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Irmã Marina Delphino Alves atuou por 36 anos no serviço missionário na África – Foto: Robertinho Coletta

Desde o dia 15 de fevereiro a atenção e cuidados aos idosos do Lar Vicentino de Bariri estão sob nova coordenação. A irmã claretiana Marina Delfino Alves, 74 anos, após 36 anos de missão em países da África, volta à cidade natal para substituir a irmã Idair Alcântara, 76 anos, à frente da entidade.

Segundo Irmã Marina, que é técnica em enfermagem, obstetra e atuou na formação de missionárias, é a primeira vez que trabalha com idosos. Por isso, nos 15 primeiros dias procurou tomar conhecimento do trabalho realizado na entidade. “É uma realidade bem diferente do que já vivi, bem mais difícil. Mas, estou contando com o apoio da equipe local”, afirma a freira.

A nova coordenadora atendeu à reportagem do Candeia ao lado da presidente da diretoria executiva, Neusa Guerta de Souza.   Mais duas irmãs claretianas atuam na entidade: Lazinha Pires (que tem três passagens pelo local, totalizando mais de 30 anos no local) e Conceição Martins (12 anos de Lar Vicentino).

Além dos integrantes da diretoria, trabalham no local cerca de quinze voluntários vicentinos e 25 funcionários, entre especialistas, administrativo, cuidadores, equipe de limpeza e terapeutas. Eles atuam para dar melhor qualidade de vida aos atuais 46 internos, a maioria com média e alta dependência.

Bom trabalho

Irmã Marina elogia o trabalho encontrado no Lar Vicentino, que nos últimos 18 anos foi coordenado por Irmã Idair. “É visível o trabalho organizado e integrado entre os diferentes setores, a preocupação com treinamento dos funcionários e reformas físicas adequadas”, comenta.

Ressalta ainda o comprometimento de diretores, voluntários e funcionários que mantêm os serviços prestados aos idosos, mesmo diante de muitas dificuldades.

Outro destaque, segundo ela, é a solidariedade do povo baririense que praticamente adotou o Lar Vicentino. Escolas, entidades e organizações são presença constante no local, interagindo com os internos. “Eles vêm trazer vida para os idosos”, ressalta.

No que diz respeito a ponto negativo, Irmã Marina cita a ausência de familiares de grande número de internos. “Eles começam vindo uma vez por semana, depois quinzenal, mensal e, por último desaparecem. Os idosos sentem e externam essa tristeza do abandono”, diz a religiosa.

Neusa confirma a percepção da nova coordenadora. “Atendemos as necessidades primárias de alimentação, cuidados e higiene, até de afeto. Mas, não é suficiente. Ninguém substitui a família”, destaca a diretora.

Projetos

Irmã Marina se prepara para colocar em prática projetos que devem dinamizar o trabalho junto aos idosos em Bariri. “Sempre dá para melhorar”, afirma.

Segundo ela, logo que chegou observou certa inatividade de internos que ainda demostram boa disposição. “Falta programação, com opções de lazer, atividades lúdicas e artísticas”, diz.

Conta que há alguns dias eles participaram ativamente da Conferência do Idoso realizada em Bariri. Se apresentaram cantando música sertaneja e demonstraram gosto e satisfação na atividade.

Neusa afirma que há pouco tempo programa de atividades diferenciadas vem sendo desenvolvido por profissionais voluntários – fisioterapeuta, educador físico e psicólogo – que também está agradando os internos.

Saiba mais sobre Irmã Marina

Irmã Marina Delphino Alves, 74 anos, atuou por 36 anos no serviço missionário na África, nos países Costa do Marfim e Togo, na África Ocidental, e Gabão, na África Central. De comum, a colonização francesa.

Há 49 anos integra a Congregação das Missionárias de Santo Antônio Maria Claret, com sede em Londrina. Agora retorna a Bariri após 57 anos, entre os anos de formação, atuação religiosa e vida missionária.

Filha de Sebastião Delphino Alves, o Bastião Belarmino, e da dona de casa, Maria Aparecida de Jesus, teve seis irmãos. Hoje, dois permanecem vivos, Sebastião Delphino Alves Filho e Belarmina Delphino Alves (Belmira/Fia), e residem em Ibitinga.

Teve certeza da vocação religiosa aos 13 anos de idade e, após vencer resistência da família, aos 16 anos entrou para o convento de Londrina.

Quando completou os votos foi para a cidade de Matão e cumpriu estágio na área da saúde. Durante a permanência no convento formou-se em técnico de enfermagem. Depois fez obstetrícia e, por último, teologia em Roma.

Em 1973, com 27 anos de idade, foi enviada em missão na África, primeiro na Costa do Marfim e, depois, no Gabão. O foco era saúde e evangelização. Trabalhou durante 17 anos em hospital, depois passou a atuar na área administrativa e de formação de religiosas africanas.

Após um tempo de atuação missionária Irmã Marina retornou à Londrina para trabalhar como conselheira geral das claretianas. Integrou o governo provincial por 15 anos, como coordenadora e conselheira.

Em 2014 aceitou o desafio de ir para o Togo, oeste da África. Ela viveu os quatro anos de missão na aldeia Kpime Seva, a 10 km da cidade de Kpalimé ET e a 130 km da capital Lomé.