Santa Casa de Bariri alega que Santa Casa de Jaú demorou em receber gestante

Gestante foi ao pronto-socorro (PS) da Santa Casa de Bariri com fortes dores na barriga – Foto: arquvio
Uma mulher de 19 anos entrou em trabalho de parto em Bariri e perdeu o bebê a caminho de Jaú. Ela registrou boletim de ocorrência na Central de Polícia Judiciária (CPJ) de Jaú às 19h30 de anteontem, dia 21.
Conforme o relato da jovem, estava grávida de oito meses. Na quarta-feira, dia 20, às 15h, foi ao pronto-socorro (PS) da Santa Casa de Bariri com fortes dores na barriga.
Funcionários do hospital acionaram médico ginecologista, mas ele teria se negado a comparecer.
A equipe de enfermagem aplicou injeção para amenizar a dor. A mulher foi liberada para ir embora para casa, isso por volta das 16h30.
Mais tarde, por volta da meia-noite, ela retornou ao PS com a bolsa rompida. Novamente foi acionado o médico, mas não compareceu, alegando que o plantão não era seu nesse dia.
A equipe de enfermagem constatou que a mulher estava em trabalho de parto e que o bebê estava nascendo.
A decisão da equipe e de médico de plantão é que ela fosse transferida para a Santa Casa de Jaú.
No meio do caminho o bebê começou a nascer. Quem estava com a jovem na ambulância não conseguiu fazer o parto.
Ela chegou ao hospital jauense por volta das 3h de anteontem, no entanto, o médico plantonista constatou que o bebê havia morrido.
Outro lado: Hospital alega que Santa Casa de Jaú demorou em receber gestante

Jésus Fernandes da Costa Junior, primeiro a partir da direita, comenta sobre caso de jovem que perdeu bebê – Alcir Zago/Candeia
O médico Jésus Fernandes da Costa Junior, um dos responsáveis pela gestão da Santa Casa de Bariri, afirma que o hospital tomou todas as providências necessárias para que a gestante de 19 anos tivesse o atendimento correto.
Ele tratou do assunto em reunião promovida na tarde de sexta-feira, dia 22, com membros da comissão interventora, vereadores e conselheiros tutelares.
Segundo Costa Junior, nem todas as informações dadas pela mulher em boletim de ocorrência são verdadeiras.
Diz que não foi encontrada ficha de atendimento de que ela teria sido atendida por volta das 15h de quarta-feira, dia 20. Também não seria verdadeiro o comentário de que ela saiu de Bariri para ser transferida a Jaú com metade do corpo do bebê para fora de sua vagina. Outro ponto abordado pelo gestor é que o ginecologista de plantão em nenhum momento teria se negado em dar atendimento.
A mulher chegou ao pronto-socorro (PS) por volta das 23h30 de quarta-feira. Como estava entrando em trabalho de parto e se tratava de um caso de parto prematuro (35 semanas de gestação), 10 minutos depois da chegada dela houve pedido de transferência via Central de Vagas. O hospital baririense não poderia realizar o parto porque não dispõe de UTI neonatal.
De acordo com o médico, a Santa Casa de Jaú teria feito duas negativas para a transferência da gestante. A unidade de Bariri insistiu na vaga, relatando que era caso urgente.
Até esse momento, segundo Costa Junior, a jovem não havia apresentado dilatação.
Por volta das 2h da quinta-feira, dia 21, houve contato com ginecologista de plantão. O médico teria relatado que o caso deveria ser encaminhado a Jaú.
Como não havia vaga disponível, com o tempo a paciente começou a ter dilatação. Novamente houve contato com o ginecologista. O assessor da intervenção conta que assim que o médico avisou que estava vindo para Bariri, a Santa Casa de Jaú liberou a vaga à mulher.
Durante a transferência a Jaú o bebê nasceu no meio do caminho e acabou morrendo.
Para Costa Junior, o maior problema nesse caso foi a Santa Casa de Jaú ter se recusado em receber a paciente antes. A referência regional para casos graves é o hospital da cidade vizinha. Afirma que o parto não poderia ser feito em Bariri porque era um caso prematuro.
Além disso, diz que o bebê estava sentado (posição pélvica) e que nestes casos mesmo os obstetras mais experientes resolvem fazer a cesariana para que não haja complicações ao bebê.
A direção da Santa Casa registrou boletim de ocorrência na sexta-feira, dia 22, na Delegacia de Bariri e acionou o Conselho Regional de Medicina (CRM) para que apure as condutas das santas casas de Bariri e de Jaú e a Central de Vagas.
























