Em todas as cidades, eles paravam para visitar igrejas, santuários e/ou pontos turísticos.
A partir de Tocos do Mogi, os três ganharam a companhia de dois ciclistas de Campinas – Cleiton e Bruno.
De 03 a 08 de junho, três ciclistas de Bariri e Itaju realizaram o circuito de peregrinação do Caminho da Fé. Foram seis dias de pedal, 330 quilômetros percorridos (média de 55 km diários) e 24 cidades visitadas.
Ana Maria Rodrigues e Márcio Trovarelli, ambos de Bariri, realizaram o percurso pela primeira vez. Eles tiveram a companhia de Rafael Almeida, o Dentinho, de Itaju, que completou três vezes de peregrinação pelo Caminho da Fé.
A rota é sinalizada e a peregrinação tem destino até o Santuário Nacional de Aparecida. A ideia é reproduzir a experiência do Caminho de Santiago de Compostela, na Espanha. Passa por municípios de Minas Gerais e São Paulo, grande parte pela Serra da Mantiqueira.
O peregrino leva consigo uma credencial desde o início da sua rota, documento que ele deve carimbar em pousadas ao longo do trajeto para ter direito a um certificado de conclusão ao fim da viagem. O trajeto pode ser realizado a pé, bicicleta e/ou cavalo.
Em entrevista ao Candeia, Ana Maria conta que iniciaram a peregrinação em Águas da Prata, onde fizeram o credenciamento e conheceram um dos fundadores do Caminho da Fé, Almiro Grings.
Percorreram o caminho em bicicletas mountain bike com marchas, luvas, sapatilha ou tênis e capacete. Na mochila, três trocas de roupas íntimas; duas roupas próprias de ciclismo; um agasalho para dormir e chinelo. “A gente aprende a viver com essencial”, resume a ciclista.
Após o segundo dia, quando pernoitaram em Tocos do Mogi, ganharam a amizade a companhia de dois ciclistas de Campinas – Cleiton e Bruno. Assim realizaram a maior parte da peregrinação em grupo de cinco.
Segundo Ana Maria, o trajeto foi realizado praticamente sem incidentes, exceto alguns contratempos como chuva e lama no primeiro dia e relatos de peregrinos que diziam ter sido assaltados à mão armada por criminosos de moto. “Isso causou preocupação com segurança que não esperávamos”, ela diz.
Ainda houve revés de Bruno que não pode completar a peregrinação, uma vez que precisou voltar porque o filho ficou doente.
De acordo com Ana Maria, eles saíram com itinerário diário traçado e com reserva prévia das pousadas. Iniciavam o trajeto por volta das 7h, após tomar café. Durante o dia somente lanchavam e terminavam com banho e jantar nas pousadas.
Segundo ela, é emocionante a forma como os peregrinos são recebidos e tratados nos locais de paradas. É comum eles oferecerem café passado na hora, pão caseiro quentinho e bolo de fubá, a preços irrisórios ou mesmo gratuitos.
Muitos dos donos de pousadas já obtiveram cura e/ou graça e o ambiente de tolerância e acolhimento é propício para relatos e troca de experiências. “Aprende-se a ver em cada rosto no caminho, um amigo a lhe dar apoio ou abrigo sem saber direito de onde você veio”, relata.
Ana conta que ao longo do percurso há capelinhas onde o peregrino encontra à disposição roupas, produtos de higiene e ferramentas. “Quem precisa pega e quem tem a mais deixa”, resume a ciclista.
Em todas as cidades, eles paravam para visitar igrejas, santuários e/ou pontos turísticos. “Aí se descobre que são muitas as razões que que levam homens e mulheres a percorrerem o Caminho da Fé. Religião, introspecção, desafio físico, turismo, curiosidade”, comenta Ana Maria. Fora, diz ela, o desafio diário às capacidades físicas.
O ponto alto, óbvio, é a chegada ao Santuário de Aparecida. “Cada um reage de uma forma. Para mim foi mágico, inexplicável”, conta Ana. A experiência foi tão boa que projeta voltar a fazer o Caminho da Fé a pé. Um desafio de 11 dias.


























