsável. Não se trata de vender patrimônio por vender, mas de assegurar que bens sem função pública imediata possam retornar para a população em forma de infraestrutura, oportunidades e desenvolvimento.
Candeia – Na sessão de segunda-feira, dia 6, foram encaminhados ao Legislativo projetos que tratam do desenvolvimento econômico. Qual o objetivo dessas propostas?
Parraguinha – Os projetos encaminhados têm um objetivo muito claro: criar condições concretas para ampliar a atividade econômica, atrair investimentos e gerar empregos em Bariri. Dois desses projetos tratam de incentivos vinculados a áreas públicas, sempre com encargos, metas, prazo de cumprimento e mecanismos de reversão ao patrimônio público em caso de descumprimento. Ou seja, não se trata de simples transferência patrimonial, mas de instrumentos voltados à geração de emprego, investimento e atividade econômica para a cidade. Também foi encaminhada proposta relacionada à concessão onerosa de um barracão que será devolvido ao município. A ideia é permitir que esse espaço volte rapidamente a cumprir sua função econômica, sendo ocupado por uma nova empresa, com um modelo que estimula a geração de empregos por meio de abatimento proporcional no valor da locação. São medidas que refletem uma visão muito clara: o patrimônio público precisa estar a serviço do interesse público. E, no caso da política de desenvolvimento, isso significa criar um ambiente favorável para que empresas cresçam, novos negócios se instalem e Bariri avance com mais oportunidades para sua população.
























