João Henrique, João e Rafael, responsáveis pela Raffickstore: quatro lojas em Bariri e região – Divulgação
Prover a família: este é um dos ofícios mais tradicionais de um pai, que juntamente com as mães, trazem o sustento para dentro de seus lares.
É comum enquanto criança, no dia a dia, os filhos acompanharem o trabalho dos pais, e assim muita vezes acabam aprendendo o ofício, e não raro tomando gosto pela coisa.
É o caso dos entrevistados pelo Candeia nesta edição comemorativa de Dia dos Pais: Firmino Cabeleireiro, Rafa Rick Store e Tessaroli Relojoaria são exemplos de empresas em que pais e filhos, além de parentes, são sócios e empreendedores.
Contraponto ideal
Em 1974, de maneira bem incipiente e com aspirações puramente de subsistência, o comerciante João da Silva, hoje com 68 anos, iniciou comércio de produtos de origem animal em bairros agrícolas. Com notável visão comercial, aos poucos foi adequando o estoque aos produtos de vestuário e cama, mesa e banho, mais procurados.
Improvisou loja em seu quarto, onde vendia pela janela. Logo o negócio foi crescendo e tomou vários cômodos no fundo da casa dos pais de João, e assim nasceu a Loja João da Silva.
Nos anos 90 o mundo era diferente, as necessidades também, e devido às boas vendas João passou a pedir a ajuda dos filhos João Henrique da Silva, 39 anos, economista e administrador e Rafael Cristiano da Silva, 36 anos, educador físico
E foi desta forma, por livre e espontânea “pressão”, que a partir dos 12 anos os dois já tinham o compromisso de ir trabalhar na loja. “Também não demorou muito para percebermos nossa veia comercial e querer estar presente nas decisões empresariais”, afirma Rafael.
Assim, juntos, em 2000 abriram a segunda loja nos altos da cidade, em 2013 a terceira no Centro (RafRickStore) e em 2016 saíram de Bariri para montar a quarta loja no shopping Boulevard Bauru (Raffickstore).
“Passamos por fases, num momento alguém está se dedicando a uma loja especifica, em outro estamos tentando dividir o trabalho por departamentos e assim nas mais diversas circunstâncias estamos nos adaptando para suprir as necessidades mais urgentes”, afirma o caçula.
“Conversamos muito e nos ajudamos mutuamente, nem sempre é fácil, há algumas discussões e pontos divergentes, mas no final o bem comum das lojas é sempre prioridade”, pontua.
Hoje o pai, com mais vivência e experiência, se coloca mais conservador e com menos apetite para os riscos, já os filhos, devido até mesmo a idade, têm postura mais arrojada com mais vontade de estar investindo e inventando.
“Essa característica se mostrou importantíssima para nós, funciona como uma espécie de sistema de pesos e contrapesos nas decisões, o que as torna bem equilibradas”, finaliza.
Amor e talento
Em 1961, Firmino Alves de Oliveira, hoje com 75 anos, atuava como barbeiro junto ao primo Belmonte. Dez anos mais tarde porém o dom para trabalhar em cabelos femininos veio à tona, juntamente com o espírito inovador, e o cabeleireiro montou seu primeiro salão, já com ar condicionado e vidro Blindex, novidade para época na cidade.
Em 1978, nova mudança, para espaço mais amplo. Hoje, Firmino Cabeleireiro é referência em Bariri e região no que diz respeito à moda em cabelo e estética.
Naturalmente, os filhos Marcelo, 49, (cabeleireiro masculino e feminino); Márcia, 48, (maquiadora, designer de sobrancelhas, cabelos femininos), Melissa, 45, (esteticista facial e corporal e designer de sobrancelhas) e Maurice,41, (cabeleireiro masculino e feminino e penteados) perceberam o amor do pai pela atividade.
“Queríamos apoiá-lo na continuidade do negócio que sempre se dedicou tanto e a partir disso encontramos nosso talento”, afirma Marcelo. Segundo ele, a preocupação do pai sempre foi de ensinar seu ofício aos filhos para garanti-los o ganha-pão de cada dia.
“Todos temos direitos e deveres. Somos família, mas para o negócio prosperar temos que focar em uma gestão empresarial, pensar como uma empresa e não como uma casa, pois as responsabilidades são diferentes”, acredita o profissional
Para ele, a prioridade é atenção aos clientes, a limpeza e organização do ambiente e a excelência nos serviços executados. No salão, cada um dos irmãos atua em sua especialidade com seu estilo próprio. “Conhecemos as técnicas e as desenvolvemos de maneiras diferentes”, afirma.
“Quando um de nós faz um curso de especialização, volta com muita energia, passando seus conhecimentos adquiridos a todos”, enfatiza. O grande centro porém, é o trabalho de Firmino, o qual todos se baseiam.
“Nosso pai ensina pelas mãos mais que por palavras. Basta olhá-lo fazendo um corte, uma coloração, umas mechas, para ver que lá está um dom vivo para criar e inspirar seus filhos”, conta o cabeleireiro.
“Por fim, nós somos gratos a Deus e a nossos pais Firmino e Lourdes, por nos darem um alicerce construído sobre o amor para firmar nossa vida familiar e de trabalho”, finaliza.
Respeito às diferenças
Em 29 de julho de 1969, há 50 anos, o relojoeiro Julio Luiz Tessaroli , hoje com 76 anos, abriu seu próprio negócio, após trabalhar em duas relojoarias da cidade e ver a possibilidade de crescimento na profissão.
A primeira loja foi na Rua sete de Setembro, ao lado do banco Itaú, onde permaneceu até 1993. Depois mudou-se para prédio próprio, onde está até hoje, na Avenida 15 de Novembro.
Quando os filhos Adenilson Cesar Tessaroli (48 anos, relojoeiro e ourives) e Aguinaldo Cesar Tessaroli (50 anos, contador) completaram dez anos, o pai Julio começou a levá-los na loja, ensinando desde pequenos algumas coisas básicas da profissão.
Aos poucos os dois foram se aprimorando e pegando gosto pelo comércio do pai. “Trabalhamos juntos até hoje e nos tornamos uma sociedade familiar”, afirma Adenilson.
Hoje, na Tessaroli Relojoaria, o filho mais novo e o pai ficam na parte de assistência técnica de relógios e jóias e o irmão velho fica na administração.
Cada um tem suas particularidades, sendo um mais conservador e outro mais inovador, entre outras coisas. Porém como uma sociedade familiar, todos têm que respeitar as diferenças.
“O mais importante é saber que foi nosso pai que começou tudo, e se não fosse por ele não teríamos nada disso”, enfatiza Adenilson. “Se hoje nos tornamos uma das lojas mais tradicionais da cidade foi por causa do nosso pai. Por isso, nossa eterna gratidão a ele”, finaliza.
Família Alves de Oliveira: salão iniciado com Firmino já está conta com a colaboração da terceira geração da família – Divulgação
Aguinaldo, Julio e Adenilson, da Tessaroli Relojoaria: filhos atuam desde pequenos ao lado do pai – Divulgação



























