Casal, que adora viajar, viu na história dos expedicionários “combustível” para seguir adiante: “Se eles conseguiram, vamos conseguir”

André Jardim e Julia Cristina Magalhães Prates buscaram inspiração na história dos expedicionários – Divulgação
Eles visitaram o Museu Mário Fava, localizado em Bariri, com um propósito: abastecer a alma e partir para o Alasca (EUA) em uma picape Chevrolet 3100, ano 1951. O casal André Jardim, 41 anos, e Julia Cristina Magalhães Prates, 35 anos, encontraram na história dos expedicionários inspiração para cumprir o desafio.
André é geógrafo, natural de Belo Horizonte (MG), e apaixonado por carros antigos. Julia é geóloga, nasceu em Brasília (DF), e adora viajar. Trabalharam juntos em uma empresa de mineração de ouro no interior de Goiás. Nesta época eram somente amigos. Anos depois o destino os uniu.
André trabalhava há 15 anos em empresa internacional – não foram o suficiente para o casal. Optaram por se desfazer dos bens materiais que possuíam e escolheram viver viajando na picape. Desta forma, surgiu o projeto Expedição na Estrada. “Há um ano e três meses nossa casa é a picape e a estrada. Sem pressa, com muita tranquilidade”, diz André.
A caminhonete pertencia ao pai de André. Ela foi restaurada em São Paulo e a estrutura da casa montada em Santa Catarina. É toda original, sem ar condicionado, vidro elétrico, ou outras modernidades. Chega no máximo a 75 km nas descidas. Neste período de mais de um ano já passaram pelos Estados de Minas Gerais, Bahia, Rio de Janeiro, São Paulo, Goiás e Distrito Federal.
O casal conta que em 2014 viajou para o Uruguai em uma Veraneio 1965 que também era da família de André. Em 25 dias André e Julia percorreram 8 mil quilômetros. “Foi uma experiência que permitiu reviver viagens da minha infância e que serviu para provar que é possível vencer medos e barreiras”, diz ele.
Dificuldades
Julia revela que a princípio as famílias – tanto a sua como a do marido – não aceitaram a escolha que fizeram. “Foi difícil a aceitação, pelos perigos naturais em viver nas estradas. Mas aos poucos eles foram aceitando, pois é desta forma que nos sentimos bem e felizes”, explica.
A experiência os fez perceber que as pessoas são boas, que a essência do ser humano é positiva. As viagens são financiadas por eles próprios e para arrecadar dinheiro o casal produz e comercializa chaveiros de amigurumis (técnica em crochê). “Muitas pessoas nos ajudam, com gestos simples, o que nos deixa extremamente gratos. O universo conspira para as coisas boas acontecerem”, considera André.
A visita ao Museu Mário Fava foi indicada ao casal pelo escritor Beto Braga. Eles passaram um dia no local, acompanhados pelo curado José Augusto Barboza Cava, o Cavinha, que contou em detalhes toda a aventura. “Passar por aqui foi o nosso combustível. Vivemos momentos de muita emoção. A gente se vê na conquista de Mário Fava e seus companheiros. É possível sentir na pele. Se eles conseguiram, naquela época, sem recursos, iremos conseguir”, conclui André.
Serviço
O Museu fica na rua Tiradentes, 410. Centro. Telefone: (14) 3662-1317
Horário de funcionamento: de segunda a sábado, das 9h às 17h.

Júlia e André visitaram o museu para conhecer a história – Foto: Divulgação

Júlia e André partiram para o Alasca – Foto: Divulgação
























