(14) 3662-2916

jornalcandeia@jornalcandeia.com.br

Composição 1_1
Slide
03 05 25 Nutribem

Médico alerta que 50 doenças estão relacionadas ao cigarro

24 maio, 2019

Composição 1_1
Slide
03 05 25 Nutribem

Fabio Gomes Pereira

“Estima-se que, no Brasil, a cada ano, cerca de 157 mil pessoas morram precocemente devido às doenças causadas pelo tabagismo”

A Organização Mundial da Saúde (OMS) criou em 1987 o Dia Mundial Sem Tabaco. A data é comemorada no dia 31 de maio, próxima sexta-feira. O objetivo é alertar sobre as doenças e mortes evitáveis relacionadas ao tabagismo. Para falar sobre os malefícios do cigarro, o Candeia entrevista o médico oncologista Fabio Gomes Pereira, do Hospital Amaral Carvalho (HAC), de Jaú. Segundo ele, o tabaco está relacionado a uma série de doenças. “A dependência de nicotina é classificada como uma doença crônica, que tem relação com aproximadamente 50 enfermidades, dentre elas vários tipos de cânceres”, destaca o médico. Ele é formado em medicina pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, com residência em clínica médica e em oncologia clínica no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP).

Candeia – Por que produtos derivados de tabaco fazem mal à saúde?
Pereira – O tabaco e seus derivados são nocivos à saúde. Eles podem ser consumidos na forma de inalação (cigarro, charuto, cachimbo, narguilé, cigarro de palha), aspiração (rapé) e mastigação (fumo de rolo). Com o consumo, existe a absorção de mais de 4.700 substâncias tóxicas no organismo, incluindo a nicotina (que é responsável pela dependência química), o alcatrão (que é constituído por mais de 55 substâncias cancerígenas) e o monóxido de carbono (o mesmo gás que é emitido do escapamento de automóveis).

Candeia – Como o cigarro atua quimicamente no organismo?
Pereira – A fumaça do cigarro é inalada para os pulmões, distribuindo-se para o sistema circulatório em questão de segundos, fazendo com que as toxinas, incluindo a nicotina, cheguem rapidamente ao nosso cérebro. O fluxo sanguíneo pulmonar é intenso, em questão de minutos todo o volume de sangue do corpo passa por este órgão. Substâncias inaladas têm a capacidade de se espalhar em uma velocidade quase igual à de substâncias introduzidas diretamente por injeções intravenosas. Não podemos esquecer que a absorção da fumaça do charuto e cachimbo se inicia junto à mucosa oral, sendo assim, mesmo sem tragá-los, a toxinas atingem rapidamente a corrente sanguínea. Existe também o efeito direto sobre o epitélio que tem contato direto com estas toxinas, aumentando o risco do aparecimento de cânceres.

Candeia – O que causa a dependência do cigarro? Por que as pessoas começam e continuam a fumar?
Pereira – A nicotina, que é encontrada em todos os derivados do tabaco, é a droga que causa dependência. Trata-se de uma substância psicoativa, que produz a sensação de prazer, podendo induzir ao abuso e à dependência. Ao ser inalada produz alterações no Sistema Nervoso Central, modificando o estado emocional e comportamental dos indivíduos, da mesma forma como ocorre com a cocaína, heroína e álcool. Quando a nicotina atinge o cérebro, promove a liberação de diversos neurotransmissores que são responsáveis por estimular a sensação de prazer, explicando-se assim as boas sensações que o fumante tem ao fumar. Com a inalação contínua da nicotina, o cérebro se adapta e passa a precisar de doses cada vez maiores para manter o mesmo nível de satisfação que tinha no início. Esse efeito é chamado de tolerância à droga. Com o passar do tempo, o fumante passa a ter necessidade de consumir cada vez mais cigarros. Com a dependência, cresce também o risco de se contrair doenças crônicas não transmissíveis, que podem levar à invalidez e à morte.

Candeia – Quais são as principais doenças causadas pelo uso do cigarro?
Pereira – Segundo a Organização Mundial da Saúde, a dependência de nicotina é classificada como uma doença crônica, que tem relação com aproximadamente 50 enfermidades, dentre elas vários tipos de cânceres (pulmão, laringe, faringe, esôfago, estômago, pâncreas, fígado, rim, bexiga, colo de útero, leucemia), doenças do aparelho respiratório (enfisema pulmonar, bronquite crônica, asma, infecções respiratórias) e doenças cardiovasculares (angina, infarto agudo do miocárdio, hipertensão arterial, aneurismas, acidente vascular cerebral, tromboses). Há ainda outras doenças relacionadas ao tabagismo: úlcera do aparelho digestivo; osteoporose; catarata; impotência sexual no homem; infertilidade na mulher; menopausa precoce e complicações na gravidez. Estima-se que, no Brasil, a cada ano, cerca de 157 mil pessoas morram precocemente devido às doenças causadas pelo tabagismo. Os fumantes adoecem com uma frequência duas vezes maior que os não fumantes. Têm menor resistência física, menos fôlego e pior desempenho nos esportes e na vida sexual do que os não fumantes. Além disso, envelhecem mais rapidamente e ficam com os dentes amarelados, cabelos opacos, pele enrugada e impregnada pelo odor do fumo.

Candeia – Como o tabagismo passivo afeta a saúde?
Pereira – Os não fumantes que respiram a fumaça do tabaco têm um risco maior de desenvolver doenças relacionadas ao tabagismo. Quanto maior o tempo em que o não fumante fica exposto à poluição tabagística ambiental, maior a chance de adoecer. A fumaça que sai do cigarro acesso se difunde homogeneamente pelo ambiente. Essa fumaça contém em média três vezes mais nicotina, três vezes mais monóxido de carbono e até 50 vezes mais substâncias cancerígenas do que a fumaça que o fumante inala. O tabagismo passivo em curtos períodos pode acarretar desde reações alérgicas (rinite, tosse, conjuntivite, exacerbação de asma), até infarto agudo do miocárdio, câncer de pulmão e doença pulmonar obstrutiva crônica (enfisema pulmonar e bronquite crônica) em adultos expostos por longo período.

Candeia – Que orientações dar para quem quer deixar o vício do cigarro?
Pereira – Já é esperado que a pessoa faça mais de uma tentativa antes de parar definitivamente. Estudos mostram que em média um ex-fumante tenta parar de fumar entre três a quatro vezes até conseguir definitivamente. A cada tentativa, se conhecem as maiores dificuldades e aprende-se a controlá-las, sem fumar. Por exemplo: você resolve parar de fumar e, ao estar diante de uma situação de estresse, pensa em fumar um cigarro como solução para se acalmar. Com o tempo você vai aprendendo que, além do cigarro não resolver seus problemas, ele está tirando sua saúde. Desde 2002, o Ministério da Saúde, juntamente com as secretarias estaduais e municipais de Saúde, vem organizando uma rede de unidades de saúde do SUS para oferecer tratamento do tabagismo para os fumantes que desejam parar de fumar. O tratamento é realizado por profissionais de saúde de nível superior e composto de uma avaliação individual, passando depois por consultas individuais ou sessões de grupo de apoio, nas quais o paciente fumante entende o papel do cigarro na sua vida, recebe orientações de como deixar de fumar, como resistir à vontade de fumar, e principalmente como viver sem cigarro. Durante as quatro primeiras reuniões de grupo (ou consultas individuais) são fornecidos manuais de apoio com informações sobre cada uma das sessões. Também são fornecidos medicamentos gratuitos com o objetivo de reduzir os sintomas da síndrome de abstinência à nicotina. Procure o coordenador do controle de tabagismo no seu Estado, município ou postos de saúde próximos de sua casa ou do trabalho e se informe sobre os locais e horários de tratamento do tabagismo.

Candeia – Quais os resultados práticos junto às campanhas contra o tabaco e na mudança da legislação em relação a este vício?
Pereira – O uso do tabaco passou a ser identificado como fator de risco para uma série de doenças a partir da década de 1950. No Brasil, na década de 1970, começaram a surgir movimentos de controle do tabagismo liderados por profissionais de saúde e sociedades médicas. A atuação governamental, no nível federal, começou a institucionalizar-se em 1985 com a constituição do Grupo Assessor para o Controle do Tabagismo no Brasil e, em 1986, com a criação do Programa Nacional de Combate ao Fumo. Desta forma, desde o final da década de 1980, sob a ótica da promoção da saúde, a gestão e governança do controle do tabagismo no Brasil vem sendo articulada pelo Ministério da Saúde através do Instituto Nacional de Câncer (Inca), o que inclui um conjunto de ações nacionais que compõem o Programa Nacional de Controle do Tabagismo (PNCT). Com este programa, medidas como a implementação de preços mínimos (dificultando o acesso da população jovem), a legislação antifumo (que proibiu o consumo de derivados do tabaco em ambientes de uso coletivo, públicos ou privados), o fornecimento de medicações gratuitas para auxílio em parar de fumar, dentre outras medidas implementadas, proporcionam uma redução importante e gradativa no tabagismo da população adulta. Dados publicados pelo Ministério da Saúde demonstram que a proporção de fumantes na população adulta brasileira caiu de 15,7% para 10,1% entre 2006 e 2017, uma redução de 36% em 11 anos. Espera-se que estes dados continuem a melhorar e que cada vez medidas eficazes sejam implementadas no combate a essa doença.

Crédito da foto: Israel Denadai

i
Notícias Recentes
cirurgia-dentista-bariri
fisiotarapia-pos-covi
imagem-veterinaria-bariri
03 05 25 Nutribem
01 02 25 Maísa bonatelli
03 05 25 Samir
17 05 25 Letícia Ramos
19 07 25 Indicador
21 06 25 Gabriella Artuso
10 05 Agro Regional
21 06 25 Rose's
21 12 24 Taise Leonel
28 09 24 Ateliê de Psicologia Expressiva
28 09 24 Atual
28 09 24 Camila Slompo
28 09 24 Dr Renan e Dra Bruna Budin
28 09 24 Eletrosampa
28 09 24 Instituto Olhos Marques
28 09 24 Thaís Leite
28 09 24 Zoomed
fabiana
08 07 23 Essência do Ser
28 12 24 Madeireira
previous arrow
next arrow
Z
Vote na nossa Enquete

Qual a sua opinião sobre a equipe de governo anunciada pelo prefeito Airton Pegoraro no dia 01 de janeiro?

Ver resultados

Carregando ... Carregando ...